sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Conceito de Hamartia

Hamartia é um termo desenvolvido por Aristóteles. A palavra Hamartia significa “falha trágica”, por ignorância, engano ou acidente. Isto acontece quando a pessoa afectada ou os resultados não são os supostos.
 Na tragédia, hamartia é frequentemente descrito como falha fatal de um herói. Esta falha pode muitas vezes ter consequências trágicas, pois o individuo pode falhar no alvo ou no seu próprio objectivo.
Na bíblia, hamartia é a palavra grega utilizada para designar “pecado”. Os gregos defendiam que hamartia, é algo inseparável do destino do homem, que não pode ser evitado, e que por isso causa sofrimento. Aristóteles defendia que por mais qualidades que um Homem tivesse, apenas os seus actos comandariam o seu futuro.

Mariana Dinis

O conceito de ironia trágica

O conceito de ironia trágica pressupõe a convicção de que sem ironia não há tragédia.
A ironia trágica é o que permite diferenciar a ideia de destino propriamente trágico da ideia de destino presente nos mitos que a tragédia toma como matéria-prima.
A ironia da acção trágica, no entanto, pressupõe uma ironia diante da acção trágica, ou seja, um distanciamento irónico-reflexivo por parte daqueles que a conformam – o poeta trágico e o espectador da tragédia. Se, sob a perspectiva do herói, não é possível apreender que todas as suas acções o conduzem justamente na direcção contrária a que pretendia ir e ao mesmo tempo se admite que nessa inversão de sentido, típica da ironia pensada como tropo da retórica, é que repousa a tragicidade da acção trágica, então é forçoso concluir que a ironia da acção trágica só se torna visível a partir da ironia do autor, ou, conforme o caso, do espectador da tragédia. Isso, aliás, é o que Aristóteles indica na Poética quando afirma que sem Reconhecimento não há tragédia. Só apreende a tragicidade de sua situação quando se torna um espectador de si mesmo.
Supondo que a linguagem da tragédia é constituidamente irónica, na medida em que são as ambiguidades presentes nos discursos dos personagens trágicos que permitem a ironia da acção trágica.
A partir dessa distinção, fica claro que só é possível falar numa tragédia da linguagem se compreendemos a ironia da linguagem trágica como uma ironia instável, ou seja, um tipo de ironia que não permite uma estabilização definitiva do sentido de um dizer e, assim, condena aquele que fala ou escreve a manter-se sem controlo à priori do sentido daquilo que diz.

O Conceito de Catarse

A palavra Catarse deriva do grego Kátaharsis. Catarse é uma palavra utilizada no contexto filosófico, psicanalítico e religioso, tendo significados como purificação, purgação, etc.
Aristóteles estudou os espectáculos teatrais - as tragédias gregas, interessando-se assim pelo impacto que estas representações causavam nos espectadores.
As situações dramáticas de extrema intensidade e violência representadas pelos actores, provocam no auditório sentimentos de terror, piedade e compaixão, provocando-lhes alívio ou purgação desses sentimentos.
Para Aristóteles, esta obra de arte (o teatro) deveria sempre provocar a Catarse, isto é, provocar a purgação das emoções dos espectadores. Deste modo, a palavra Catarse designa a "purificação" sentida pelos espectadores durante e após uma representação dramática. Devido ao facto de Aristóteles também ter sido médico, tal terá contribuído para que ele entendesse a encenação dramática como uma espécie de remédio ou cura da alma, ajudando o auditório, ao assistir ao desenlace, a expelir as suas dores e sofrimentos.
Freud estudou a influência das memórias do inconsciente no comportamento humano. Através das terapias clínicas (psicanálise - hipnose e regressão) é possível que um indivíduo experimente diferentes emoções que o podem conduzir à cura. A este processo, a psicanálise dá o termo de Catarse, que designa o estado de libertação psíquica que conduz à superação da perturbação psíquica.
No sentido religioso, são igualmente demonstrações de Catarse ou de purificação da alma, as emoções manifestadas pelos participantes de um ritual religioso ou, por exemplo, no acto de confissão.
Concluo o conceito de Catarse como:
   - No âmbito filosófico, a Catarse é uma acção purificadora que a tragédia deve realizar no espectador;
   - No âmbito religioso e moral, a Catarse é uma acção reintegradora da pureza;
   - Por fim, no âmbito terapêutico, o efeito deste conceito tem como função a eliminação de recordações que perturbam a consciência.

   Inês Ameixa nº14

Terror na Tragédia

Segundo o dicionário, Tragédia é uma peça teatral cuja acção é de índole dramática e cujo desfecho é funesto; cena triste; desgraça. Terror é um grande medo; pavor pânico; perigo; o que mete medo. Na minha opinião, estes dois conceitos podem estar relacionados de algumas formas.
Por exemplo, quando nos acontece uma “tragédia” temos sempre medo, porque fomos surpreendidos por uma dada situação ou acontecimento com o qual não contávamos e não gostamos, além de que tememos que se repita. Ou seja, ficamos aterrorizados, o que nos leva a ficar inseguros e em sofrimento, pelo menos durante algum tempo.
Para além dos acontecimentos pessoais de cada um, na actualidade mundial, ainda perduram os efeitos trágicos de uma célebre frase de Osama Bin Laden: “O terror contra a América é louvável porque se destina a responder à injustiça e a obrigar a América a cessar o seu apoio à América, que a todos nos atinge.”
Contudo, tal como a paz de espírito, a felicidade (ou os momentos felizes) e a alegria, a desgraça, o sentimento de perigo e o medo também fazem parte da existência humana e é importante sabermos lidar com isso. Daí que várias formas de arte reconheçam ambos os sentimentos. Por exemplo, no caso do quadro do pintor norueguês Edvard Munch, "O Grito", parece que vemos uma pessoa em desespero, isolada das restantes, soltando um grito que até pode não ser ouvido por ninguém a não ser por ela própria, mas que poderá servir para a “aliviar” de um sentimento de impotência face a uma solução que não encontra para resolver algum problema.
Outra das formas que considero poder relacionar estes dois conceitos é através da escrita. Para além de ter vindo a ser retratada em muitas obras, desde a sátira grega, e ter tido a sua origem no contexto do teatro, refiro o exemplo que nos é dado por Almeida Garrett, na sua obra “Frei Luis de Sousa”, em que o terror ao ser usado na tragédia, tem como função apelar aos sentimentos de piedade e compaixão dos leitores para com as personagens. Nesta obra, pretende-se transmitir um ambiente de tragédia com um desenlace trágico, fatal. Isso é reforçado pelo facto de a acção ser mais sintética do que em outras obras, os personagens serem poucos e nobres, o que nos leva a pressentir que algo irá acontecer.
Ainda no âmbito da escrita, saliento igualmente Camilo Castelo Branco, um escritor ligado ao Romantismo, cujos romances transmitem um clima de tragédia e de fatalismo (características, entre outras, do Romantismo próximo do Realismo), misturados com algum espírito crítico e sátira. A par com esse ambiente trágico e dramático, Camilo Castelo Branco também incluiu em algumas das suas obras rancores, ódios, espírito de vingança, o fatalismo, o que nos leva a pensar que algumas das suas personagens vivessem com o terror de serem vingados por crimes realizados por antepassados.

Conceito de Drama


Drama. Um conceito algo relativo. Um drama, em termos normais, é uma peça de teatro, uma história escrita como um diálogo, com uma ou mais personagens. No entanto, podemos encarar este conceito de outra maneira. Uma visita ao dicionário levou me a isto: "um texto destinado a representação, independentemente de seu carácter de tragédia, de comédia, de farsa, etc”. Muitas vezes dizemos a alguém: “estás a fazer um drama dos diabos!”, ou uma variante dessa expressão, quando queremos dizer a essa pessoa que esta está a exagerar ou a potencializar demasiado uma situação que provavelmente podia ser resolvida facilmente e sem muito esforço. Esta pessoa está portanto, a dramatizar a sua situação, a criar um complexo de vítima, seja para ela mesma ou para outros.
Seria um drama dizermos que muitas destas tarefas que o professor nos propõe são um suplício e que as fazemos completamente à pressa e sem olhar ao que escrevemos e pesquisamos. Na realidade, não o são. Podem ser um pouco entediantes e gastar algum do nosso tempo, mas parecendo que não...têm a sua utilidade.
            Portanto, em conclusão, digo que o conceito de drama é algo que varia desde a sua definição literal, à exponencialização de algo mais pequeno. Este existe desde a Grécia Antiga, provando, de certo modo, que desde sempre que a arte e a vida estão intimamente interligadas.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

O conceito de Hamartía

Em Literatura, hamartía é um delito cometido pelo personagem de uma tragédia, que leva à peripécia. Este conceito teve origem na Poética de Aristóteles e na perspectiva deste, uma tragédia aproxima-se mais da perfeição quando esta tem peripécia. De acordo com Aristóteles, na tragédia ideal a peripécia deve-se seguir de uma hamartía, de modo a que o herói/personagem principal da tragédia, cometa este erro fatal e que o possa reconhecer.
 Aos olhos de Aristóteles, o herói/personagem trágico ideal, tem de viver um  reverso, havendo uma passagem da imensa felicidade para o fracasso total, para a infelicidade completa do personagem, sendo esta passagem consequente de um erro de extrema importância cometido pelo personagem, como uma decisão errada, uma lei quebrada, considera-se uma falha trágica designada por hamartía.
 Segundo Aristóteles, o ‘’carácter dá ao Homem as suas qualidades, mas são os seus actos que o tornam feliz ou miserável’’ portanto nesta visão das coisas, o que torna o personagem numa figura trágica é o facto de apesar de esta possuir deveras qualidades e virtudes, um simples passo em falso, erro, pode levá-la à sua auto-destruição.
  Ainda de acordo com o ponto de vista de Aristóteles, esta peripécia remetida de uma hamartía teria de consistir necessariamente na infelicidade de um homem bom. Desta forma, o erro/falha trágico(a) para que a tragédia  deve suceder-se de um acto de ignorância e não de uma falha de carácter, porque desse modo o sujeito não poderia ser considerado um homem bom.
Mariana Castro

Conceito de Piedade na Tragédia

O que é piedade? Piedade é um sentimento, similar à compaixão, ao dó ou à pena. É não ignorar o sofrimento alheio. Sentir alguma coisa quando vemos alguém em sofrimento e fazer algo para ajudar sem esperar algo em troca. É caminhar ao lado dessa pessoa, estender-lhes a nossa mão para os ajudar a levantar. Todos sabemos o que é tragédia. É um estilo particular de drama que nos leva a algo mais sério, muitas vezes um conflito.
Logicamente, a piedade na tragédia ocorre quando o auditório sente esse sentimento pela personagem ou personagens, que sofrem devido a um conflito. Podemos tomar como exemplo uma mãe que fica sem os filhos durante uma catástrofe natural, as pessoas que assistem a isto sentem piedade, compaixão, dó, pena.
Numa tragédia, o objectivo do autor da mesma é muitas vezes incutir esse sentimento, para dar credibilidade à peça, para transmitir um sentimento de relacionamento entre os que assistem à mesma, e as personagens.