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segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Será que a democracia, em si mesma, e por si só está garantida pelo ato de votar?


A democracia é algo que remonta desde a Grécia Antiga, em que uma comunidade se reunia para criar as suas próprias regras politicas. Diversos políticos, como Aristóteles, depreciavam este modelo pois defendiam que a democracia se resumia a um conjunto de regras ruins para agradar à maioria. No início do século IV, os cidadãos reuniam-se nos mercados das pequenas cidades da Grécia e juntos decidiam sobre os problemas públicos, que eram solucionados por votação. Desde aí que vários países têm vindo a ratificar constituições democratas, instituindo-se o voto secreto e o direito das mulheres a votar e ser votadas.

Contudo, atualmente, grande parte dos deputados, ao serem eleitos, vinculam-se aos seus líderes e em vez de cumprirem o prometido, esquecem os eleitores e apenas atuam para receber benesses em prol da sua reeleição. Podemos assim dizer, que o país acaba sempre por aceitar demagogia, sendo necessário repensar certos conceitos para que se possa mudar aspectos como a dignidade e o direito. A democracia concede-nos o poder do voto, sendo extremamente importante saber valorizá-lo, e sendo este secreto, é necessário votar em ideias e acções, em carácter e civismo, pois o voto reflecte o futuro.

Concluindo, a democracia não está, de todo, garantida pelo ato de votar, o que significa que, a verdadeira questão que se coloca é, será que as pessoas que elegemos quando chegam ao poder são democratas? E será que votar torna as pessoas democratas?

domingo, 8 de abril de 2012

A Importância Dos Contos De Fadas

Contos de fadas. Um termo muito utilizado para descrever as fábulas e os contos populares. Ambos os termos se apresentam como uma narrativa curta, cuja história se reproduz a partir de um motivo principal e transmite conhecimento e valores culturais de geração para geração. Nestes encontramos sempre um herói ou heroína que tem de defrontar grandes obstáculos antes de triunfar contra o mal. Este é o sentido objetivo, mas não será que os contos nos transmitem certos valores morais e o facto de o bem existir verdadeiramente? Para além de tudo isto, os contos de fadas são também algo enriquecedor que nos ensina sobre processos interiores que ocorrem no nosso âmago, ou seja, é um encontro com o nosso mundo interno. Ao depararmo-nos com esta situação, deparamo-nos com certos conflitos, inerentes ao ser humano, como a inevitabilidade da morte, o envelhecimento, a luta entre o bem e o mal, a inveja, … Os contos de fadas são fundamentais para o nosso crescimento, para o crescimento de cada criança, pois é nestes enredos que encontramos uma convergência entre a realidade e a fantasia; um ponto de encontro de compreensão, onde se distingue o Bem do Mal, o bonito do feio. Atualmente, o mundo em que vivemos é um mundo complicado, um mundo antagónico, que faz as crianças dividirem intuitivamente tudo em bom e em mau, encontrando assim, nos contos de fadas, um certo equilíbrio no seu mundo. Os contos de fadas existem para garantir a estas que se as dificuldades podem ser vencidas; as florestas atravessadas, os caminhos de espinhos desbravados e os perigos trespassados, também estas, podem vencer os seus medos e as suas ignorâncias. Afinal, ao longo da nossa vida, todos vamos enfrentando diversos obstáculos; conflitos, confrontações e aventuras. A esperança deve ser algo que existe quando enfrentamos um destes momentos. Esperança esta, com que inicialmente temos contacto através dos contos de fadas, das personagens fictícias, pois aprendemos a aceitar melhor as pequenas desilusões com que nos vamos deparando no dia-a-dia, apenas por saber que, à semelhança do que acontece nos contos, os nossos esforços hão-de ser recompensados um dia. No nosso íntimo, entendemos que estas histórias maravilhosas não passam de uma irrealidade, mas isso não quer dizer que as aceitemos como falsas, pois estas descrevem, de um modo imaginário e simbólico, os passos do crescimento de cada um de nós. Na minha opinião, todos encontramos um pouco de nós em todas as personagens, ou seja, todos somos contraditórios; obedientes e teimosos, bons e maus, valentes e medrosos, dependendo da situação em que nos encontramos. Todos estes sentimentos e características são tratados nos contos de fadas de modo a oferecer desfechos otimistas, e assim oferecer a cada criança, a esperança de que os seus medos, desejos, amores e ódios, que na sua perspetiva se apresentam como amedrontadores e insolúveis, na realidade têm uma solução. Isto é assimilado de uma forma intuitiva devido à ingenuidade e à inocência das crianças. Aprendemos assim, em pequenos, por meio destes contos, a identificar e reconhecer, em nós e nos outros, pensamentos e sentimentos que ajudam ou atrapalham as nossas relações; aprendemos a conviver com naturalidade com fortes elementos do nosso inconsciente e do inconsciente dos outros. Estas narrativas oferecem-nos portanto, melhores condições para crescermos e amadurecermos.
Todos os contos de fadas têm um herói e no desenrolar da história, vai-se traçando a luta do herói que não se apresenta inicialmente como tal, ou seja, é no decurso da ação que este tem de descobrir os elementos que faltam para que possa compreender o processo em que está inserido, e assim, construir novas situações que possam vir a favorecê-lo na sua luta pelos objetivos. Nesta luta, o herói culmina a possibilidade de vencer todas as dificuldades. Neste sentido, todos os contos são um estímulo encorajador na luta da vida, em que se valorizam os princípios éticos na relação com outro; o Mal é denunciado, o personagem mau é castigado; o Bem é valorizado, e o personagem bom, premiado. Faz-se assim justiça, e encontra-se paz e harmonia.
Na minha opinião, todos estes argumentos se apresentam como uma ótima razão pela qual as crianças devem ler contos de fadas. Estes proporcionam esperança! O que seria de nós sem tal sentimento? Provavelmente nem existiríamos. Contudo, há quem considere os contos de fadas encantadores, como eu, e há quem os rejeite como mórbidos e perturbadores. Porém, atualmente há mais quem discuta a sua importância, a sua atuação decisiva na formação e no desenvolvimento do ser humano. As pessoas que apresentam uma posição contra os contos de fadas, supõem que a violência das situações que se apresentam; a personificação do bem e do mal em determinadas personagens, as soluções mágicas para os problemas mais complexos e toda a tensão emocional provocada pela narrativa destes contos, proporciona às crianças uma visão muito negativa da realidade, uma visão negra, e desnecessária do Homem. Muitos acreditam até que para as crianças mais sensíveis, estas narrativas podem provocar sofrimentos e angústias, que se poderão repercutir negativamente na sua vida futura, gerando medos e inseguranças. Porém, eu considero que os contos podem ser vistos como uma preparação para o futuro que vamos enfrentar. Se acreditarmos no valor e na verdade que se revelam nestas histórias arcaicas, na força e na coragem que podem surgir, exatamente, pelo impacto do encontro com a franqueza, o desamparo, o medo, a necessidade de luta para alcançarmos os nossos objetivos, estaremos a acreditar num mundo melhor. E são também benéficos, na medida em que as crianças encontram soluções para as suas dúvidas, para os seus conflitos pessoais. E uma prova de que as crianças entendem esta linguagem, é o facto de no seu dia-a-dia, inventarem diversos jogos e distrações, que as divertem e são vividos entre a imaginação e a realidade. A maioria dos contos começam por “Era uma vez”, e porque será isto? Tem a sua razão. Na minha opinião, isto acontece de modo a salientar o facto de os temas não se referirem apenas ao presente tempo e espaço. Todos nós encontramos personagens e situações que fazem parte do nosso quotidiano e do nosso universo individual, com conflitos, medos e sonhos. Momentos estes que nos fazem confrontar com sentimentos como o amor, o odeio, a inveja e a amizade. Sentimentos humanos e naturais. Diria assim que os contos de fadas são a maneira mais significativa que nós, Homens, encontrámos para expressar as experiências que não se enquadram numa lógica da narrativa objetiva, e é por isso que as histórias são tão temidas, e é também por isso que são tão importantes.
Concluindo, penso que os contos de fadas são um momento de excecional importância na educação das crianças. Estes investem na formação da personalidade de cada um, pois através da assimilação dos conteúdos dos contos, as crianças aprendem que é possível vencer obstáculos e saírem vitoriosas. Isto acontece porque, durante o desenrolar da ação, a criança se identifica com as personagens e vive o drama que ali é apresentado de uma forma simples, porém causando um certo impacto. Os contos de fadas tratam, de uma forma simples e concreta, os relacionamentos humanos primitivos, e por isso exprimem sentimentos muito arcaicos. Contudo, por serem arcaicos, não deixam de ser atuais, pois baseiam-se em princípios éticos universais.

Estes livros levam-nos a um mundo imaginário, a um mundo onde acreditamos que tudo é possível, onde nos sentimos confortáveis, onde nos é apresentada uma explicação do mundo que nos rodeia, e nos permite criar formas de lidar com isso da melhor maneira. Representa esperança. Esperança de que nenhuma criança deve ser privada.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Catarse

Catarse. Purificação, limpeza, libertação e superação. Tudo isto se relaciona com este conceito, mas como acontece? Essa é a verdadeira pergunta. Como purificamos a nossa alma? Conscientemente, por vezes, invocamos memórias inconscientes que se encontram no nosso interior, com o objectivo de explorarmos certos factos que foram traumatizantes, e através disso, acabamos por libertar algum do ódio ou raiva que guardámos dentro de nós por tanto tempo. Sentimos um certo alívio, pois aceitámos as nossas emoções contidas, reprimidas.
Podemos também dizer que através da identificação nos purificamos. Por exemplo, quando estamos a assistir a uma peça ou a um filme, envolvemo-nos com o drama, com as personagens, o que faz com que sintamos as mesmas emoções que estas, como medo, compaixão, raiva, sem na verdade, vivermos a situação. Identificamo-nos com a personagem, compartilhamos sensações e desta forma, purificamo-nos. Temos o exemplo de "Romeu e Julieta" de Shakespeare. Quando lemos a peça e nos deparamos com a situação de ambos; eram filhos de pessoas muito importantes da cidade e acabam mortos pelo seu colossal amor, nós escolhemos, conscientemente, sentir o mesmo que os protagonistas, e torcemos por um final feliz, tal como as personagens, ao mesmo tempo que sentimos todo o ódio, a raiva, etc.
Reflectindo sobre o assunto, para atingir a catarse, a pessoa tem de passar do estado de "Felicidade" para o da "Infelicidade". Contudo, se a pessoa não estiver disposta a aceitar a sua situação, será impossível experienciar catarse. Tal como é necessário que surja uma situação que se identifique com a realidade dessa pessoa. A catarse é algo que nos torna mais conscientes de nós próprios, que nos leva a conhecer o nosso eu mais íntimo, pois acedemos a memórias, a informações, que geralmente pomos de parte e não nos damos ao trabalho de pensar. Quando isto acontece, temos acesso ao nosso eu de agora, ao mesmo tempo que partimos em direcção a outros momentos que fazem parte do nosso mundo interior; lugares, pessoas que, outrora, foram o nosso presente, mas que de alguma forma, no presente, fazem sentido para o nosso inconsciente conhecer e processar. Nestes outros tempos, encontramos outros “eus” com os quais nos identificamos, sentimos como sendo nossos, vivemos dramas cheios de tristezas e ódios, desesperos e abandonos, vinganças e medos, bloqueios e dor, sombras, e também histórias de amor, perdão, sabedoria e esperança. O retrato que “observamos” nesse momento, pode ser o bebe, a criança, o adolescente, ou o adulto que fomos, ou mesmo alguém que não tem nada a ver connosco, mas que nos familiarizamos, pois conhecemos alguém que se identifica com esse problema, e que nos é querido, logo essa história tem ressonância em nós.
Podemos assim concluir que a catarse é invocada pela tragédia, onde inicialmente se experienciava este fenómeno, mas que actualmente, podemos também sentir noutros estilos literários.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

"Terna é a Noite"


“Terna é a Noite” de Scott Fitzgerald. A obra foi escrita em 1934 e contem influências biográficas. A acção decorre fulcralmente na Riviera Francesa, numa época de cepticismo e valorização exacerbada dos prazeres materiais, e narra a história de um delicado relacionamento que se estabelece entre um médico (Dick) e paciente (Nicole), quando estes se tornam um casal. Nicole encontra-se no apogeu da sua beleza e constitui uma das famílias mais ricas dos EUA. Possui uma personalidade misteriosa que atrai os que a rodeiam, contudo, as pessoas vão-se apercebendo do seu tratamento inseguro e do raciocínio desorganizado, gerado pela esquizofrenia. A doença agravou quando Nicole era adolescente e foi violada pelo seu pai, o que fez com que esta perdesse a confiança nos elementos do sexo masculino. Esta confiança é reconquistada com a ajuda de Dick. Dick é um jovem e brilhante psiquiatra que se apaixona por Nicole durante o internamento desta. O desgaste acumulado pelo seu trabalho e pela doença da mulher, acabam por afectar o seu equilíbrio psíquico e vai de certa forma ajudá-lo a precipitar-se na dependência do álcool, que usa como anestésico emocional. O casamento destes tem algumas turbulências, causadas principalmente pelas paixonetas de Dick, que por vezes se tornam num caso, como por exemplo, com Rosemary.
Fitzgerald é considerado um dos maiores escritores americanos do século XX, tendo vivido nos Loucos Anos 20 ou Era do Jazz. Esta obra reflecte claramente o estado de espírito da época, uma época de grande prosperidade e liberdade, animada pelo som do jazz e pelo papel da mulher na sociedade. É nesta altura que a mulher começa a ganhar mais liberdade; “Todas se sentiam felizes num mundo de homens. Preservavam a sua individualidade através deles e não por oposição a eles”. Ou seja, nos anos 20, o enquadramento tradicional que era atribuído à mulher era o de esposa e cortesã, sem haver lugar para uma alternativa. Todavia, estas aceitavam isto sem qualquer objecção, o que já não podemos verificar hoje. Actualmente, existe uma certa competitividade entre o sexo masculino e feminino e não é de todo uma ideia concebível para a mulher nesta época. Aceita-se esta dependência dos homens, por prazer, sem asas a qualquer contestado. Durante a obra podemos verificar isto em personagens como Nicole Diver e Mary North. Contudo, há uma personagem que foge a este padrão; Rosemary. Esta, segue o seu caminho autonomamente, sendo projectada pelo estrelato. Foi educada para trabalhar e não para casar e a sua mãe, sua agente, influencia-a e manipula-a de modo a obter tudo o que quer. Rosemary foi assim educada para o trabalho e não para casar. Apesar desta educação, é muito romântica, ingénua e ilógica. Podemos confirmar isto, quando esta se apaixona por Dick, e em vez de pensar por si, recorre à sua mãe e pergunta-lhe o que fazer, pede a aprovação da mãe. E por não saber o que é o amor, pois nunca antes se tinha sentido assim, compara o seu amor pela mãe, pelo amor que tem por Dick e caracteriza-os como iguais.
Para ser sincera, tudo na obra me agradou, desde as mais exuberantes festas às situações mais caricatas, contudo o excerto que mais me marcou foi durante o diálogo do pai de Nicole e o médico desta, quando esta vai ser internada. Marcou-me pelo facto de me identificar com o que subjectivamente retirei daí. Esse pequeno excerto traduz a nossa sociedade. Vou passar a explicar. Ao longo do diálogo podemos aperceber-nos da verdadeira personalidade do pai da jovem; ser vaidoso e egocêntrico, excessivamente preocupado com a imagem e o estatuto. Nas falas de ambos, reparamos em falhas, contradições e mentiras, que constroem a máscara que este usa, e que ao fim ao cabo caracteriza a sociedade, não só naquela época, mas também actualmente. Se pensarmos bem, chegamos à conclusão de que as pessoas se escondem constantemente atrás de uma máscara, de modo a ocultar as suas fraquezas. Fazem isto, pelo medo excessivo de serem rejeitadas e tornam-se naquilo que é agradável aos olhos dos outros e não no que verdadeiramente são. Na minha opinião, isto sucede pois as pessoas necessitam de ser compreendidas. E por detrás do que geralmente aparentam, bem-estar, está um mundo de falsidades e ilusões. As pessoas vão-se adaptando às situações que encontram à sua frente. Todavia, eu penso que isto faz parte da natureza humana. Claro que existem pessoas que se mascaram de uma falsidade colossal, contudo, outras apenas o fazem, pois faz parte dos papéis que temos de desempenhar ao longo da nossa vida e agimos de forma diferente, pois a sociedade assim o exige, exige comportamentos diferentes do normal. Temos de nos moldar ao espaço em que vivemos e essa é a verdade, é preto no branco.
Concluindo, posso apenas acrescentar que é um livro que vale a pena ler, não só pelo contexto histórico, que por si só é algo de extraordinário, mas também pelo facto de Fitzgerald ser um autor de referência e por o livro tratar de assuntos que dão que pensar, de uma maneira muito subtil, misturando relações amorosas, as suas turbulências e a caracterização da sociedade. Queria apenas partilhar um excerto do texto, sem quaisquer explicações. Na apresentação foi um dos tópicos de que falei, mas a turma não esteve presente, por isso, vou deixar-vos tirar as vossas próprias conclusões e reflectirem sobre o assunto. “O seu amor por Nicole e Rosemary, a sua amizade por Abe North, por Tommy Barban, no universo despedaçado do fim da guerra – parecia que de tal maneira estas pessoas se haviam agarrado a ele que ele se havia transformado nelas próprias -, davam-lhe a sensação de que deveria apoderar-se de tudo ou de nada. Era como se estivesse condenado até ao fim da vida a carregar consigo o ego de certos seres, que em tempos conhecera e amaram, e a só ser completo na medida em que eles próprios o fossem. Havia em tudo isto um toque de solidão – era tão fácil ser amado e tão difícil amar.”

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Impressão de Viagem

Uma viagem. O deslocamento de alguém, de um lugar para outro Uma viagem pode mudar um ponto de vista, e o tempo em que isso acontece é relativo e insignificante. Comummente, pensamos apenas no tipo de viagem físico e concreto, porém muitas vezes, damos por nós a fazer um deslocamento espiritual e subjectivo.
Na vida, todos fazemos jornadas que nos mudam. Contudo, nada nos muda sem antes nos desorientar. Desorienta-nos porque aquilo com que estamos habituados a lidar, aquilo que corresponde à nossa realidade, passa de um momento para outro, para algo que talvez já não faz sentido na nossa cabeça e leva-nos a fugir ou a afastarmo-nos. Nem tudo é branco ou preto, nem tudo permanece igual e essa é a verdade. Todavia, por vezes voltamos ou temos a ânsia de regressar ao lugar inicial, ao sítio de onde partimos, ao nosso passado, ao que outrora nos fora tão próximo, uma veracidade. Isto acontece, pois somos humanos, sensíveis. Essa sensibilidade leva-nos a sentir a saudade. Todos contemos dentro de nós lembranças nostálgicas, acompanhadas de um desejo de voltar. E porque será que isto acontece? Porque esse algo nos proporcionava um certo bem-estar, um contentamento, que nos fazia ter uma percepção da vida diferente. As memórias não serão como os quadros? Existe algo tão grandioso, como um quadro original que podemos observar quando vamos a um museu, mas quando saímos de lá, não passa de uma memória, e a imagem que outrora fora grandiosa, agora é representada apenas por um pequeno quadrado na nossa cabeça.
Supostamente, o passado indesejado deveria permanecer no pretérito, pois é algo cristalizado, longínquo e isolado, que escolhemos manter assim, devido à pouca vontade de recorrer a certos momentos. Contudo, nada nos impede, nada nos trava de voltarmos lá, de nos lembrarmos. E somos como que obrigados a descer às fundações, que sustentam aquilo que nos faz, e apercebemo-nos que cada pessoa, cada lugar com que nos cruzamos é aquilo que verdadeiramente nos define. Porém, ao fazermos isto, lembramo-nos daquilo que nos fez seguir em frente, que nos fez querer esquecer o passado, e esse pesadelo que quisemos abandonar, volta. E ao fazermos uma introspecção, apercebemo-nos de que se encontra agora nítido na nossa mente o medo, a dor e o terror causados por esse tempo passado, mas que antigamente, era o que nos trazia esperança, o que nos fazia feliz. Regressamos assim a um sítio, onde já não nos reconhecemos pois tínhamos um destino diferente.
Ao termos noção da realidade, concluímos que o reflexo que vemos no espelho, comparado com o passado, mudou, de uma forma positiva. E são estas pequenas viagens, as impressões com que ficamos delas, que nos fazem acreditar que de facto a vida continua e prossegue apesar de tudo, que somos capazes de ultrapassar as coisas, e o que nos magoa é que nos faz crescer mais. Sim, viagens ao passado são perigosas, mas não é a fugir da vida que chegamos a algum lado, que alcançamos o que queremos ou que resolvemos as coisas. Temos de acreditar no possível e no impossível, porque é possível renovar a realidade das memórias.
No final, tudo acaba por se tornar numa lembrança, umas são melhores que outras, mas está nas nossas mãos alterar cada destino da nossa vida, cada desafio que se põe diante de nós, porque tudo é assim. Numa simples viagem de carro, um pneu pode ficar furado, podemos ficar sem gasolina, …mas isso não nos impede de continuar, encontramos soluções para cada problema. E a vida é mesmo assim, não é um ciclo, mas sim uma viagem contínua. As coisas mudam, é assim que a vida funciona. Mas temos de mudar com elas, não nos podemos agarrar ao passado porque viver é algo do presente, não é uma coisa do futuro e muito menos, do passado. 

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

O Lado Moral da Morte

A questão que pretendo debater é o tema da justiça, mais detalhadamente, os dilemas morais que enfrentamos por vezes na nossa vida.
Actualmente, a justiça é um tema constantemente comentado. O que será justo? E visto não haver nenhum sistema de justiça perfeito, a pergunta mantém-se e não desaparece. Será que sabemos com exactidão o que manifesta o termo justiça? Este termo provém do latim “justitia” e de forma muito simplificada, diz respeito à igualdade de todos os cidadãos. A justiça defende os direitos do Homem, através de Leis, da sua aplicação em casos específicos. Justo é portanto, aquilo que é equitativo, adequado e legítimo.
Que diriam se vos perguntasse o que vale mais entre a vida de uma pessoa e a vida de cinco? A vossa escolha, seria possivelmente, como a minha, a vida das cinco pessoas. No entanto, se tivessem de sacrificar a vida de esta pessoa, pela vida das cinco, faziam-no? Este assunto está relacionado com os princípios morais de cada pessoa. Os nossos princípios morais, reflectem-se nas nossas escolhas, nas nossas acções. Consoante as mais diversas situações, tendo conhecimento de todos os factos relevantes, iremos tomar decisões diferentes, que revelarão os princípios de conduta em que realmente acreditamos, aquilo por que nos regemos. É por este motivo, que as acções são as reveladoras dos princípios morais, ou seja, a sua função é orientar a nossa conduta. No entanto, perante as situações, devemos agir consoante diferentes princípios. Vou dar-vos alguns exemplos, nos quais irão compreender melhor o que vos digo.
Exemplo 1.
Imaginem que são um camionista, que está a conduzir o seu camião. Na estrada, exactamente à vossa frente, a alguns metros de distância, estão cinco trabalhadores. De repente, apercebem-se que os travões não funcionam, o que implica que os cinco trabalhadores irão morrer. Mas ao olhar para a faixa do lado, deparam-se com um trabalhador, e visto que ainda podem virar, debatem-se com a seguinte situação; podem matar uma pessoa e poupar a vida de cinco, qual será a coisa acertada a fazer?
A maioria das pessoas escolheria a opção de matar apenas uma pessoa, segundo o argumento de que não é correcto matar cinco pessoas, quando se pode matar apenas uma. Outro argumento, seria por exemplo, depreendendo que duas em quatro pessoas apoiam o genocídio, o mais correcto seria matar as cinco pessoas, de forma a evitar o assassinato deliberado de pessoas por motivos étnicos, nacionais, raciais, religiosos e políticos.
Exemplo 2.
Imaginem agora que são um médico, que se encontra numa sala de emergência e seis pessoas dirigem-se a vocês: uma está gravemente ferida e as outras ligeiramente feridas, que não implica dispensa de vigilância médica. Têm de escolher entre cuidar do paciente gravemente ferido o dia inteiro, fazendo com que este sobreviva e os outros morram, ou passar o dia a cuidar dos outros cinco, sabendo que o outro irá morrer.
A maioria salvaria os cinco, pela mesma razão que no primeiro caso, matar uma pessoa é justificável, se se puder salvar cinco.
Exemplo 3.
Se no entanto, estivessem numa ponte e observassem um condutor de um camião a ir em direcção a cinco trabalhadores e se apercebessem de que este não conseguia travar, o que vos levaria a sentirem-se inúteis, e ao olhar para o lado vissem uma pessoa obesa ligeiramente inclinada sobre a ponte e sabendo que se lhe derem um pontapé, essa pessoa irá cair, de modo a travar o camião, que fariam? Ao empurrar a pessoa, poupariam a vida de cinco pessoas, no entanto, matariam outra.
A maioria de vocês não empurraria a pessoa obesa. Comparando com o caso apresentado anteriormente, o princípio já não seria o mesmo; já não se justificaria sacrificar uma vida por cinco. Mas porque será isto? Uma das justificações, a que para mim seria a correcta, será que o segundo envolve uma escolha activa, implica que uma pessoa que não tem nada a ver com o assunto, se envolva. Enquanto no primeiro caso, todos estavam envolvidos (trabalhadores e camionista) na situação, quer queiram, quer não, no segundo é o observador que se escolhe envolver. Contudo, se pensarmos bem, o que estava na faixa do lado também não tinha nada a ver com o assunto inicialmente, não escolheu sacrificar-se. Se considerarmos que ambos morrem, o trabalhador da faixa do lado e a pessoa obesa, acabaremos por concluir que no primeiro caso, morreria por causa do camião, morreria porque se tem de fazer uma escolha, quer se queira, quer não e no segundo, o observador, vocês, escolhem matar uma pessoa inocente, tendo a opção de não o fazer. Contudo, se não o fizerem, cinco pessoas irão morrer.
Exemplo 4.
Imaginando agora, que existem cinco pacientes que necessitam urgentemente de um transplante para sobreviver, um de coração, outro de um pulmão, um rim, um fígado e um pâncreas. Não existem dadores compatíveis, estando assim o cirurgião condenado a desistir e a ver os seus pacientes morrer. De repente, ocorre-lhe que no quarto ao lado, está uma pessoa que tinha ido fazer um check-up e neste momento, se encontra a dormir. O médico tem a ideia de matar essa pessoa, retirando os órgãos que fazem falta aos outros cinco, de modo a salvá-los.
Provavelmente, ninguém o faria.
Estes quatro exemplos estão relacionados com os princípios morais. O primeiro e o segundo exemplo apresentados anteriormente, remetem-nos para a ideia de que sacrificar uma vida por cinco, é a coisa correcta a fazer. E porque será isto? Os nossos princípios morais encaminham-nos nestes casos para a via mais fácil; a forma como agimos depende das consequências que resultam da nossa acção. Ao fim do dia, o melhor é sobreviverem cinco pessoas, mesmo que uma pessoa tenha de se sacrificar por estas. Este é um exemplo de um raciocínio moral consequencialista, ou seja, a moral depende da consequência do acto. Nos exemplos restantes, terceiro e quarto, o princípio moral afirma que as razões deste acto têm a ver com a intrínseca qualidade do acto em si, o que faz com que comecemos a hesitar nas nossas decisões, a mostrar-nos relutantes, pensando que é meramente errado, categoricamente errado matar uma pessoa inocente, mesmo preservando a vida de cinco pessoas. Isto leva-nos para um segundo princípio moral, um princípio categórico, ou seja, a moral encontra conforto em certos direitos e deveres, independentemente das consequências. Será algum destes princípios justo? Estão ambos relacionados com a vida humana. O que é para vocês a vida humana? Não se trata de uma questão simples. Eu diria que a vida humana tem a ver com a nossa relação com a natureza, é algo único e irreplicável, que exige respeito absoluto, ou seja, não deve ser tratada como um meio, mas como um fim.
Voltando aos casos acima apresentados; muitos de nós diríamos que o primeiro e o segundo caso fazem mais sentido, pois, segundo o utilitarismo, o correcto será preferir a “felicidade” ao sofrimento. Sendo assim, se só uma pessoa morresse, estaríamos a contribuir para um bem maior. No entanto, no terceiro e quarto caso, já nos referimos a vidas inocentes, não relacionadas com o assunto inicialmente. Todavia, estaremos sempre a matar alguém. Será alguma vez justo atribuir um valor limitado à vida humana? Nada nos dá o direito de acharmos que a vida de uma pessoa é inferior à vida de cinco, no entanto, dizer que uma vida é superior a cinco não faz sentido, daí o conceito de justiça ser tão complicado. Depreendo que todos concordam quando afirmo que nada pode igualar a vida humana; é algo único, incomparável e insubstituível. Pode-se dizer que todos temos um valor, um valor intrínseco, que demonstra a nossa integridade e responsabilidade, consoante a natureza na qual fomos criados. Se a vida humana não tivesse valor, não faríamos a diferença, podíamos ser substituídos. Felizmente, não é isso que sucede, todos temos um valor, um valor que nos define, que nos proporciona a capacidade de sermos únicos. É por este motivo, que quando morremos, quando qualquer pessoa morre, quer nos diga alguma coisa, quer viva no outro lado do mundo, fará sempre uma diferença na vida de alguém. E nunca sabemos quando essa vida poderá ser a nossa, ou a de alguém próximo de nós. Logo, pensem, se tivessem de fazer alguma das escolhas acima, o que fariam? De qualquer das formas, estariam a matar alguém e que muito provavelmente tem entes queridos. Claro que não poderiam evitar nenhuma destas mortes, mas isso marcaria uma diferença na vossa vida não? Digamos que se trata de uma questão moral, neste caso o lado moral da morte.

terça-feira, 3 de maio de 2011

A ideia de justiça nas "Aventuras de Alíce no País das Maravilhas"

Como sabemos, a obra “As Aventuras de Alice no País das Maravilhas” foi escrita por Lewis Caroll em 1976. Ao ler o livro, apercebemo-nos que a lógica das coisas é questionada. O livro transporta-nos para um lugar fantástico povoado por seres excepcionais que possuem características inimagináveis, o que nos leva a crer que o extraordinário é algo de normal neste lugar.
Na obra ouvimos muitas vezes falar em conceitos que para nós não são aquilo que consideramos a realidade. No entanto, não há nada a fazer, pois é a nossa realidade e não a das personagens que vivem neste mundo à parte. A nossa realidade, literalmente, é aquilo que existe fora da nossa mente, podendo ser perceptível ou não, acessível, …ou seja, nós não temos de compreender totalmente, tudo o que é aplicado no País das Maravilhas, apenas temos que perceber que o não ser igual ao nosso, não significa que seja inexistente. Talvez seja isso, o que faz deste assunto, um tema tão interessante e o que nos leva a entender que nem todos temos a mesma noção das coisas e que podemos defender os nossos pontos de vista e ter diferentes visões daquilo com que nos vamos deparamos ao longo da vida.
Um dos conceitos de que ouvimos mais falar nesta obra é a justiça. Não podemos dizer que a justiça nesta obra não existe, porque a verdade é que existe. O conceito de justiça natural para aquele mundo é aplicado, é algo fixo e existem leis e costumes. Todavia, são diferentes das que nós, enquanto seres humanos, consideramos correctas, o que remete para a ideia de que esse conceito neste país de fantasia é um completo absurdo. Mas na minha opinião, acho que não temos o direito de pôr em causa a forma como o termo justiça é aplicado no País das Maravilhas, porque nem todos nos regemos pelos mesmos princípios e é isso que nos faz diferentes e nos faz crescer, o facto de termos diferenças em relação aos outros e de nos interessarmos por isso.
Por vezes, existem certas flutuações, ou seja, acontece algo que nos põe numa situação menos agradável e que nos leva a repensar no nosso conceito de justiça. O que se pretende da justiça, não é acomodar a igualdade entre desiguais, não é aceitar que se nivele o excelente pelo bom ou o bom pelo medíocre, mas sim procurar aceitar a desigualdade natural das coisas e das pessoas. Aquilo que a nossa sociedade, pretende enquanto justiça, posto da maneira mais simples possível, está relacionado com a igualdade de todos os cidadãos. É algo essencial para a nossa conduta moral que exige uma certa integridade, pois se não agíssemos deste modo o mundo seria uma verdadeira Babilónia. A justiça é a base da nossa sociedade, não podemos viver e actuar sem esta, pois o nosso quotidiano gira à volta daquilo que consideramos o certo e o errado. Enquanto a nossa ética está mais relacionada com o que é bom por natureza, a do País das Maravilhas tem a ver com o que é bom por convenção. É por isso que nos apercebemos que o que as personagens do livro consideram como justiça é algo de diferente. É um conceito que tem como suporte o egoísmo, pois durante toda a obra a arbitrariedade domina. O termo de justiça é utilizado como algo extremamente fútil, superficial e vago, pois qualquer pessoa, desde que seja superior, consoante o que lhe convier, pode tomar decisões e posições totalmente imparciais. Neste caso, a forma deixa de ser importante, pois as decisões são continuamente tomadas por alguém prepotente que só se preocupa com o fim a alcançar sem consultar outras mentalidades.
Algo com que nos deparamos na obra é também o facto de a justiça ter sempre o “papel” de condenar e nunca de tentar perdoar. O conceito convencional de justiça é aquilo que as leis e os costumes de uma cidade consideram como favoráveis para o bem-estar da comunidade e neste país, o bem-estar desta é apenas para alguns. É para os mais fortes, para os que têm o poder. Ao longo de “As Aventuras de Alice no País das Maravilhas”, as leis e os acontecimentos vão sendo criados ou manipulados de uma forma tão destituída de racionalidade que o inesperado deixa de o ser.
                No livro existem duas partes relacionadas com a justiça que se destacam. Uma delas no capitulo 3 “A Corrida Presidencial e uma História Comprida”, e nos capítulos 11 “Quem roubou as tortas?” e 12 “O depoimento de Alice”.
No 3º Capitulo, onde o Rato conta a sua história a Alice, concluímos que o Gato só se interessa por condenar e castigar o Rato, de modo a poder comê-lo. O facto de não haver juízes, nem jurados não impede que não haja um julgamento, pois o Gato, por ser o mais forte em termos de hierarquia, assume-se a ele próprio como juiz e jurado (o que na vida real é inconcebível). Podemos concluir que neste capítulo que, a única coisa que realmente interessa é o castigo da pessoa a ser condenada e nada mais. Encontra-se também presente, neste capítulo, a lei do mais forte, ou seja, quando se fala em cadeia alimentar, a hierarquia do mundo, faz com que os mais fortes usem o seu poder para dominar os mais fracos.
No 11º e 12º capítulo, decorre o julgamento do Valete em que o Rei e a Rainha de Copas o acusam de ter comido as tartes da Rainha. Alice é uma das muitas “criaturas” que presta um depoimento. Enquanto está sentada, começa a crescer e a aumentar significativamente de tamanho, o que é de certa forma, uma maneira de esta se sentir mais confiante, o que lhe dá uma sensação de poder. Esta sensação faz com que Alice diga tudo aquilo que pensa sem qualquer receio, quando até então tinha permanecido calada. Este acto, apesar de justo não é o mais correcto, pois assim que Alice tem uma certa soberania utiliza-a de forma desrespeitosa para os outros e utiliza quase que uma espécie de Lei do mais forte, pois ao ser maior, é a mais “forte” e diz tudo o que quer e tenta instituir o seu ponto de vista, tentando assustar os outros. Ou seja, o grande (Alice) exerce poder sobre o pequeno (Rei).
Podemos assim concluir que, apesar de a nossa justiça não ser uma necessidade no mundo fantástico, isso não significa que esta não exista lá alguma diferente da nossa, ou seja, as leis da natureza do País das Maravilhas permanecem no seu sistema, mas não de forma inigualável. São estas leis que regem esta sociedade e que a fazem funcionar. Podem não reflectir o bem-estar de todos, mas sem estas a vida não seria o mesmo, pois tal como para nós a justiça é uma base, para esta comunidade repleta de fantasia, aquela também o é, apenas aplicada de modo diferente. Tal como se aplica na nossa sociedade, estas leis base não se podem mudar, pois vamos sempre achar que é justo para uns e injusto para outros.
À medida que se lê o livro, a palavra justiça vai ganhando diferentes significados, que têm como objectivo favorecer as personagens consoante lhes convier, mas tal como já referi, tudo isto gira à volta daquilo que é considerado como base no País das Maravilhas.
Ao longo da vida, vão sempre acontecer coisas que não nos agradam, pois tudo tem um lado injusto, mesmo que não o queiramos ver. O injusto pode nem sempre ser para nós, mas também para os outros, facto que às vezes nos esquecemos. A verdadeira justiça está relacionada com o nosso bem-estar e com o dos outros e não com o que nos faz sentir bem só a nós.
Se formos a pensar, o que é totalmente justo no mundo?

domingo, 16 de janeiro de 2011

"Esparsa Sua ao Desconcerto do Mundo"

Neste poema, “Esparsa Sua ao Desconcerto do Mundo”, podemos dizer que se confrontam dois temas: a maldade e a bondade; e a sorte e o azar.
A maldade e a bondade são duas coisas completamente opostas, pois maldade é aquilo que define alguém que tem tendência a praticar o mal, alguém cruel e ruim. Enquanto bondade, é uma qualidade daquele que pratica o bem, que apresenta brandura e benevolência.
O poeta passa a ideia de que as pessoas boas não conseguem ser felizes, devido ao desconcerto em que o mundo se encontra. Estas pessoas, sofrem os azares do mundo, enquanto se esforçam ao máximo para fazer sempre aquilo que se considera correcto. E quando por acaso, uma destas pessoas pratica o mal, geralmente é castigada, pois foge dos seus padrões. Ao tentar fazer sempre o mais acertado, a pessoa não aproveita. No entanto, as pessoas más, vivem sempre contentes e geralmente têm sorte, pois adaptam-se aquilo que consideram a realidade, a sua realidade. Nadando assim em felicidade. Praticam sempre o mal e não correm o risco de sem querer, vir a praticar o bem e ser castigados por isso.
O que o poeta quer para o mundo, é o contrário disto. O poeta deseja que os bons tenham sucesso na sua vida e que aos maus aconteça o oposto, que tenham azar. Mas as coisas nem sempre são como nós queremos.
Nos últimos 5 versos, o poeta fala de como foi castigado por praticar o mal. Eu acho que o que o poeta tenta fazer é mostrar o seu lado mais negro, sendo no entanto uma pessoa de bem. Por esse motivo, a sua tentativa de tentar ver o mundo de outro modo, leva-nos a perceber que a maldade em si (no poeta) não existe.
Podemos portanto concluir que a justiça é cega. É cega pois não quer ver aquilo que se encontra exactamente à sua frente. Muitas vezes, aqueles que praticam um pequeno delito são logo “crucificados”, enquanto aqueles que cometem grandes delitos, levam apenas uma pequena repreensão. Por esse motivo, o poeta dá a entender que as pessoas boas não se conseguem livrar de tristezas.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Greve

O que é? É a paralisação voluntária e colectiva do trabalho, realizada pelos trabalhadores.
Porquê fazer? Ou por que não fazer? Quais as vantagens? Quais os inconvenientes e as consequências? As greves têm um objectivo de luta. De lutar contra aquilo com que os grevistas estão descontentes. Assim, o objectivo, em geral, é a reivindicação do aumento de salários e de melhores condições de trabalho.
Tanto no caso de greve de funcionários públicos, como nas greves da Carris, do Metro ou da CP, por vezes, as pessoas que saem prejudicadas são os cidadãos que não têm culpa da situação que leva à greve. E não deveria ser assim, pois a greve tem como objectivo atingir os governantes. Nem toda a gente fica feliz com a situação que se coloca perante uma greve, antes pelo contrário. As pessoas tendem a ficar indignadas por terem que faltar ao trabalho, por não terem onde deixar os filhos, … Podemos dizer, que as greves nem sempre são fáceis de entender. É sempre necessário saber defender as nossas ideias, aquilo em que acreditamos, e mais importante, é necessário respeitar qualquer decisão que as pessoas tomem. Há diversas formas de protesto, que podem ter mais impacto e menos prejuízos, como: manifestações ou também, por exemplo, não cobrar bilhete aos utilizadores dos transportes públicos.
O direito à greve. Este direito é individual, embora seja necessariamente colectivo. Nenhum trabalhador pode ser obrigado a aderir à greve ou impedido de aderir a esta pelo seu sindicato, pois, a greve é um acto individual e livre. A decisão do trabalhador de aderir, ou não, deve ser previamente reflectida, decidida e declarada a nível colectivo, sendo que não há nenhuma restrição face ao sector que pode fazer greve. É por esse motivo que, a greve deve ser antecipadamente avisada por quem a organiza. Tendo sido a greve correctamente declarada, são várias as consequências que provêm desta, como é o caso do salário, que pode ser reduzido. Numa greve é essencial que exista um pré-aviso, cujos termos estão definidos legalmente e que devem abranger todos os sectores de actividade.
Pode-se portanto concluir que a greve é um direito dos trabalhadores, legalmente previsto pela Lei da Greve, Lei nº65/77 de 26 de Agosto e que, de acordo com o Art.1 dessa mesma lei, é um direito irrenunciável nos termos da Constituição.