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sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

O conceito de ironia trágica

O conceito de ironia trágica pressupõe a convicção de que sem ironia não há tragédia.
A ironia trágica é o que permite diferenciar a ideia de destino propriamente trágico da ideia de destino presente nos mitos que a tragédia toma como matéria-prima.
A ironia da acção trágica, no entanto, pressupõe uma ironia diante da acção trágica, ou seja, um distanciamento irónico-reflexivo por parte daqueles que a conformam – o poeta trágico e o espectador da tragédia. Se, sob a perspectiva do herói, não é possível apreender que todas as suas acções o conduzem justamente na direcção contrária a que pretendia ir e ao mesmo tempo se admite que nessa inversão de sentido, típica da ironia pensada como tropo da retórica, é que repousa a tragicidade da acção trágica, então é forçoso concluir que a ironia da acção trágica só se torna visível a partir da ironia do autor, ou, conforme o caso, do espectador da tragédia. Isso, aliás, é o que Aristóteles indica na Poética quando afirma que sem Reconhecimento não há tragédia. Só apreende a tragicidade de sua situação quando se torna um espectador de si mesmo.
Supondo que a linguagem da tragédia é constituidamente irónica, na medida em que são as ambiguidades presentes nos discursos dos personagens trágicos que permitem a ironia da acção trágica.
A partir dessa distinção, fica claro que só é possível falar numa tragédia da linguagem se compreendemos a ironia da linguagem trágica como uma ironia instável, ou seja, um tipo de ironia que não permite uma estabilização definitiva do sentido de um dizer e, assim, condena aquele que fala ou escreve a manter-se sem controlo à priori do sentido daquilo que diz.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Sonho de Uma Noite de Verão

 Sonho de Uma Noite de Verão- Shakespeare        

Excerto:

“TITÂNIA – Peço-lhe gentil mortal, canta novamente. Tanto
meus ouvidos estão apaixonados por sua voz, quanto meus
olhos cativos pela tua forma, e a força do teu brilhante mérito
me obriga a dizer-te, a jurar-te que te amo.

NOVELO – Creio, senhora, que tendes bem pouco motivo
para isso. Porém, para dizer a verdade, nos tempos em que
vivemos, a razão e o amor raras vezes estão juntos.”          

Como podemos observar, este excerto demonstra-nos que esta história aborda muito o tema do amor no mundo dos sonhos. Esta história situa-se numa floresta próxima de Atenas.
Este exemplo é a paixão de Titânia, a rainha das fadas, por Novelo, um artesão ignorante com uma cabeça de burro. Este amor existia devido a uma poção mágica de Oberon, marido de Titânia, que desejava vingar-se da mulher.
Hoje em dia não observamos muito o facto de uma pessoa de classe alta se apaixonar por uma pessoa de classe inferior. Não é que não seja possível, mas infelizmente as pessoas ligam muito à aparência e não se limitam a apaixonarem-se pelo que a pessoa realmente é. Preocupam-se mais com o que mostram as pessoas e não ao que realmente sentem.
No excerto deparamo-nos com esta situação, pois Titânia está apaixonada por Novelo, mas apenas devido a uma poção mágica, e se isso não acontecesse, se calhar Titânia não se apaixonaria por Novelo.
O livro tem uma dimensão muito fantasiosa que apela o sonho, por vezes o sonho do amor não é real, por vezes a imagem nublada de alguém. O sonho muda a vida de todos e aqui o amor de Titânia e Novelo é afectado por essa dimensão.
Gostei muito de ler este livro pois leva-nos mais ao mundo da fantasia, deixando o mundo real que hoje em dia não e muito bom para a maioria das pessoas. Acho que é sempre bom fugirmos da realidade e imaginarmos tudo como nós queremos, sentirmo-nos no mundo em que queremos e não no que realmente pertencemos.
Esta história ajuda-nos a ter a noção de certas coisas e ao mesmo tempo abre-nos a imaginação para muitas outras coisas.
Shakespeare tem livros muito interessantes, que cativam a atenção dos leitores através das suas histórias cativantes e divertidas como esta.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

A ideia da justiça “Alice no pais das maravilhas”


 A ideia da justiça “Alice no pais das maravilhas”
 A obra de Alice no pais das maravilhas foi escrita por Lewis Caroll
O País das Maravilhas aonde Alice vive um sonho, num mundo marcado pelas incertezas e pela falta de razão. O País das Maravilhas, é como o nosso, também é dividido em classes. Há animais e outros seres que representam a diferentes classes.
Pelo que percebi da obra, possibilita comunicação entre a multiplicidade de interpretações e compatíveis do País das Maravilhas como um mundo particular e especial da criança em desenvolvimento, que se vê ingressando na agitada adolescência. As súbitas diminuições e aumentos do tamanho de Alice representam a instabilidade emocional própria da adolescente, além da dificuldade deste se situar no novo estágio psicológico. São perceptíveis os problemas psicológicos de identidade e questionamentos existenciais pelos quais Alice passa, tentando apreender e assimilar o novo mundo que se descobre. Afinal, a entrada na adolescência vem acompanhada da compreensão ou de coisas desinteressantes para a infância, além de uma visão mais racional e madura acerca da confusa e aparentemente incoerente realidade. Há também vários momentos de Alice em que ela questiona-se e questiona os outros sobre vários pontos, principalmente de quem ela realmente é.
O ponto que eu vou referir na minha reflexão é a ideia de justiça, foi o tema que mais me suscitou interesse.
A ideia de justiça na minha opinião centra-se mais no terceiro capítulo neste poema:

Disse a Fúria
..ao rato, que
....encontrou no
......quintal: Vamos
........ao tribunal para
..........te condenar por
............injúria capital.
..........Não podes
........negar, temos
.....de te julgar
....porque a manhã
..é bela, e tenho
muito vagar.
..Disse o rato
....pr'á cadela:
......Nenhum auto
........resultaria
..........de tanta
............balela;
..............sem jurado
............nem juiz,
..........de nada te
........serviria.
......Serei juiz
....e jurada,
..disse a
Fúria en-
..diabrada,
....pois era
......ideia dela
........comê-lo
..........de cabi-
........dela ou
......senão
....cal-
..deira-
da.

Este poema retrata o motivo pelo qual o rato não gosta de cães nem de gatos.
Fúria encontra o rato no quintal e diz-lhe que o tem de levar a tribunal, com a acusação de injúria capital, o Rato não concorda pois sem juízes e jurados seria a azáfama total e não haveria justiça.
A justiça que esta presente nesta passagem do texto, é muito escassa, tem muitas imparcialidades. Pois não há justiça num tribunal quando o juiz era um dos “arguidos” decidindo a seu favor, e comeria o rato com cabidela ou senão de caldeirada, sendo bastante injusto para o rato a atitude de Fúria. Esta era a ideia de justiça para Fúria, mas como é óbvio não era a ideia de justiça para o rato. A ideia de justiça muda sempre de pessoa para pessoa, pois cada pessoa tem a sua ideia mediante a sua conveniência.
O “Pais das maravilhas” na era um pais de justiça em relação ao mundo real, pois no mundo real a justiça é igual para todos, as leis são iguais para todos. Mas todos nos pensamos sempre que o mundo é feito de imensas injustiças.
Mas na minha opinião pouca coisa é justa, pois sendo o nos mundo real mais justo que o pais das maravilhas, não chega a ser justo para todos nós.
Uma ideia de justiça, é uma ideia vaga, não da para agradar todos, somos todos diferentes, o que agrada uns não agrada outros, ou seja, justo para alguns, injusto para outros.
Por exemplo a minha ideia de justiça é o que traz de algum modo a igualdade para todos, as coisas não serem feitas a pensar numa ou duas pessoas mas sim em todas.
Podemos concluir então que o conceito de justiça e relativo pois pode variar de pessoa para pessoa consoante a situação como podem verificar neste conto de Alice no País das Maravilhas, onde algumas coisas injustas na realidade são justas no conto.