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domingo, 30 de setembro de 2012

Será que a democracia, em si mesma, e por si só está garantida pelo acto de votar?



            A democracia é um regime de governo em que o poder de tomar importantes decisões políticas está com os cidadãos, directa ou indirectamente, por meio de representantes eleitos. Esta definição de democracia é partilhada por todos e todos a vemos como uma forma de governo e como uma forma de estar no poder, podendo escolher os nossos representantes.
            A reflexão a propósito deste assunto pode levar-nos por diversos caminhos, exemplo e teorias. Uma autêntica divagação se formos desencadeando e relacionando factos históricos com vivências nossas e de tempos próximos. Como tal opto por uma resposta mais directa a pergunta afirmando que não, a democracia não está garantida apenas com o acto do voto popular. O simples facto de uma nação votar nos seus representantes não significa que depois de eleitos os escolhidos sejam democráticos ou que adoptem as medidas pelas quais o povo votou. A história ajuda bastante a suportar esta teoria. A eleição de ditadores, na Alemanha ou na Itália, a adopção de regimes opressores na Rússia, ou ate mesmo uma democracia fantasiada em Cuba. O povo vota, elege e a sua participação termina aqui, na maioria dos casos. A democracia pura, como a criada na antiga Grécia está em decadência. Noutros casos o voto é apenas um meio de opressores usarem a democracia para chegar ao poder. Depois de o conseguirem, fazem dela o que quiserem, ganhando eleições consecutivas com maiorias estrondosas.
            A democracia nos dias que hoje está comprometida. O povo vota, e elege, no entanto na altura em que não pactua mais com as medidas dos seus representantes, deixa de ter voto na matéria.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Pathos

Definição - é uma palavra grega que significa paixão, excesso, catástrofe, passagem, passividade e sofrimento. O conceito filosófico foi cunhado por Descartes para designar tudo o que se faz ou acontece de novo.
O conceito de pathos foi por nós estudado em filosofia em retórica. E nesse contexto pathos estava associado as características emocionais de um auditório. Termo associado às paixões, sentimentos que eram despertados pelas características vibrantes e sedutoras de um discurso.
A definição de pathos corresponde às emoções despertadas pelas obras trágicas escritas e dramatizadas pelos gregos da antiguidade clássica.
Ao relacionar o conceito Pathos com a leitura de “Rei Lear” de W. Shakespeare é fácil encontrar vestígios do dito termo. A obra começa quando Rei Lear, ao ver-se velho e farto de reinar, decide dividir quando o Rei decide dividir o seu reino pelas 3 filhas. Esta cena é para além do resto que vou falar aquela que decide todo o desenrolar da peça e o fim trágico.
É, como dizia, a cena em que melhor se repara a importância do pathos para quem o usa como arma de sedução. O Rei ao decidir dividir os terrenos pelas 3 filhas, decide também que antes disso elas provem ao pai o amor que sentem por ele, se é que na verdade ele existe.
As 3 filhas interessadas somente nas terras, usam o poder do discurso emotivo conseguindo com isso emocionar o pai ao ponto de ele se deixar levar por aquilo que é dito. Palavras bonitas e sensíveis são usadas numa pequena grande fala onde a filha mais nova e a filha do meio demovem o pai emocionalmente despertando nele um sentimento de afecto para com as filhas.