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segunda-feira, 15 de outubro de 2012




     Até que ponto é que a descrição da Ilha dos Amores se avizinha/é contaminada pela descrição da Idade de Ouro contida no texto de Ovídio?

 No canto IX está presente o episódio da Ilha dos Amores, narrado por Camões, em Os Lusíadas. Neste episódio, os marinheiros portugueses avistam no meio do oceano uma ilha que aparenta estar abandonada, e decidem explorá-la. A ilha é vista como recompensa pelos feitos dos portugueses. Encontram-se ninfas que, seduzem os portugueses a mando de Vénus. Não deixando as ninfas ao inicio apanhar-se com facilidade.
     Já n´As Metamorfoses de Ovídio, estão presentes referências à Idade do Ouro. Era caracterizada pela paz, e segurança. Todos viviam em harmonia; todos eram considerados puros e imortais. Considerado um período de imensa glória.
   
Na minha opinião aquilo que se assemelha à descrição da Idade do Ouro e da Ilha dos Amores é o facto do ser humano ser considerado puro, livre, bom, sensato. Livre de castigos ou leis. Livre de preconceitos e de conceitos como o mal e o errado.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

As Aventuras de Robinson Crusoe

Este é um livro que tem a questão Religiosa muito presente ao longo da ação.
Robinson Crusoe é um um homem muito religioso que encontra na fé uma forma de se manter são. Deus tornasse mais do que o seu senhor. Deus torna-se o seu companheiro de viagem. É com Deus que ele conversa. E quando aqui digo conversa, não o digo no sentido religioso. Rezar não é de todo o mesmo que conversar. Deus aqui foi um bom ouvinte e conseguiu ser uma maneira de Robinson convencer-se de que não está a ficar maluco. Ao conversar com Deus evitou conversar sozinho, o que para muitos (inclusive eu) é o mesmo, é de facto algo totalmente diferente.
Ora vejamos, na sociedade atual conversar sozinho é considerado loucura, mas com Deus a coisa muda. Até porque mesmo para alguém que seja ateu (volto a referir, como eu) tem no seu subconsciente a figura de Deus como algo que pode não existir, mas a verdade é que existe, sendo tudo isto muito difícil de explicar com precisão. Eu mesmo ao ler o livro pensei várias vezes se não faria o mesmo. Mesmo não acreditando em Deus eu iria com certeza conversar com ele, e isso é o suficiente para manter a sanidade e sobreviver, tal como Crusoe, vinte e oito anos "isolado".

quarta-feira, 4 de maio de 2011

"Alice no país das maravilhas"

O livro "Alice no pais das maravilhas" de Lewis Carroll é um livro que deixa muitas perguntas com respostas em aberto. É um livro que tem muitos tópicos que suscitam alguns, ou até muitos problemas.É enfim um mundo diferente e ousado, principalmente.

É um mundo ao contrário que vai no caminho certo.

Vou tentar apresentar neste texto uma reflexão sobre o tópico que para mim suscita mais problemas e apresenta mais dúvidas, o conceito de justiça (que acaba por não ser muito diferente do nosso).Este assunto para mim foi o que me mexeu mais com a cabeça, ou pelo menos que me fez pensar mais. Quer dizer, como é que num mundo daquele género, diferente do nosso em quase todos os aspectos tem uma noção de justiça.Quer dizer, numa dada altura do livro Alice é arrastada para um julgamento. O objectivo do mesmo era descobrir quem tinha roubado as tartes da rainha. O tribunal estava cheio, e o principal suspeito era o valete, mas até aqui tudo bem, mas a razão para o valete ser o único suspeito era, basicamente, nenhuma. A rainha decidiu que era ele o culpado, e não havia nada a fazer, o julgamento, posso dizer, era meramente para satisfazer os habitantes do País das maravilhas. Para dar uma ilusão de justiça num julgamento que era tudo menos justo. A existência de provas, é alias, um tópico desinteressante para quem quer "justiça", ou seja, a rainha. E é tão desinteressante que elas nem sequer existem mas o julgamento avança na mesma. O valete vai ser julgado mas com a sentença já escrita. E para mim é aqui que os nossos dois mundos se aproximam. No mundo real, chamemos-lhe assim, há imensos julgamentos em que o réu vai a julgamento por mera formalidade. E infelizmente isto é por muitas vezes o mais justo que se arranja. Porque quer queiramos ou não, o mundo é tudo menos justo, e quando é justo para uns, não o é para outros. E é assim que as coisas funcionam e hão-de sempre funcionar.

Daí o conceito de jusiça no livro " Alice no país das maravilhas" não ser muito diferente do nosso, sendo até mais parecido do que pensamos...

Pedro Mateus