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quinta-feira, 14 de março de 2013

Paúis- Fernando Pessoa (apresentação oral- conteúdo)


Paúis

Paúis de roçarem ânsias pela minh' alma em ouro...
Dobre longínquo de Outros Sinos... Empalidece o louro
Trigo na cinza do poente... Corre um frio carnal por minh' alma...
Tão sempre a mesma, a Hora!... Balouçar de cimos de palma!
Silêncio que as folhas fitam em nós... Outono delgado
Oh que mudo grito de ânsia põe garras na Hora!
Que pasmo de mim anseia por outra coisa que o que chora!
Estendo as mãos para além, mas ao estendê-las já vejo
Que não é aquilo que quero aquilo que desejo...
Címbalos de Imperfeição... Ó tão antiguidade
A Hora expulsa de si-Tempo! Onda de recuo que invade
O meu abandonar-se a mim próprio até desfalecer,
E recordar tanto o Eu presente que me sinto esquecer!...
Fluido de auréola, transparente de Foi, oco de ter-se.
O Mistério sabe-me a eu ser outro... Luar sobre o não conter-se...
A sentinela é hirta - a lança que finca no chão
É mais alta do que ela... Para que é tudo isto.... Dia chão...
Trepadeiras de despropósitos lambendo de Hora os Aléns...
Horizontes fechando os olhos ao espaço em que são elos de ferro...
Fanfarras de ópios de silêncios futuros... Longes trens...
Portões vistos longe... através de árvores... tão de ferro!




Análise Pessoal:
A "Hora" a que o sujeito poético se refere é como que uma personificação do tempo presente, do que aflige o poeta, como se fosse a sua própria prisão.
O poeta sente-se encarcerado no presente, que acabar por se tornar um prisioneiro de si mesmo. "Tão sempre a mesma hora" é equivalente a: sempre esta a minha angústia!
Quando o poeta afirma que "a Hora expulsa de si tempo", podemos interpretar que o tempo vai passando; mas acrescenta logo que isso é apenas como uma "onda de recuo que invade o seu abandonar-se a si próprio até desfalecer". Ou seja, o tempo pode passar mas a situação angustiosa do poeta (a sua “Hora”) permanece presente. Daí, "um mudo grito de ânsia põe garras na Hora", que demonstra a angústia pela permanência da sua Hora.
Os vários tempos (o passado, o futuro e o presente) estão bem marcados no poema. Referem-se ao passado: "dobre longínquo de outros Sinos", "Ó tão antiguidade", "onda de recuo que invade o meu abandonar-me a mim próprio até desfalecer". Sendo que esta última expressão pode acabar por nos remeter para a ideia que as memórias dos tempos passados também servem para alimentar a angústia do presente.
Referem-se ao futuro: "Estendo as mãos para além", "Trepadeiras de despropósito lambendo de Hora os Aléns", "...silêncios futuros...", "Longes trens...", "Portões vistos de longe... tão de ferro!" Com estas expressões sobre o futuro podemos compreender que o futuro também não traz uma noção de ‘descanso’ ao poeta, pois sente que o futuro está longe e barrado por portões de ferro. Podemos então entender que o poeta é não só um prisioneiro do espaço (pelos portões de ferro) mas também do tempo (pela impossibilidade do futuro).
O fulcro da angústia situa-se no presente, na Hora. Isto porque por mais que o poeta tente pensar no passado ou no futuro para se confortar ou ambicionar algo melhor, este continua carregado de desilusões. Este pode ser um indicador do porquê da letra maiúscula da Hora, esta é o presente que sintetiza o passado e o futuro.
Podemos então interpretar como uma das razões da angústia do poeta a sua fragmentação do Eu. Ou seja este sente-se dividido entre vários tempos e até entre vários espaços, nunca conseguindo encontrar a unificação.
É ainda importante realçar o facto de que tudo o que está contido neste poema não é uma espécie de lamentação do sujeito poético, mas antes apenas uma descrição do seu estado fragmentado.


Andreia Rosa, nº2 12ºE

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Episódio de Leonardo e Valor Simbólico do Casamento

Episódio de Leonardo:

A história de Leonardo está contido nas estrofes 75 a 83 no canto IX, episódio da Ilha dos Amores.
Leonardo é caracterizado como um corajoso soldado com espírito alegre que acreditava ter má fortuna no amor.
Neste episódio podemos destacar como personagens Leonardo e Efire, a ninfa que lhe havia sido atribuída sendo a mais "complicada" de alcançar. Quando Eifre nota que Leonardo se apercebe da sua presença, foge. Aqui desenrola-se uma perseguição, onde Leonardo suplica a Efire que pare. A ninfa rejeita os seus pedidos e Leonardo apercebe-se que lhe é impossível não lhe ser cortês, pois Efire é o ser mais belo que alguma vez imaginou ver. Através do seu discurso apaixonada e até desesperado, Efire rende-se tal como as outras ninfas.

"Cair se deixa aos pés do vencedor,
Que todo se desfaz em puro amor."

Assim Leonardo, através da partilha de intensos momentos com Efire, consegue ultrapassar as desavenças amorosas do passado.
Neste episódio temos claras características do amor sensual, à primeira vista, repleto de desejo que no entanto mais à frente se acaba por transcender e interligar com o amor espiritual. No fim do episódio Leonardo começa a ter desejos de casamento e de companhia eterna, a partilhar com Efire.

Valor Simbólico do Casamento:

Neste episódio vemos que o início das relações entre as ninfas e os marinheiro era puramente físico e sensual onde ambos encantados por desejo se entregavam ao amor intenso. No entanto através do acto sexual, da satisfação e entrega começa a desencadear-se uma passagem do amor sensual para o amor espiritual. Após o acto sexual existe uma transcendência, pois a supra-entidade presente, O Amor, domina o coração dos marinheiros elevando os seus espíritos e interligando o sensual com o espiritual.
Neste episódio podemos concluir então que existe um redimensionamento do amor sendo que passa para além do sensual e espiritual chegando ao Mítico.
O casamento aparece neste episódio como uma parte integrante da dimensão mítica do amor e ainda como um objectivo dos marinheiros.
No episódio de Leonardo os verdadeiros vencedores são Leonardo e a entidade do Amor.

Andreia Rosa nº2 12ºE

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Será que a democracia, em si mesma, e por si só está garantida pelo acto de votar?

Nos dias que correm somos bombardeados com mensagens de frustração por parte de um povo que não é valorizado ou levado ao seu total potencial. Um povo que tem como triste fado ser sempre o "último a chegar".
No entanto se havia algo do qual sempre nos poderíamos orgulhar seria dos direitos que tínhamos conquistado, do longo caminho que havíamos percorrido, das mentes revolucionárias a que a nossa pátria deu lar e especialmente do sistema democrático baseado em valores respeitados que buscavam melhorar a vida das gerações futuras, e agora o que se passou?...
Hoje a tão chamada "Democracia" é um sistema desactualizado que perdeu o rumo, longe ficaram os dias em que os interesses que se buscavam conquistar eram os do povo.
Será que a democracia, em si mesma, e por si só está garantida pelo acto de votar? Sim talvez legalmente, mas simbolicamente os valores estão perdidos. E se uma democracia deixa de ser uma verdadeira democracia, nada está garantido.
Antigamente a política era um serviço hoje é um estatuto de poder e superioridade na qual as promessas eleitorais se perdem ao longo do caminho.
Qual a solução? Pois infelizmente como o resto do mundo não sei.... Mas sei que não podemos olhar para o telejornal todas as noite passivamente para o que se sucede enquanto retrocedemos no tempo como sociedade. Há que tomar um papel activo na vida política e especialmente levar o voto como algo sério porque realmente o é, a abstenção tem de diminuir, as pessoas tem de mostrar que o povo não existe graças ao governo mas sim que o governo existe graças ao povo. 
No meio de tudo isto algo consigo presumir: se queremos uma democracia que nos "sirva" temos de estar prontos para representar o papel de uma sociedade à altura. 

Andreia Rosa 

domingo, 15 de janeiro de 2012

Conceito de Hybris

Hybris é um conceito grego que se pode traduzir como "tudo o que passa da medida", ou seja, o desafio, o crime do excesso e do ultraje podendo relembrar a condição de provocação e de arrogância.
A Hybris revela-se quando existe um acto de violação de quebra de regras ou seja um questionamento ou abalar da ordem estabelecida.
hybris desenvolve-se através de uma inesperada alteração da ordem natural dos acontecimentos que acaba por mudar toda a acção conduzindo ao desfecho.
Na minha opinião a Hybris pode assemelhar-se à perda de controlo dos impulsos naturais nas mais variadas situações. Por exemplo na obra de, "Frei Luís de Sousa", podemos ver a manifestação da hybris na atitude de várias personagens, tal como, na atitude de D. Madalena ao casar com Manuel de Sousa ou até no acto de Manuel Sousa incendiar o palácio para não receber os governadores.
No primeiro caso a hybris existe pois apesar de D. Madalena não cometer um crime propriamente dito podemos ver que ainda em vida de D. João de Portugal amou Manuel de Sousa. A sua falta não estava no facto de amar um ode que ainda em vida de D. João de Portugal amou Manuel de Sousa, apesar de guardar fidelidade ao marido. O crime estava no seu coração, na sua mente, embora não fosse explícito como entre os clássicos.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Conceito de Hybris

Hybris é um conceito grego que se pode traduzir como "tudo o que passa da medida", ou seja, o desafio, o crime do excesso e do ultraje podendo relembrar a condição de provocação e de arrogância.
A Hybris revela-se quando existe um acto de violação de quebra de regras ou seja um questionamento ou abalar da ordem estabelecida. O inverso da Hybris seria então o cumprimento ético e moral das leis da sociedade.
hybris desenvolve-se através de uma inesperada alteração da ordem natural dos acontecimentos que acaba por mudar toda a acção que conduz ao desfecho.
Na minha opinião a Hybris pode assemelhar-se à perda de controlo dos impulsos naturais nas mais variadas situações. Por exemplo na obra de, "Frei Luís de Sousa", podemos ver a manifestação da hybris na atitude de várias personagens, tal como, na atitude de D. Madalena ao casar com Manuel de Sousa ou até no acto de Manuel de Sousa ao incendiar o palácio para não receber os governadores.
No primeiro caso a hybris existe pois apesar de D. Madalena não cometer um crime propriamente dito podemos ver que ainda em vida de D. João de Portugal amou Manuel de Sousa. A sua falta não estava no facto de amar Manuel de Sousa, pois a fidelidade ao marido tinha sido conservada, mas sim no facto de tentar enganar-se a si mesma. Ou seja a hybris não era um "crime" explícito mas sim algo presente quer na sua mente quer no seu coração.
No segundo caso, com Manuel de Sousa, ao incendiar o palácio como modo de rebeldia ou perda do controlo dos seus impulsos revela também a sua hybris.
Um outro exemplo da hybris, (que não é da obra "Frei Luís de Sousa"), mas que no entanto é muito conhecido é a expulsão de Adão e Eva do Jardim do Éden. Neste caso quer Adão ou Eva cometeram um crime ao comer o fruto proibido, mas o seu crime foi especialmente a falta de controlo dos seus impulsos (neste caso a tentação do fruto) e também a sua arrogância.
Podemos então considerar a Hybris como um trágico erro que muda o desfecho de toda a "história" pois o indivíduo que a comete é culpável de desejar mais do que lhe foi concedido sem respeito pelos limites ou autoridades. 
Muitos casos destes sucederam e provavelmente vão continuar a suceder. Qual será então a necessidade de desejar mais do que temos, de nos ser impossível conformar com a realidade? E porque é que este parece ser um pecado que persegue o Homem desde o início dos tempos?  

sábado, 10 de dezembro de 2011

A Casa dos Espíritos- Isabel Allende (Apresentação)

Sempre tinha tido ouvido falar de Isabel Allende em casa, a minha mãe e a minha irmã são verdadeiras apaixonadas pelos seus livros. Logo quando vi o seu nome na lista de escolha de livros pareceu-me óbvio.
E não é que a minha mãe e a minha irmã tinham razão? O livro cativou-me pela maneira como abordava o lado real da vida e o espiritual em perfeita convivência, pelas personagens que acompanhava, pelos temas que incluía como ditaduras, a evolução do amor pelo tempo, e por muitos outros factores.
Na minha apresentação já expliquei o contexto geral do livro, mas aqui deixo um link de um resumo muito resumido para os interessados. http://www.infopedia.pt/$a-casa-dos-espiritos
Seria impossível explicar todo o livro pois o mesmo acompanha a vida de três gerações da mesma família, (coisa que não se explica numa entrada de um blog e muito menos numa apresentação de 10 minutos), por isso decidi escolher apenas uma personagem sobre a qual vou divagar um pouco.
Clara a clarividente. Era uma pessoa sábia desde uma tenra idade, conhecia o valor do silêncio e vivia num mundo diferente no qual alternava entre o carácter espiritual e real. Clara nunca foi uma dona-de-casa exemplar, ela era diferente, cativante, lutava pelo que queria e emanava paz e luz no entanto dá-va sempre uma aparência apagada, ela nunca estava totalmente num sítio, quer fosse no seu casamento com Esteban quer quando deambulava pelos corredores sozinha. Apenas se sentia completa no seu mundo, com as suas premonições, levitações e hóspedes. 
Tinha uma aparência diferente, serena, contida, elegante. Numa elegância que como disse emanava paz. Com  os seus caracóis e com o seu andar saltitante cativava o olhar de simples desconhecidos. Era impossível ser-lhe indiferente.
A personagem de Clara destacava-se de todas as outras pois enquanto as outras personagens usavam a força ou o discurso, Clara expressava-se pelo silêncio, enquanto os outros achavam que o mundo era um vale de lágrimas ela via-o como um mar de rosas... 
Quando morreu a casa da família Trueba apagou-se, as flores murcharam, e finalmente a família acolheu o silêncio. Era esse o poder de Clara, acalmar todos a sua volta às vezes sem o tentar, a sua presença amenizava tudo e todos. 
O que consegui recolher depois da sua morte foi que ela era a prova viva que o amor pelas pessoas nunca se perde apenas se transforma, nem depois da passagem do nosso mundo para o que vem depois. 
Gosto de pensar que o seu espírito livre se encontrava a deambular algures noutra dimensão após a sua morte. Finalmente completo e  finalmente presente.
Não posso dizer que me identifiquei com Clara pois existe uma grande diferença entre nós enquanto ela cala eu não consinto. No entanto isso não faz com que eu deixe de apreciar todas as camadas e acções dessa personagem.
O livro em si dá uma grande importância ao contexto histórico e à vida real com algumas pitadas de amor e de espiritualidade à mistura.
Aconselho-vos a ler o livro, é diferente e se gostam de lutas pela justiça social, histórias um pouco sobrenaturais e de personagens com força de vontade este é o vosso livro. Pelo menos... foi o meu.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Impressões de Viagem

Uma viagem... Longa, curta com ou sem destino desperta sempre em todos um sentimento de aventura e descoberta.
Como é óbvio todos temos experiências de viagens. As que se mantêm mais frescas na minha memória eram as típicas idas para o Algarve. Acordar bem cedo, ainda de madrugada, ir para o carro dos pais, ficar cheia de energia durante os primeiros cinco minutos e depois adormecer. Quando acordava estava em Albufeira a entrar noutro sítio, com outro estado de espírito, outra disposição.
Sempre acreditei que cada lugar despertava algo diferente numa pessoa. Por vezes a vida rotineira do mesmo lugar pode desgastar alguém, ver as mesma gente, edifícios, os mesmo caminhos... Isso torna tudo tão regular e a vida nunca deveria regular. Todos merecemos escapar um pouco, daí as viagens. Quer seja uma viagem a outro lugar, a uma memória ou até uma viagem aos confins da nossa mente, isso pode mudar tudo.
É engraçado pensar que precisamos de algo tão supérfluo para dar início à mudança. Mas a verdade é que o que nós éramos antes de uma viagem e o que passamos a ser depois, muda. Por vezes ligeiramente, sendo apenas em memórias ou experiências. Mas às vezes, muito raramente, existe uma viagem que nos muda.
Este ano tive duas experiências do género. Antes das viagens sentia que me faltava algo, uma peça por preencher no puzzle tão incompleto que sou, pois bem quando voltei tinha um sorriso parvo na cara, daqueles  sorrisos que ninguém consegue tirar porque eu sabia que se me quisessem tirar tudo, tiravam, mas aquele pedaço de mim e aquelas memórias eram apenas minhas.
Ahh, isso sabe tão bem... Essa renovação pessoal, esse sorriso, essas vivências. O pior era que quando me perguntavam: "Mas porque raio estás assim tão feliz e parvinha?", eu não fazia ideia o que dizer então apenas abria ainda mais o sorriso para todos verem esta menina tão feliz e tão parvinha.
Mantenho essas viagens para mim, à flor da pele. Mas esse "brilho" novo, pós-viagem não dura para sempre. Infelizmente ou felizmente, dependendo do ponto de vista, o meu sorriso parvo desapareceu voltando a vida rotineira.
Adoro viajar sempre adorei, conhecer novos mundos e novas pessoas no entanto este ano descobri que existe uma viagem muito maior a fazer. A viagem em nós mesmos. Eu achava que me conhecia mas a verdade é que essas viagens exteriores também me relembraram que na realidade eu não faço a mínima ideia quem sou.
E essa viagem é a mais importante e atribulada da nossa vida. Essa viagem começou no dia em que abrimos os olhos e acaba no dia em que os fechamos, ou melhor, talvez nem aí...  Connosco levamos sempre bagagem. Essa bagagem começa por ser leve no entanto ao longo do tempo acrescentamos peso.
A nossa bagagem acaba por ser a nossa vida todas as vivências, traumas, amores, falhas. Sempre desejei fazer uma viagem sem nada, sem destino, sem bagagem, sozinha. Pois bem, a um nível material é fácil mas essa bagagem, a bagagem da vida, nunca nos abandona a não ser que estejamos em paz, e isso? Aaai, é tão complicado...
Eu ainda não estou pronta para largar a minha mala para o vazio. Esquecer tudo de mau e tudo o que não necessito, talvez nem deveria. Mas a verdade é que eu sou fraquinha e esta mala começa-se a tornar demasiado pesada para mim...

sábado, 8 de outubro de 2011

A experiência e o limite

O tempo passa, o mundo dá voltas e as pessoas mudam com o tempo. Todos nós nos tentamos prender à ideia que somos diferentes, únicos, intocáveis, intemporais e acima de tudo invencíveis. Mas a triste ou feliz verdade, dependendo do ponto de vista, é que ninguém vive para sempre. Talvez seja possível pensar que sim quando estamos no auge da juventude mas ninguém foge ao envelhecimento: nem os ricos, nem os pobres, morais ou imorais.
Sempre ouvi dizer que a vida se dividia em seis fases: bebé, criança, adolescente, jovem adulto, adulto e idoso. Pois parece que quando uma pessoa faz essa complicada passagem de uma criança adorável e inocente para adolescente temperamental o comboio descarrila. Todos pensam: "Mas que raio se passou aqui?". As hormonas fazem das suas pequenas partidas nas pessoas, e as atitudes que outrora pareciam impossíveis, passam a ser o mais regular. Então qual é o limite para um adolescente? Qual é o limite para uma pessoa que é apresentada a um mundo liberal onde os únicos impedimentos para a possibilidade de quebrar as regras são as leis da sua própria consciência?
Existe quem pense que controlar e monitorizar o adolescente de perto é a atitude correcta. Eu acredito na experiência moderada combinada com algum diálogo parental. Estamos na idade de cometer erros, na idade de "não pensar". Mas o problema desta teoria é que é necessário ter também a responsabilidade necessária para suportar os erros e para nos levantarmos quando caímos.
Sempre tive vários conflitos por causa deste tema: sou contra quem me diz: “Se os jovens são pessoas informadas não deviam cometer os mesmos erros que as gerações passadas.” Eu entendo, e, é de facto um argumento válido, mas na realidade uma vida sem erros é uma vida sem experiências. Por vezes os pais, professores ou qualquer guia que tenhamos na nossa vida querem tentar antecipar as nossas questões para evitar sofrimentos futuros. Mas o único método realmente eficaz é viver! Por vezes temos de "ser estúpidos" e fazer algo que mais provavelmente não vai correr bem, mas e se correr? Como disse acima, na minha opinião, estamos na idade da experiência e senão experimentarmos nesta altura quando é que vamos experimentar? Quando tivermos 40 anos, marido, filhos e carreira estabelecida? 
Muitos pais não se conseguem conformar por deixarem de estar no “patamar” de heróis insubstituíveis dos filhos e não conseguem aguentar o olhar crítico dos jovens. Por isso existem pais que controlam exageradamente a vida dos filhos, como se pudessem, com isso, voltar a tê-los como crianças. Demasiado controlo e falta de liberdade apenas traz mais aversão a regras e rebeldia, daí não ser a melhor forma de tratar um adolescente.
Quem pode dizer que nunca se sentiu tentado a passar o limite, quebrar as regras? Eu digo honestamente que sim. E sim já errei, já me arrependi mas com essas coisas consegui aprender. O mais provável e que ainda vá tomar o caminho errado algumas vezes mas afinal como é que uma criança percebe que o fogo queima? Com a experiência. Mas a verdade é que cada erro deixa em nós uma ferida que com o tempo se torna numa pequena cicatriz e essa cicatriz é um lembrete de que errámos, que somos humanos. O importante é termos a capacidade de não voltar a errar e a cair no mesmo buraco!
Em conclusão a experiência é a melhor forma de crescer, é a partir dela e dos conjuntos de erros e vivências, que cada jovem indivíduo se torna um cidadão do mundo com ideias, histórias, sonhos e acima de tudo, conhecimento!


Andreia Bordon Rosa

quarta-feira, 4 de maio de 2011

As Aventuras de Alice no País das Maravilhas

Quando me foi anunciado o livro da Alice como parte do plano de leitura, estranhei. Sempre tinha achado que este livro era apenas um simples livro de contos para crianças que não requeria grande interpretação, no entanto agora sei que é o oposto. Este livro tem a capacidade de nos transportar para um mundo imaginário onde a lógica é inexistente e reina a loucura relativa, pois desde o momento que Alice entra na toca do coelho nós entramos com ela e podemos claramente reconhecer e identificar-nos com todos os seus obstáculos.
No País das Maravilhas tudo é distorcido tornando-se num mundo paralelo onde a realidade é ao contrário e sem grande sentido, no entanto alguns pormenores se mantêm em relação à sociedade actual. Um exemplo é a hierarquia da população, ao longo do livro podemos ver que neste País algo muito presente é o facto de cada pessoa estar incluído num estrato social. Por um lado temos, a Duquesa, a Rainha, o Rei e por outro temos ou criados ou soldados e todos os outros servos do reino. Outro exemplo poderia ser a ideia de Justiça, algo que está muito presente ao longo do livro, já que Alice assiste variadas vezes a julgamentos e a exercícios de poder.
No entanto nem tudo são semelhanças, algo que podemos observar claramente neste mundo paralelo é o facto de existir uma relação próxima entre os desejos e a realidade. Enquanto no mundo real temos um desejo ou aspiramos algo o seu efeito não é imediato, no mundo das maravilhas o desejo tem imediatamente uma reacção abrindo então portas para outros caminhos alternativos.
Neste livro algo que aprendi ser muito importante foi o uso das palavras e como podem mudar o sentido de uma frase ou de um diálogo. Quer a repetição das palavras ou o uso de termos ‘pomposos’ por parte da Alice.
Alice é uma personagem muito intrigante, é uma criança que ao longo da sua aventura imaginária sofre várias mudanças e metamorfoses na busca do seu “EU”. Creio que neste sonho Alice encontrava-se numa crise de identidade, procurava saber quem era, “É que sabe-se lá se isto não vai acabar comigo a desaparecer completamente como uma vela - disse ela para consigo – Que serei eu então?”. Algo que podemos observar em várias situações é a divisão do sujeito de Alice. Parece que Alice se divide em duas figuras, tendo então a capacidade de se auto-observar desde do que para si é mais visível até ao seu interior para o que é mais privado. Graças a esta capacidade podemos também ver que Alice chega até a dar conselhos a si mesma, admitindo no entanto raramente os seguir.
Ao longo do livro Alice é questionada não só pelos outros mas por si mesma sobre quem era, e talvez esta aventura fosse a descoberta desse enigma. Ou talvez porque Alice estaria a passar por uma fase de crescimento na qual teria de deixar de ser criança. Este sonho poderia então ser uma última oportunidade de ser criança e de aproveitar a vida ao seu todo antes de crescer para adolescente, tal como vemos ao longo do livro ela procura o Coelho Branco que sempre se encontra atrasado e com pressa, provavelmente era assim que Alice se sentia, sem tempo para usufruir desta fase da sua vida. Talvez fosse por isso que Alice tanto buscava o Coelho Branco, possivelmente queria ter mais tempo para ser criança, para continuar a imaginar e a congeminar ideias loucas que apenas fariam sentido no seu mundo.
Ao longo do livro Alice cresce e diminui. Quando cresce, Alice torna-se mais segura de si, confiante e forte. No entanto quando diminui torna-se mais frágil e hesitante. Alice era por isso uma pessoa muito instável emocionalmente, por vezes era capaz de chorar um rio de lágrimas, por outras era capaz de estar alegremente a correr numa corrida eleitoral. Esta instabilidade de Alice é uma das suas principais características ao longo do livro.
A justiça, presente no livro, é basicamente uma fachada. Pois à primeira vista podemos ver que existem tribunais, julgamentos, juízes, (ou seja símbolos de justiça imparcial), no entanto após reflexão podemos observar todos estes símbolos são uma frente para um falso sistema no qual as principais fontes de poder, (a Rainha e o Rei), criavam uma ilusão de justiça que no entanto nunca existia pois quem saia a vencer seriam sempre quem eles quisessem beneficiar e não quem estivesse certo ou errado. Será esta justiça tão diferente da realidade? Não é uma realidade que por vezes quem ‘vence’ não são necessariamente as pessoas que estão correctas mas sim as que têm mais influência ou poder?
A meu ver o que ocorreu foi também uma crítica social a estas situações de (in)justiça, no entanto neste livro ao contrário do que se passa na vida actual, temos um exemplo de alguém que teve a coragem de se opor a este sistema opressivo. Alice no julgamento do Valete, (situação na qual o Valete estava a ser julgado por um crime que não havia cometido), comprovou a sua repulsão:
“- Caluda! - Ordenou a Rainha, vermelha de cólera.                   
 - Não me calo nada! – Disse Alice.”
            Creio então que existem vários pontos a reter desta história mas o principal é nunca deixar que o medo ou receio crie obstáculos na nossa vida pois essa ideia de impossibilidade, até experimentada por Alice quando pensava ser impossível sair do País das Maravilhas, é algo que pode vir a controlar a vida de alguns. O medo é um grande impedimento que testa a nossa resistência ao longo da vida, quer queiramos ou não sempre existirão os ‘mais fortes’ e os ‘mais fracos’, mas devemos aceitar este livro como uma metáfora, será mesmo necessário ter três metros de altura como Alice para enfrentar os nossos medos? Claro que não, logo é imprescindível manter o controlo das situações sem nunca afligir.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Greve a favor ou contra?

Na situação actual de crise económica em que se encontra Portugal, o resto da Europa e ainda alguns outros países a desmoralização e o descontentamento social generalizaram-se. Alguns encontram como resposta as greves para demonstrar a sua frustração para com a condição económica do país.
Na minha opinião a conjuntura na qual nos encontramos em Portugal é sem precedentes logo é necessária uma resposta, uma reacção algo que alerte o Governo de uma maneira ainda mais óbvia o descontentamento social.
Nunca fui muito a favor das greves dos funcionários públicos antigamente, mas como disse anteriormente, de momento, é mais que justificável. Na minha opinião pelas seguintes razões:
Usando esse exemplo das greves actuais dos funcionários públicos. Pois a greve anunciada faz propaganda a uma greve que de maneira, racional e pacífica, defende e relembra os direitos já adquiridos pela função pública.
Pois o que está em causa não são ‘apenas’ os direitos económicos, ou seja a fraqueza dos salários, pois se assim fosse todo o movimento e a greve iriam ruir, mas também o apartamento, por parte do governo, de princípios que deveriam estar confirmados para garantir uma saudável convivência como sociedade una.
Pois o que está a acontecer em Portugal é deveras preocupante e devemos mandar uma clara imagem ao governo da nossa opinião sobre o que está errado.
Mas infelizmente, já existindo tantos trabalhadores da função pública que se encontram numa situação superficial de pobreza, poucos são os que se darão ao luxo de poder faltar a um dia ter dinheiro descontado do salário ao fim do mês.
Mas para esses trabalhadores é este o meu apelo. É necessário aderir a esta greve para serem ouvidos pois a situação tem que mudar e uma greve estruturada de maneira racional pode ser a solução para fazer a voz do povo ser ouvida.

  • Andreia Rosa