quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Greve

O direito à greve é um, entre outros, direitos do Homem.
Infelizmente, durante muitos anos, esse direito não existiu para os portugueses e só após o 25 de Abril de 1974, com a instauração da democracia, passou a fazer parte da nossa Constituição.
Na minha opinião, este direito é muito importante, porque através da greve as pessoas demonstram o seu descontentamento em relação a determinadas condições impostas.
Existem vários motivos pelos quais as pessoas decidem fazer greve, uns com consequências mais graves do que os outros, mas todos com o mesmo objectivo: fazer-se ouvir, mostrando a insatisfação que sente perante algumas situações. Um dos motivos mais comuns é contra determinadas decisões dos governos, as políticas adoptadas e as situações perante o emprego. Quando todos os sindicatos se unem para fazer greve assistimos a uma greve geral.
Sendo a greve um direito, as pessoas podem, ou não, fazê-la, sem qualquer tipo de pressão ou obrigação. Se isto é assim em teoria, quantas vezes ouvimos, no entanto, que alguns trabalhadores sentem receio de aderir às greves.
Quando se faz greve há penalizações. Tem-se esse direito, mas é um direito agridoce: faltamos aos nossos compromissos para mostrar a nossa revolta mas, no final do mês, essa «revolta» é descontada no ordenado. 
Nós, alunos, só vemos o lado bom das greves, a parte que nos afecta, na escola. Muitas vezes nem nos interessamos pelo porquê de haver greves, só queremos saber se o estabelecimento de ensino onde estudamos vai fechar ou não, e se teremos uma «folga» semanal. Eu, como vivo na mesma casa com dois funcionários públicos, sei das consequências que eles sofrem por quererem fazer-se ouvir perante o governo mas, da forma como o país se encontra, considero que as pessoas têm de se unir e mostrar o quanto estão descontentes com as novas «regras» impostas.
Infelizmente, e visto que o país está mergulhado numa grande crise económica e como os ordenados dos funcionários públicos vão descer no início do próximo ano, há quem não possa arriscar faltar ao emprego e perder um dia de ordenado, que muitas vezes é essencial.
Eu concordo com o direito à greve e sinto-me feliz por viver num país onde as pessoas têm este e outros direitos.
Mariana Esteves

Poema

Bucólica

A vida é feita de nadas
De grandes serras paradas
À espera de movimento;
De searas onduladas pelo vento;

De casas de moradia
Caídas e com sinais
De ninhos que outrora havia
Nos beirais;

De poeira;
De sombra de uma figueira;
De ver esta maravilha:
Meu pai a erguer uma videira
Como uma mãe que faz a trança à filha.

Miguel Torga

Reflexão pessoal:
Este poema que eu escolhi leva-nos a reflectir sobre as insignificâncias da vida, aqueles momentos simples e banais que compõem o nosso dia-a-dia e a que, muitas vezes, nem damos valor, sempre à espera de grandes "acontecimentos".
Mas é o conjunto destas pequenas coisas que faz uma vida, estes "nadas" completam aquilo que é o nosso percurso. Temos de dar valor às coisas, porque são esses pequenos gestos, essas memórias que nos completam e nos fazem rir.

Mariana Esteves

Apresentação Oral

A minha apresentação oral de Português era sobre o Diário, mais especificamente do texto da página 109, que retratava as características deste carácter autobiográfico.
O Diário é um tipo de texto de carácter autobiográfico e intimista, mas diferente dos outros estilos autobiográficos:
·         Tem características técnico-compositivas próprias (ou seja, tem de ter características de escrita própria);
·         Tem consequências a nível de narração;
·         Possui um estilo diferente;
·         Tem uma temporalidade do discurso;
·         Constitui uma imagem do eu.
O texto de um diário resulta, normalmente, de uma escrita diária ou periódica e aí também encontramos vários factos datados (ou seja, têm uma data identificada), que correspondem a uma narração intercalada, ou seja, os registos dos factos alternam segundo a sua acção.
Ao contrário da autobiografia, onde o narrador põe e dispõe de um conjunto de factos que pode manipular, no diário o sujeito da escrita regista os seus sentimentos, assuntos profissionais e até mesmo amores e amizades.
O texto do diário pode conter anotações e procura a introspecção da vida.
Mariana Esteves

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Lírica Camoneana: Descalça Vai para a Fonte

Este poema de Luís Vaz de Camões retracta Leonor, uma jovem que se dirige a uma fonte com os pés descalços, pela relva.
A concepção da mulher foi um tema essencial da lírica camoneana, estando muitas vezes relacionado com a temática do amor e com as personagens do drama amoroso do mesmo (o amador, a amada, a Natureza e o próprio amor.
As figuras femininas retractadas por Camões representam o ideal de beleza física renascentista, pretendendo espelhar a beleza interior.

Descalça vai para a fonte
Leonor pela verdura;
Vai fermosa, e não segura.

Leva na cabeça o pote,
O testo nas mãos de prata,
Cinta de fina escarlata,
Sainho de chamelote;
Traz a vasquinha de cote,
Mais branca que a neve pura.
Vai fermosa e não segura.

Descobre a touca a garganta,
Cabelos de ouro entrançado
Fita de cor de encarnado,
Tão linda que o mundo espanta.
Chove nela graça tanta,
Que dá graça à fermosura.
Vai fermosa e não segura.

Ao andar descalça, Leonor transmite ao leitor um estado de liberdade e despreocupação, mas também alguma desprotecção e vulnerabilidade.

O seu retracto evidencia a sua beleza e graciosidade, caminhando elegantemente.
As mãos de prata e os cabelos de ouro são metáforas que caracterizam a brancura da sua pele e o loiro dos seus cabelos.
O seu vestuário mostra a simplicidade da personagem e o detalhe do verso Descobre a touca a garganta contrasta com a inocência desta figura reforçando ainda mais a sua beleza.

Sofia David
Mito de Narciso
Esta é a história de um rapaz cuja mãe é a ninfa Liríope. Esta consultou o adivinho Tirésias acerca do futuro de Narciso. Este disse-lhe que este viveria muito tempo se não se conhecesse a si próprio. A principio esta adivinhação não lhe pareceu fazer sentido, mas no futuro seria comprovada real.
Ao crescer este menino tornou-se belíssimo e muito desejado por rapazes e raparigas.
Certo dia, Eco, ao avistar Narciso apaixonou-se imediatamente. Porém, este rejeita-a com desprezo. Eco, muito triste e envergonhada foge pelos bosques. Todavia nunca o deixou de amar e agora esconde-se em bosques onde ninguém a consiga ver, apenas ouvir.
Porém, foi rogada uma praga a Narciso; amar e nunca possuir o que ama. Esta prece foi aprovada pela deusa da justiça castigadora, Ramunte.  
Narciso, foi beber água a uma fonte e outra sede nasceu, a sede de si próprio, ficando deslumbrado pela imagem que vê na água limpa e com muito esforço é dali retirado. E ficou loucamente apaixonado pelo próprio reflexo e acabou por morrer e desaparecer, ficando no seu lugar apenas uma flor de centro amarelado e pétalas brancas. 

Acho este texto muito interessante e muito bem escrito. Acho também que passa uma mensagem importante; o perigo da vaidade (um pouco dramatizado e exagerado no texto) que não deixa de ser inexistente. O autor, Ovídio, pretende passar a mensagem de que por mais bonita que uma pessoa seja (embora tudo isso seja muito subjectivo e relativo) não deve deixar que isso a afecte de tal maneira como Narciso foi afectado. Mas é difícil, havendo hoje em dia uma constante pressão da parte das pessoas e media para as raparigas e rapazes sejam bonitos e perfeitos, o que é inalcançável.

Maria João 
Apresentação Oral – Português

No dia 8 de Novembro de 2010, eu, Maria João do 10º E fiz a minha apresentação oral. O texto de que ia falar chama-se “Só Sei”, escrito por Miguel Esteves Cardoso. É um escritor, crítico e jornalista. Comecei por falar um pouco sobre o autor que nasceu em 1955. MEC é bilingue, isso criou um certo distanciamento da cultura portuguesa o que lhe permitiu fazer críticas ao modo como o povo de Portugal se comporta.
Doutorou-se em Filosofia Política e é monárquico.
Colaborou com várias revistas, foi o director do Jornal “O Independente” colaborando com Paulo Portas. Quando saiu deste jornal, passado algum tempo criou a revista “K” que durou pouco tempo; faliu passados dois anos da sua criação. Foi em tempos uma presença frequente na rádio e televisão. Fez críticas de música, cinema e literatura.
Lançou um grande número de livros; o primeiro em 1994 e o último em 2009.
De seguida li alguns excertos da crónica. Depois acabei dizendo que era uma crítica à sociedade portuguesa. Esta é uma crónica, na minha opinião, muito interessante e engraçada. Gostei imenso dela, desde a primeira vez que a li. Fartei-me de rir e de comentá-la com os meus pais. Gosto especialmente de certas partes como: “Passariam assim a ser estritamente não-mencionáveis (pelo menos à hora em que a nação janta ou se prepara para dormir) as seguintes coisas: 1) Rato, ratazanas e outros bichos que passem as noites a petiscar nas bochechas e nas partes gordas dos pés de crianças lactentes; 2) Filhos maiores com atrasos mentais importantes que tenham sido presos mais de duas vezes nos últimos cinco anos; 3) A evolução do preço do azeite desde o 25 de Abril; 4) A frase «Eu não sei é onde é que isto tudo vai parar»; 5) Maridos com profissões muito solicitadas (canalizadores, electricistas, pedreiros), com idades compreendidas entre os 40 e 50 anos que «já estão desempregados vai para 20 anos»; 6) Promiscuidades de barraca, excessivas aproximações com animais domésticos e outras poucas-vergonhas apresentadas como sendo de exclusiva responsabilidade do Governo ou da Câmara.” E da aquela parte em que MEC fala dos actores portugueses; uma crítica que se verifica nos dias de hoje nas telenovelas. É estranho porque penso muito nisso e afinal não é defeito meu. No geral penso que a apresentação correu bem.

Maria João



A Greve

A greve é considerada um direito. Foi à custa de muitas pessoas e com muito esforço que se chegou a esta condição; de direito. Se é um direito ninguém o é obrigado a fazer e podemo-nos recusar a fazê-lo, já que é um direito e que, por enquanto, é garantido. O objectivo deste texto é expressar a minha opinião acerca da greve. Eu sou a favor da greve; é uma boa forma de expressar a nossa opinião e vontade pacificamente. Apenas assim podemos demonstrar aquilo com que não concordamos. Mas o que implica fazermos greve? Quando um funcionário público faz greve não recebe o seu ordenado correspondente a esse dia. Ora, dia 24 de Novembro haverá uma greve geral e possivelmente muita gente aderirá pensando que o Estado os apoiará, mudando a forma de combater a crise, mas o Estado vai apoiá-los de outra maneira, vai querer que façam a bendita greve pois dessa forma não terão de pagar centenas de ordenados. Por outro lado penso que o sacrifício vale a pena se pudermos mostrar aquilo em que realmente estamos interessados e defendemos. Depois há aquelas pessoas que aproveitam o dia de greve apenas para tirarem um diazinho de folga e ficarem a descansar. Esta é uma forma de greve válida mas que não é digna. Se uma pessoa adere à greve deverá ser porque está descontente e faz tenções de o demonstrar.

                                                     Maria João