quinta-feira, 29 de novembro de 2012


Poemas “Ocidente” e “Fernão de Magalhães” da Mensagem de Fernando Pessoa
Análise dos poemas
Ocidente
Este poema de Fernando Pessoa descreve a descoberta das terras do ocidente, mais concretamente a descoberta do Brasil.
Na primeira estrofe é possível analisarmos a referência do corpo e da alma deste acontecimento, tal como se vai assistindo ao longo do poema.
“Acto e Destino” são, segundo Fernando Pessoa, as duas mãos que fizeram a descoberta destas novas terras. No meu ver, o Acto refere-se à acção dos portugueses, à coragem e à bravura dos mesmos. O Destino remete-me para a força e a vontade de Deus para a descoberta de novas terras, e a protecção divina relativamente aos portugueses, para que a descoberta se pudesse concretizar (Protecção divina, tal como nos Lusíadas). Assim, interpreto que a obra dos portugueses foi a corporização da vontade de Deus.
Ainda na primeira estrofe, assistimos à referência de um facho, segurado por uma mão, que aponta para as terras desvendadas. O facho ilumina as terras desvendadas, focando o descoberto, o novo. Pode também simbolizar o Divino. A outra mão afasta o véu que escondia aquelas ilhas, simbolizando a descoberta do desconhecido, e a destruição da dúvida relativamente à existência de terras no ocidente.
Na segunda estrofe sugere o acto da descoberta. “A mão que ao Ocidente o véu rasgou”, isto é, o ocidente foi “destapado”, passou de desconhecido a conhecido.
Nesta estrofe Fernando pessoa volta a identificar o corpo e a alma deste feito, sendo desta vez a Ciência a alma e a Ousadia o corpo. Assim, a ciência, ou seja, todo o saber e o conhecimento dos navegadores portugueses simbolizam a alma da descoberta. Por outro lado, a Ousadia, a bravura e determinação dos portugueses simbolizam o corpo da mesma.
Na Terceira e última estrofe, o poeta afirma “Fosse Acaso, ou Vontade, ou Temporal (…) Foi Deus a alma e o corpo Portugal”. Isto é, quer esta descoberta se tenho dado por puro acaso, por vontade e determinação dos portugueses, ou por um temporal que tenha desviado os navios em direcção àquelas terras, Deus foi a alma, a vontade da realização desta descoberta. E os portugueses foram os heróis, os destemidos que a realizaram, e que deste modo descobriram o Brasil.

Fernão de Magalhães
Fernão de Magalhães foi um navegador português. Este iniciou uma circum-navegação. Passou pelo estreito, hoje conhecido como Estreito de Magalhães, onde perdurou durante algum tempo. Navegou pelo Oceano Pacifico, e durante toda a viagem perdeu uma boa parte da sua tripulação, assistiu a revoltas dos marinheiros, a naufrágios de três dos seus navios. Passou por fome, sede, e doenças como o escorbuto. Quando chegou às Filipinas- Cebu- Fernão de Magalhães iniciou trocas comerciais e foi muito bem recebido e acolhido pelo chefe local.
Este por sua vez, andava em guerra com o chefe local de Mactan, e foi ao ajudá-lo numa batalha que Fernão de Magalhães perdeu a vida.
Este poema, de Fernando Pessoa, incide não nos feitos propriamente ditos de Fernão de Magalhães, mas sim na sua morte.
Para entendermos melhor este poema, é necessário saber que os assassinos de Magalhães foram os Nativos de Mactan, durante uma batalha.
Na primeira estrofe do poema, podemos concretizar a ideia de um ritual, feito pelos nativos, festejando a morte do marinheiro. As referências à “Fogueira” e à “Dança” destes nativos, remeteram-me para a presença dos nativos e a festa realizada pelos mesmos, respectivamente.
Esta primeira estrofe é bastante descritiva, apresentando uma caracterização de todo o ritual e festejo dos nativos, e do local onde se passa o ritual (um vale).
Na segunda estrofe Fernando Pessoa refere-se aos nativos como “Titãs”. Estes eram seres míticos, considerados selvagens. Refere-se novamente à dança, e ao ritual em “honra” da morte de um marinheiro que merecia ser glorificado!
Nesta estrofe, Fernão de Magalhães é caracterizado como o “Primeiros” dos homens, que se cingia, protegia e pretendia ser leal àquele que o acolheu naquelas terras (Cebu). Fernão de Magalhães é situado no último verso, “Na praia, ao longe, sepultado”.
Na terceira estrofe, volta-se a fazer referência ao festejo após a morte de Fernão de Magalhães, por parte dos nativos que o assassinaram. Desta vez, Fernando Pessoa, despreza os nativos.
“Nem sabem que a alma ousada
Do morto ainda comanda a armada”
Assim, a força e bravura deste marinheiro influenciou o espirito de toda a armada. Este destemido marinheiro ficou na memória de todos. O seu espirito nobre e heróico, os seus grandes feitos ficou para a história. Os nativos, ignorantes, não reconhecem estes feitos e festejam como se nada fosse.
Na quarta e última estrofe é afirmado por Fernando Pessoa que Fernão Magalhães “Violou a Terra”, ou seja, encheu-se de conhecimento de todo o mundo. Com a sua bravura, determinação e coragem rompeu todas as barreiras.
Aqui, Fernando Pessoa volta a desprezar os nativos. Determina-os como ignorantes, que não reconhecem a importância dos feitos de Fernão de Magalhães.
“Dançam na solidão” – estão sós, presos à ignorância, não têm saber. E dançam, festejando.
Por último, é feita uma referência aos “Mudos montes” que rodeiam estes nativos. Aqui, podemos interpretar “mudos montes”, como a falta de sabedoria e a ignorância que rodeia os nativos. Estes estão rodeados de nada. E por isto, festejam.

Mariana Dinis, 17

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