Alunos do 11ºE da Escola Secundária Quinta do Marquês no ano lectivo de 2010-11
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terça-feira, 16 de outubro de 2012
Relação entre a descrição da Ilha dos Amores e a descrição da Idade do Ouro
Podemos também relacionar as duas descrições pelo facto de ambas serem utópicas ou pelo menos ideais num ponto de vista actual - Todos vivem em paz e harmonia, não há perigos, apenas glória e perfeição para quem a viveu.
Episódio de Leonardo | Valor Simbólico do Casamento
Episódio de Leonardo
Neste episódio dos Lusíadas, que decorre das estrofes 75-84 do Canto IX,
Leonardo, um soldado, é descrito como bem disposto, mas como não sendo
afortunado no que tocava ao amor. Porém, a estrofe 75 indica-nos também que a
sua sorte poderia vir a mudar.
“Leonardo, soldado bem disposto,
Manhoso, cavaleiro e namorado,
A quem amor não dera um só desgosto,
Mas sempre fora dele maltratado,
E tinha já por firme pressuposto
Ser com amores mal afortunado,
Porém não que perdesse a esperança
De ainda poder seu fado ter mudança.”
Numa primeira análise, podemos observar Leonardo como uma típica descrição
de um “eterno apaixonado”. Mesmo que o amor lhe tenha trazido tantas
desventuras, Leonardo continua determinado e perseverante. Neste episódio, Leonardo
persegue a ninfa Efire, e vendo que o seu fado habitual se repetiria, Leonardo
implora a Efire que pare e se renda, tal como as restantes ninfas.
“Todas de correr cansam, Ninfa pura,
Rendendo-se à vontade do inimigo.”
Leonardo ainda apela a Efire, mostrando se verdadeiramente desesperado, e
tenta fazer com que Éfire pense que “a ela não lhe custaria nada e só seria bom
para ele”
“O que tu só farás não me fugindo!”
Efire acaba por ter alguma “pena” do desgraçado, após este ter debitado
toda as suas desventuras amorosas, e acaba por se render.
“Cair se deixa aos pés do vencedor,
Que todo se desfaz em puro amor.”
Este episódio só nos demonstra que mesmo quando algo corre mal, há que ser
perseverante e determinado e continuar a insistir, sem desistir, até ao ponto
em que já não conseguimos mais. Pois mesmo quando é hábito algo correr-nos mal,
existe sempre a esperança de que desta vez possa correr bem.
Valor Simbólico do Casamento
Vivemos num país cristão e católico. É verdade que já o fomos mais, e que
cada vez isto se torna algo secundário, pois grande parte dos jovens de hoje em
dia ou são ateus com fundamentos, ou não ligam de todo a nada, mas ainda existem
alguns que por esta religião se regem.
A verdade é que o casamento – não só em Portugal, como também no mundo – já
não é o que era. Ouvimos histórias dos
nossos avós, que no Antigo Regime se conheceram, se encontravam às escondidas,
e contra tudo e todos lá se casavam e ainda hoje casados continuam. Não quer
dizer que connosco não seja possível, mas na sociedade actual o casamento é
muito mais um contracto do que um sagrado laço contraído entre duas pessoas.
Cada vez mais se dá importância ao casamento pelo registo civil sem uma
cerimónia religiosa – não se pode culpar ninguém, todos sabemos que tais
cerimónias são algo aborrecidas e a parte divertida só começa quando vamos
comer. E como cada vez mais se olha para o casamento como um contracto, cada
vez é mais fácil “rasgá-lo”.
Quase um em cada dois casamentos em Portugal acaba em divórcio – a média
duração deste contracto é de 10-14 anos. Não nos parecendo um número assim tão
mau, esquecemo-nos que segundo os costumes religiosos deste país, o pressuposto
é que o casamento dure até ao fim da vida de uma ou de ambas as partes. Já não
havendo muitas pessoas a casar, cada vez isto piora mais. Numa instituição que
deveria demonstrar a união completa entre duas pessoas, o casamento já começa a
ser demasiado “descartável”.
Não acho que seja necessário o casamento para reforçar os laços de um
casal, no entanto, acho que é mais uma razão para fazer as relações durar. O
meu único pedido aos jovens portugueses seria para olharem para os vossos avós,
se ainda os tiverem, e pensarem que também gostariam de envelhecer com uma
pessoa. Está certo que as novas gerações serão certamente muito diferentes das
dos nossos avós, mas com trabalho arranjar-se-ia uma maneira.
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
17 de Fevereiro de 2011 - Aula
A aula de 17 de Fevereiro teve como tema a suposta inocência das crianças, a existência de uma consciência maléfica nas mesmas e a existência das pessoas, no decorrer de uma conversa sobre o crime que havia decorrido em Beja apenas uns dias antes.
Daqui partimos para tentar perceber os motivos que levaram o perpetrador do crime a fazer tal coisa, e a perceber também de onde esses motivos vinham, se de algumas ideias adquiridas durante a sua vida adulta, se era apenas insanidade pura, se tinha sido a sociedade que tinha imposto tais ideias, ou mesmo se essas ideias vinham desde a infância do sujeito. Destas questões surgiu uma hipótese, trazida ao de cima pelo professor: a hipótese da existência de um génio maléfico. Isto é, o caso de durante a nossa vida, a nossa percepção do que está bem ou mal não se moldar à sociedade. Introduziu-se a ideia de que todas as crianças nascem más, mas graças ao seu crescimento, integração na sociedade, desenvolvimento pessoal, socialização, educação, estas de algum modo dominam o seu “génio maléfico”. Ao dominar esse génio, pelo menos ao controlá-lo, a criança irá deter na sua vida, uma ideia de bem e mal, e apenas em situações extremas ou em que a sua mente seja alterada é que esta vai matar um monte de pessoas com uma catana.
Concordo com esta ideia. É da própria natureza humana desde o princípio dos tempos, matar para sobreviver ou demonstrar superioridade, mas estas ideias pré-históricas desapareceram, por assim dizer, nas regras implícitas da sociedade quando esta se tornou, de facto, uma sociedade civilizada. É por isso que graças à educação que temos, que nos dão e que percebemos do mundo em redor, que todos nós não vivemos numa total anarquia em que se alguém faz algo que não gostamos, pancadaria neles. Mas tem sempre de existir uma linha que divide uma pessoa que não esteve integrada na sociedade, não tendo noções do que se pode ou não fazer, e uma pessoa que não está sã.
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
Conceito de Drama
Drama. Um conceito algo relativo. Um drama, em termos normais, é uma peça de teatro, uma história escrita como um diálogo, com uma ou mais personagens. No entanto, podemos encarar este conceito de outra maneira. Uma visita ao dicionário levou me a isto: "um texto destinado a representação, independentemente de seu carácter de tragédia, de comédia, de farsa, etc”. Muitas vezes dizemos a alguém: “estás a fazer um drama dos diabos!”, ou uma variante dessa expressão, quando queremos dizer a essa pessoa que esta está a exagerar ou a potencializar demasiado uma situação que provavelmente podia ser resolvida facilmente e sem muito esforço. Esta pessoa está portanto, a dramatizar a sua situação, a criar um complexo de vítima, seja para ela mesma ou para outros.
Seria um drama dizermos que muitas destas tarefas que o professor nos propõe são um suplício e que as fazemos completamente à pressa e sem olhar ao que escrevemos e pesquisamos. Na realidade, não o são. Podem ser um pouco entediantes e gastar algum do nosso tempo, mas parecendo que não...têm a sua utilidade.
Portanto, em conclusão, digo que o conceito de drama é algo que varia desde a sua definição literal, à exponencialização de algo mais pequeno. Este existe desde a Grécia Antiga, provando, de certo modo, que desde sempre que a arte e a vida estão intimamente interligadas.
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
A velhice e a doença nas nossas vidas
Escrevo-vos hoje querendo expressar algo que é um pouco deprimente, mas também querendo suscitar um debate saudável, talvez um tema para uma das nossas sempre interessantes aulas de Português. Vamos lá então começar.
Gostava de começar pelo título imposto a este "post". Todos nós, espero eu, temos alguém idoso na nossa vida. Seja um ou dois avôs ou avós, ou uma mãe ou um pai, no caso do nosso querido professor. E chega aquela altura da vida de uma pessoa em que se pode dizer que se é velho. Legalmente acima dos 65, mas um pouco antes já lá se chegou. A visão começa a turvar, por vezes um pouco mais do que o normal, a memória falha. Listas de medicamentos sem fim aparecem, ora para as dores, para o Alzheimer, para um órgão que teima em não funcionar, e por vezes, descontrola-se a bexiga ou os intestinos e lá adicionamos mais um item à nossa lista de compras. Mas as pessoas que destes cuidam? É exactamente o oposto de cuidar de um bebé, apesar de se fazer a mesma coisa. Não é algo que nos dê felicidade, antes pelo contrário. Tem de se mudar fraldas, alimentar alguém, pô-los a dormir, ralhar com eles, tentar ensiná-los; mas o problema não é estes não saberem. É estarem a esquecer o que durante muito tempo souberam.
Desesperar até que estes abram a boca, se estes deitam fora o que lhes demos, e até se estes se lembram de quem somos ou se somos apenas um chato que nos quer enfiar comida pela garganta abaixo, e não nos deixa dormir, que no final de contas, é tudo o que uma pessoa idosa acamada com Alzheimer quer. Como não consegue andar e passa o dia deitada, só quer dormir. Aqueles que ainda têm a sorte de poder andar, menos mal, mas continua a ser no mínimo, desagradável.
"Mãezinha, quero dormir." Foi das frases que mais ouvi durante esta pausa natalícia. Mais deprimente se torna quando esta "mãezinha" já não está entre nós à pelo menos um bom meio século. Mas introduzi esta "fala", pois quero questionar a inocente alma que ler ou ouvir isto, do seguinte modo: será que é mais saudável para um jovem manter uma recordação de alguém saudável, que nos contava histórias e nos fazia vontades, ou uma recordação como acabei de descrever? Será mais saudável termos uma espécie de preparação para o futuro, ou mantermos uma recordação de sanidade, para o bem da memória e do ser?
Concluo agora, desejando um resto de boas férias, e que acordemos todos para um espectacular segundo período. Para o nosso professor, sinta-se à vontade para usar isto onde quiser. Quanto ao resto que lhe chegue a por a vista em cima, identifiquem-se e mantenham sempre na vossa cabeça uma recordação saudável dos vossos entes queridos, porque nunca se sabe quando é que estes já não se vão lembrar de vós. Depois disso, e sem querer desmoralizar nem entristecer ninguém, estejam preparados para o inevitável, porque mais tarde ou mais cedo vai acontecer. É só preciso manter na memória uma recordação de tempos mais áureos. Muito obrigado e boa noite. Já agora, um feliz ano novo. Peço desculpa se comovi alguém, mas era de facto, no fundo deste pequeno texto, a minha intenção. Boa noite, e um sono descansado.
Rui Silva
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
O retrato de Dorian Gray
O retrato de Dorian Gray
Este livro decorre ( sim, porque aqui nada nem ninguem se passa, apenas ocasionalmente ) no século XIX, numa Inglaterra conservadora, com uma sociedade apreciadora de arte, mas em que por trás de um aparente retrato de famílias normais, os homens tinham casos ou acções homosexuais. A acção centra-se na personagem de Dorian Gray, um jovem físicamente perfeito, que tem como amigo um pintor de nome Basil Hallward, que o pinta múltiplas vezes. Toda a vida de Dorian Gray muda quando Lord Henry, um amigo de Basil, lhe incute ideias revolucionárias e lhe arranja um livro de um filósofo francês, salvo erro. Mas Basil faz uma pintura perfeita de Dorian, e este, ao perceber que iria perder a sua juventude e beleza, roga "aos céus", e pede para trocar a sua alma pela juventude eterna, enquanto que o quadro envelheceria. No decorrer da história, Dorian apaixona-se, enlouquece, mergulha numa vida de pecado. O clímax é atingido quando Dorian mata Basil, depois de lhe mostrar a pintura, velha e enrugada por uma vida pecaminosa. Dorian depois tenta acabar o seu sofrimento ao esfaquear a pintura, mas ao fazer isto acaba por morrer, ao lado de uma incólume e jovem pintura. Este agora assume a postura de um velho enrugado, morto e danificado por uma vida de pecado. (até rima)
Uma das perguntas centrais desta obra é nos transmitida por uma das citações iniciais: " Não existem livros imorais, apenas livros mal escritos." Concordo com isto. Este livro pode ser ser considerado imoral, pela maneira como aborda certos temas, mas apenas por quem não sabe reconhecer a maneira como este livro aborda os temas pode chamá-lo imoral. Mas não o é.
Finalmente, a minha ideia conclusiva é que Dorian Gray é como a futura terceira idade. Vemos hoje mulheres e homens a submeterem se a cirurgias. Mas o que é que estas vão fazer com o seu corpo depois de este estar envelhecido e enrugado? Vamos ver aí velhas com grandes prateleiras e velhos sempre excitados. Dorian Gray, já velho, continuava jovem, e isso suscitou-lhe dúvidas e tudo isto junto, leva ao final. À morte confusa de alguém confuso.
Este livro decorre ( sim, porque aqui nada nem ninguem se passa, apenas ocasionalmente ) no século XIX, numa Inglaterra conservadora, com uma sociedade apreciadora de arte, mas em que por trás de um aparente retrato de famílias normais, os homens tinham casos ou acções homosexuais. A acção centra-se na personagem de Dorian Gray, um jovem físicamente perfeito, que tem como amigo um pintor de nome Basil Hallward, que o pinta múltiplas vezes. Toda a vida de Dorian Gray muda quando Lord Henry, um amigo de Basil, lhe incute ideias revolucionárias e lhe arranja um livro de um filósofo francês, salvo erro. Mas Basil faz uma pintura perfeita de Dorian, e este, ao perceber que iria perder a sua juventude e beleza, roga "aos céus", e pede para trocar a sua alma pela juventude eterna, enquanto que o quadro envelheceria. No decorrer da história, Dorian apaixona-se, enlouquece, mergulha numa vida de pecado. O clímax é atingido quando Dorian mata Basil, depois de lhe mostrar a pintura, velha e enrugada por uma vida pecaminosa. Dorian depois tenta acabar o seu sofrimento ao esfaquear a pintura, mas ao fazer isto acaba por morrer, ao lado de uma incólume e jovem pintura. Este agora assume a postura de um velho enrugado, morto e danificado por uma vida de pecado. (até rima)
Uma das perguntas centrais desta obra é nos transmitida por uma das citações iniciais: " Não existem livros imorais, apenas livros mal escritos." Concordo com isto. Este livro pode ser ser considerado imoral, pela maneira como aborda certos temas, mas apenas por quem não sabe reconhecer a maneira como este livro aborda os temas pode chamá-lo imoral. Mas não o é.
Finalmente, a minha ideia conclusiva é que Dorian Gray é como a futura terceira idade. Vemos hoje mulheres e homens a submeterem se a cirurgias. Mas o que é que estas vão fazer com o seu corpo depois de este estar envelhecido e enrugado? Vamos ver aí velhas com grandes prateleiras e velhos sempre excitados. Dorian Gray, já velho, continuava jovem, e isso suscitou-lhe dúvidas e tudo isto junto, leva ao final. À morte confusa de alguém confuso.
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Impressões de Viagem
Todos nós viajamos. Desde a viagem da cama à cozinha, à viagem para outro país, passando por inúmeras outras viagens. Viajamos não só a pé, de carro ou de avião, mas maioritáriamente com a mente.Mas o que será que retiramos de uma viagem?
Muitos de nós dormem, outros conversam sobre temas desde a comum "coscuvilhice" às histórias de vida, passando pela ecónomia do país. As estradas passam a velocidades alucinantes, quase sempre algo desfocadas, e o mundo exterior parece-nos um borrão. Resume-se tudo a uma quantidade variável de horas, passadas em boa ou má companhia, para chegar a um lugar. Também há a questão da confortabilidade dos bancos, que pode variar desde cimento até a espuma espacial feita pela NASA, mas isso é conversa para outro dia.
Seja de barco, de carro, de autocarro, de bicicleta ou de trotinete, uma viagem é uma viagem. Seja feita com os nossos "compinchas", ou com alguém de quem o nosso figado não goste particularmente. Preferencialmente, faço viagens com os primeiros, mas quando tem de ser, há que aturar alguém. Mas durante uma viagem, nada melhor que um bom livro, uma boa conversa, ou uma boa soneca. Claro que é bastante bom conversar com uma pessoa em particular, mas dormir mais umas horinhas não lhe fica atrás. Podemos não ter aquela pessoa que nos faz sorrir e gostamos de ouvir, mas há sempre maneira de dar a volta.
Depois desta vista supreendentemente positiva das viagens, concluo dizendo que pessoalmente, gosto de viajar. Viajo bastante. Já percorri o país, que à beira-mar está plantado, de ponta a ponta. Mas as viagens que fiz, quase todas foram bem passadas. Sempre com as melhores companhias, pois isso é algo que define as nossas viagens. São os companheiros, e o modo como passamos a nossa viagem que definem as nossas ditas "Impressões de Viagem". Uma viagem nunca é uma "seca", uma "seca" é a maneira como a passamos.
terça-feira, 3 de maio de 2011
Dissertação sobre a Alice.
Alice no País das Maravilhas
Um dos tópicos propostos, assim como um que suscitou problemas nas aulas, foi o da utilização de palavras não pelo seu significado, mas sim por soarem “pomposas” ou especiais a Alice ou ao interveniente que as utiliza.
É algo de notar que não é apenas neste livro que esta situação acontece. Também no “Do Outro Lado Do Espelho” isto é referido, no seguinte trecho, por exemplo.
-“Quando uso uma palavra” disse Humpty Dumpty num tom deveras desdenhoso, “esta significa apenas o que eu quero que signifique – nada mais, nada menos.”
De alguma maneira, podemos pensar que Alice usa as palavras porque as acha pomposas, pois ainda é jovem e não sabe o que estas significam. Mas como as ouviu em algum lado e gostou da maneira como soavam, resolveu dizê-las para “ver” (ou ouvir) se estas ficavam bem na frase. Para o fim do livro, existe uma situação em que Alice usa uma palavra que normalmente consideraria pomposa, mas usa-a de modo correcto. Daqui podemos retirar uma série de conclusões, algumas precipitadas, das se relevam as teorias de que isto mostra que Alice está a crescer, e também a minha ideia pessoal que isto nos revela o fim do sonho de Alice. Em conjunto com outros factores, tais como o crescimento repentino de Alice, sem esta ter ingerido algo, podemos pensar que o sonho está a chegar ao fim, tal como partes dos sonhos que temos no dia-a-dia são coisas que nos aconteceram enquanto sonhávamos (ex: o baralho de cartas cai em cima de Alice, e quando esta acorda, a irmã está a tirar lhe as folhas secas que caíram da árvore sob a qual estavam).
Pude ainda reparar que, após alguma pesquisa, encontrei o “capítulo perdido” do livro “Do Outro Lado Do Espelho”. Este chama-se “Uma Vespa Numa Peruca” literalmente traduzido, e aqui vi que Alice (presumivelmente mais velha, pois no princípio do livro esta encontra-se a brincar com os filhos de Dinah, a sua gata), ao falar com a Vespa, está a ler uma notícia do jornal e lê uma palavra que a Vespa diz que não existe. Perante esta reacção, Alice tem uma atitude mais “madura” pois parece saber que tal expressão existe e não é só por soar bem que esta a usa.
Uma personagem que teve uma referência a este comportamento foi o Rei, no último capítulo de “Alice no País das Maravilhas”, no seguinte trecho:
-“Isso é muito relevante” disse o Rei, virando se para o júri. (…) quando o Coelho Branco interrompeu “irrelevante é o que vossa Majestade quer dizer, com certeza”. (…)
“Irrelevante, queria eu dizer” (…)”relevante, irrelevante, relevante, irrelevante…” como se estivesse a tentar perceber qual soava melhor.
Isto demonstra que o Rei, tal como Alice no princípio do livro, utilizou as palavras de acordo com a que soava melhor. Tudo isto pode ser conectado, de novo, ao crescimento mental de Alice e à maneira como certas coisas ficam para trás na nossa infância, sendo o Rei uma parte de Alice, a parte que escolhia as palavras por serem pomposas e bonitas e não por terem significado.
No princípio de “Alice no País das Maravilhas”, Alice utiliza as palavras “Longitude”, “Latitude” e “Antipatas” (em vez de antípodas) apenas porque são “pomposas”, apesar de quando utiliza a palavra “Antipatas” parece ter alguma noção do significado desta, pois esta não lhe soou tão bem quanto desejaria. Isto remete-nos, mais uma vez, para variar, para o crescimento mental de Alice. Mesmo antes de nos apercebermos que tudo o que Alice vive é um sonho, recebemos a mensagem de que aqueles acontecimentos são uma passagem da infância para uma idade mais avançada.
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Conclusão
Com a leitura de “Alice no País das Maravilhas”, e complementando com “No Outro Lado Do Espelho” e “As Aventuras de Alice No Subsolo”, podemos verificar que existem várias situações onde as palavras não são utilizadas com os seus significados, mas sim com os significados que os intervenientes querem que estas tenham. Nas palavras de Humpty Dumpty em “ No Outro Lado Do Espelho”:
-“Quando uso uma palavra, esta significa apenas o que eu quero que signifique – nada mais, nada menos.”
Portanto, as palavras têm repercussões completamente diferentes do que se fossem usadas da maneira correcta, ou com o seu respectivo significado. Apesar da ideia de Alice de “Latitude” e “Longitude” ser inexistente, esta demonstra ser algo correcta, pois esta utiliza-a para questionar a sua localização na terra.
Nestes livros os significados das palavras não têm grande importância, pois o que importa é o significado que a personagem lhe quer incutir.
Toda esta ideia de os significados não terem importância perde se à medida que o tempo avança, pois Alice “começa a ter noção” que no resto da sua vida não pode haver essa ideia. Seria absurdo nos dias de hoje responder a um teste com algo do estilo: “a frase é subordinada e latifundiária”. Para as personagens do livro, como é óbvio, é apenas necessário dizer as palavras e esperar que estas tomem sentido no sentido das outras pessoas.
Depois de toda esta trapalhada inconsistente que faz parte do meu cunho pessoal de trabalho, concluo dizendo que nada na “Alice” é o que parece. Tudo tem o seu segundo significado, tudo tem algo mais que se lhe diga. É uma obra que não é fisicamente extensa, mas com ela podemos dar largas à imaginação e retornar a algo que fomos quando éramos (um pouco mais do que somos agora) crianças. “Alice no País das Maravilhas” é definitivamente um título a explorar, por todas as suas facetas, se quisermos recordar-nos de algo, da nossa inocência infantil, ou de uma infância perdida algures nas brumas da memória. Recomendo também a leitura das outras obras de “Alice”, pois são ainda mais um elemento de distracção do mundo em que estamos e da vida que vivemos actualmente.
Rui Silva
domingo, 24 de abril de 2011
Pergunta 5 (4º Teste de Português)
A teoria da justiça presente neste trecho é de algum modo uma "lei do mais forte". Quanto maior e mais forte o indivíduo é, mais poderoso este é. Aqui, temos representado um Rato e a Fúria, uma cadela, conforme dito na linha 15 da história "...pr'á cadela". Ora, um cão ou cadela é definitivamente maior e mais forte que um simples Rato, e , aproveitando-se disso, esta (cadela) diz que vai levar o Rato a tribunal por este ter cometido "injúria capital". A cadela, abusando do poder que o seu físico lhe confere, diz a rato que será os membros base do tribunal, apenas para conseguir o que quer.
Isto leva-nos à ideia de corrupção que o trecho nos transmite. No mundo em que vivemos também existe algo desta "lei do mais forte". Os mais ricos fazem o que querem dos menores, apenas por terem mais. Apesar de ter razão, o Rato acabaria por ser morto ou condenado por ser mais pequeno. O termo de "justiça", pelo significado do dicionário, é superficial e fútil, segundo este trecho, pois, por haver um poder maior, o nosso poder é anulado pela nossa inferioridade.
Rui Silva
terça-feira, 15 de março de 2011
Justiça ao Rato
Na história do Rato, no capítulo 3 (A Corrida Presidencial e uma História Comprida) do livro “Alice no País das Maravilhas”, foi nos pedido que encontrássemos uma noção de Justiça. Não há muito que se retire deste curto trecho em forma de cauda, pois, passe a redundância, é curto, e algo confuso.1
Este trecho fala-nos de duas personagens, a Fúria e o Rato. A Fúria, sem razão aparente, quer levar o Rato a tribunal, e quando este diz que um tribunal sem as pessoas que o fazer é um gasto de latim, esta diz que será juiz e jurado, apenas para atingir o seu fim, condenar o Rato à morte. Isto demonstra-nos uma certa corrupção, no modo em que a Fúria sente-se no poder de ser os dois poderes em causa num tribunal, apenas para condenar o Rato à morte. Não é justo algo ou alguém ter o poder todo apenas para servir os seus próprios interesses, especialmente se esses interesses forem condenar alguém a algo.
Mas afinal o que é a Justiça? O dicionário nos diz:
1.Princípio moral que exige conduta justa, com respeito ao direito e à equidade.
2. Conformidade a esse princípio, manifestado em actos ou comportamentos.
3. Respeito ao direito de cada um.
4.Carácter do que é justo, imparcial.
5. Instituição ou conjunto de instituições que exercem um poder jurisdicional.
6. Conjunto de todas as pessoas encarregadas de aplicar as leis; autoridade judicial.
2. Conformidade a esse princípio, manifestado em actos ou comportamentos.
3. Respeito ao direito de cada um.
4.Carácter do que é justo, imparcial.
5. Instituição ou conjunto de instituições que exercem um poder jurisdicional.
6. Conjunto de todas as pessoas encarregadas de aplicar as leis; autoridade judicial.
E isso é algo que não vemos neste trecho. O Rato está no seu direito e não está a ser respeitado, e com certeza que o júri do caso não é imparcial, pois este é o próprio acusador. Termino dizendo que situações destas acontecem nos dias de hoje. A Justiça devia ser um valor inerente à sociedade em que vivemos, mas dificilmente a encontramos em certas situações.
1 Uma curiosidade. Este trecho está em forma de cauda devido a um trocadilho que se perde na tradução. No original, diz “a long and sad tale” que Alice compreende como sendo “a long and sad tail”. Tale=conto, tail=cauda. Por isso, a história do Rato está em forma de cauda.
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Ouvi falar em Poesia
Ouvi falar em Poesia. O que será? O dicionário diz nos que a poesia é a arte de escrever versos, ou o texto em verso. Eu acho que não. A poesia é algo transcendente – a poesia é algo mais que versos com terminações com sonância semelhante, ou sem sonância nenhuma. A poesia é mais do que um borrão de tinta num papel. A poesia é mais do que isso tudo. Para mim, a poesia é uma cifra, um código, uma emoção confusa que o sujeito tenta exprimir através de palavras. A poesia é uma forma excelente de gastar tinta e papel, e se interpretada, muito mais bonita do que muitos desenhos. A poesia é a essência do sujeito que a tenta fazer.
Por isso, a poesia é muito mais do que palavras. A poesia é os sentimentos, as acções do autor no papel. Muito mais que conhecimentos, a poesia é sentimentos. Aprendemos que a boa poesia é aquela em que se pode ler nas entrelinhas. Isto causa com que muitas pessoas lhe tenham uma certa aversão, talvez por uma certa preguiça. Sempre compus poemas, por certa diversão ou utilidade, mas poeta não sou. Concluo dizendo que a poesia é a derradeira arma do poeta para se expressar. Acessível a todos, mas só para os que querem, a poesia é uma arte.
Rui Silva
domingo, 16 de janeiro de 2011
"Esparsa Sua Ao Desconcerto Do Mundo"
Camões tinha uma certa sensação de desconcerto no mundo. Tudo está ao contrário. Os maus é que estão bem, os bons estão mal. Isto pode ser visto noutro poema do mesmo, um soneto, “Verdade, Amor, Razão, Merecimento”.
Na primeira metade do poema, encontramos o que Camões nos demonstra ser o desconcerto do mundo:
“Os bons vi sempre passar/No mundo graves tormentos/E para mais me espantar/Os maus vi sempre nadar/Em mares de contentamentos.”
Os efeitos estão trocados, daí o desconcerto. Enquanto que os bons, ao serem benevolentes, serem seres que praticam o bem, mereceriam os tais mares de contentamentos de que o poema fala, mas ao serem benevolentes e essencialmente bons, estes passam por graves tormentos. Ao invés, os maus, seres cruéis, que praticam o mal ou acções maléficas, recebem lucros e contentamentos em vez de serem castigados ou repudiados pelas suas acções. O bem e o mal são dois conceitos opostos que teriam repercussões adequadas, mas em vez disso, o mundo está desconcertado.
Ao compreender isto, o poeta foi experimentar o mal, esperando ter bons resultados como os maus, mas ao ser bom, o facto de ter “practicado” o mal causou reacções no seu meio envolvente, pois provavelmente o meio envolvente não o reconhecia como um ser mau e para a acção não se repetir, o poeta foi castigado. Para as suas acções, o a ordem do mundo está correcta, mas o efeito que se fez sentir não era o desejado, pois o poeta queria livrar se dos tais tormentos, e o que fez, foi arranjar mais.
Verdade, Amor, Razão, Merecimento,
Verdade, Amor, Razão, Merecimento
Qualquer alma farão segura e forte;
Porém, Fortuna, Caso, Tempo e Sorte
Têm do confuso mundo o regimento.
Efeitos mil revolve o pensamento,
E não sabe a que causa se reporte;
Mas sabe que o que é mais que vida e morte,
Que não o alcança o humano entendimento.
Doutos varões darão razões subidas;
Mas são experiências mais provadas,
E por isso é melhor ter muito visto.
Cousas há i que passam sem ser cridas
E cousas cridas há sem ser passadas...
Mas o melhor de tudo é crer em Cristo.
Qualquer alma farão segura e forte;
Porém, Fortuna, Caso, Tempo e Sorte
Têm do confuso mundo o regimento.
Efeitos mil revolve o pensamento,
E não sabe a que causa se reporte;
Mas sabe que o que é mais que vida e morte,
Que não o alcança o humano entendimento.
Doutos varões darão razões subidas;
Mas são experiências mais provadas,
E por isso é melhor ter muito visto.
Cousas há i que passam sem ser cridas
E cousas cridas há sem ser passadas...
Mas o melhor de tudo é crer em Cristo.
Rui Silva
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