quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Impressões de Viagem

     Todos nós viajamos. Desde a viagem da cama à cozinha, à viagem para outro país, passando por inúmeras outras viagens. Viajamos não só a pé, de carro ou de avião, mas maioritáriamente com a mente.Mas o que será que retiramos de uma viagem?
        Muitos de nós dormem, outros conversam sobre temas desde a comum "coscuvilhice" às histórias de vida, passando pela ecónomia do país. As estradas passam a velocidades alucinantes, quase sempre algo desfocadas, e o mundo exterior parece-nos um borrão. Resume-se tudo a uma quantidade variável de horas, passadas em boa ou má companhia, para chegar a um lugar. Também há a questão da confortabilidade dos bancos, que pode variar desde cimento até a espuma espacial feita pela NASA, mas isso é conversa para outro dia.
       Seja de barco, de carro, de autocarro, de bicicleta ou de trotinete, uma viagem é uma viagem. Seja feita com os nossos "compinchas", ou com alguém de quem o nosso figado não goste particularmente. Preferencialmente, faço viagens com os primeiros, mas quando tem de ser, há que aturar alguém. Mas durante uma viagem, nada melhor que um bom livro, uma boa conversa, ou uma boa soneca. Claro que é bastante bom conversar com uma pessoa em particular, mas dormir mais umas horinhas não lhe fica atrás. Podemos não ter aquela pessoa que nos faz sorrir e gostamos de ouvir, mas há sempre maneira de dar a volta.
       Depois desta vista supreendentemente positiva das viagens, concluo dizendo que pessoalmente, gosto de viajar. Viajo bastante. Já percorri o país, que à beira-mar está plantado, de ponta a ponta. Mas as viagens que fiz, quase todas foram bem passadas. Sempre com as melhores companhias, pois isso é algo que define as nossas viagens. São os companheiros, e o modo como passamos a nossa viagem que definem as nossas ditas "Impressões de Viagem". Uma viagem nunca é uma "seca", uma "seca" é a maneira como a passamos.

Impressões de Viagem

Uma viagem... Longa, curta com ou sem destino desperta sempre em todos um sentimento de aventura e descoberta.
Como é óbvio todos temos experiências de viagens. As que se mantêm mais frescas na minha memória eram as típicas idas para o Algarve. Acordar bem cedo, ainda de madrugada, ir para o carro dos pais, ficar cheia de energia durante os primeiros cinco minutos e depois adormecer. Quando acordava estava em Albufeira a entrar noutro sítio, com outro estado de espírito, outra disposição.
Sempre acreditei que cada lugar despertava algo diferente numa pessoa. Por vezes a vida rotineira do mesmo lugar pode desgastar alguém, ver as mesma gente, edifícios, os mesmo caminhos... Isso torna tudo tão regular e a vida nunca deveria regular. Todos merecemos escapar um pouco, daí as viagens. Quer seja uma viagem a outro lugar, a uma memória ou até uma viagem aos confins da nossa mente, isso pode mudar tudo.
É engraçado pensar que precisamos de algo tão supérfluo para dar início à mudança. Mas a verdade é que o que nós éramos antes de uma viagem e o que passamos a ser depois, muda. Por vezes ligeiramente, sendo apenas em memórias ou experiências. Mas às vezes, muito raramente, existe uma viagem que nos muda.
Este ano tive duas experiências do género. Antes das viagens sentia que me faltava algo, uma peça por preencher no puzzle tão incompleto que sou, pois bem quando voltei tinha um sorriso parvo na cara, daqueles  sorrisos que ninguém consegue tirar porque eu sabia que se me quisessem tirar tudo, tiravam, mas aquele pedaço de mim e aquelas memórias eram apenas minhas.
Ahh, isso sabe tão bem... Essa renovação pessoal, esse sorriso, essas vivências. O pior era que quando me perguntavam: "Mas porque raio estás assim tão feliz e parvinha?", eu não fazia ideia o que dizer então apenas abria ainda mais o sorriso para todos verem esta menina tão feliz e tão parvinha.
Mantenho essas viagens para mim, à flor da pele. Mas esse "brilho" novo, pós-viagem não dura para sempre. Infelizmente ou felizmente, dependendo do ponto de vista, o meu sorriso parvo desapareceu voltando a vida rotineira.
Adoro viajar sempre adorei, conhecer novos mundos e novas pessoas no entanto este ano descobri que existe uma viagem muito maior a fazer. A viagem em nós mesmos. Eu achava que me conhecia mas a verdade é que essas viagens exteriores também me relembraram que na realidade eu não faço a mínima ideia quem sou.
E essa viagem é a mais importante e atribulada da nossa vida. Essa viagem começou no dia em que abrimos os olhos e acaba no dia em que os fechamos, ou melhor, talvez nem aí...  Connosco levamos sempre bagagem. Essa bagagem começa por ser leve no entanto ao longo do tempo acrescentamos peso.
A nossa bagagem acaba por ser a nossa vida todas as vivências, traumas, amores, falhas. Sempre desejei fazer uma viagem sem nada, sem destino, sem bagagem, sozinha. Pois bem, a um nível material é fácil mas essa bagagem, a bagagem da vida, nunca nos abandona a não ser que estejamos em paz, e isso? Aaai, é tão complicado...
Eu ainda não estou pronta para largar a minha mala para o vazio. Esquecer tudo de mau e tudo o que não necessito, talvez nem deveria. Mas a verdade é que eu sou fraquinha e esta mala começa-se a tornar demasiado pesada para mim...

Impressão de Viagem

Uma viagem. O deslocamento de alguém, de um lugar para outro Uma viagem pode mudar um ponto de vista, e o tempo em que isso acontece é relativo e insignificante. Comummente, pensamos apenas no tipo de viagem físico e concreto, porém muitas vezes, damos por nós a fazer um deslocamento espiritual e subjectivo.
Na vida, todos fazemos jornadas que nos mudam. Contudo, nada nos muda sem antes nos desorientar. Desorienta-nos porque aquilo com que estamos habituados a lidar, aquilo que corresponde à nossa realidade, passa de um momento para outro, para algo que talvez já não faz sentido na nossa cabeça e leva-nos a fugir ou a afastarmo-nos. Nem tudo é branco ou preto, nem tudo permanece igual e essa é a verdade. Todavia, por vezes voltamos ou temos a ânsia de regressar ao lugar inicial, ao sítio de onde partimos, ao nosso passado, ao que outrora nos fora tão próximo, uma veracidade. Isto acontece, pois somos humanos, sensíveis. Essa sensibilidade leva-nos a sentir a saudade. Todos contemos dentro de nós lembranças nostálgicas, acompanhadas de um desejo de voltar. E porque será que isto acontece? Porque esse algo nos proporcionava um certo bem-estar, um contentamento, que nos fazia ter uma percepção da vida diferente. As memórias não serão como os quadros? Existe algo tão grandioso, como um quadro original que podemos observar quando vamos a um museu, mas quando saímos de lá, não passa de uma memória, e a imagem que outrora fora grandiosa, agora é representada apenas por um pequeno quadrado na nossa cabeça.
Supostamente, o passado indesejado deveria permanecer no pretérito, pois é algo cristalizado, longínquo e isolado, que escolhemos manter assim, devido à pouca vontade de recorrer a certos momentos. Contudo, nada nos impede, nada nos trava de voltarmos lá, de nos lembrarmos. E somos como que obrigados a descer às fundações, que sustentam aquilo que nos faz, e apercebemo-nos que cada pessoa, cada lugar com que nos cruzamos é aquilo que verdadeiramente nos define. Porém, ao fazermos isto, lembramo-nos daquilo que nos fez seguir em frente, que nos fez querer esquecer o passado, e esse pesadelo que quisemos abandonar, volta. E ao fazermos uma introspecção, apercebemo-nos de que se encontra agora nítido na nossa mente o medo, a dor e o terror causados por esse tempo passado, mas que antigamente, era o que nos trazia esperança, o que nos fazia feliz. Regressamos assim a um sítio, onde já não nos reconhecemos pois tínhamos um destino diferente.
Ao termos noção da realidade, concluímos que o reflexo que vemos no espelho, comparado com o passado, mudou, de uma forma positiva. E são estas pequenas viagens, as impressões com que ficamos delas, que nos fazem acreditar que de facto a vida continua e prossegue apesar de tudo, que somos capazes de ultrapassar as coisas, e o que nos magoa é que nos faz crescer mais. Sim, viagens ao passado são perigosas, mas não é a fugir da vida que chegamos a algum lado, que alcançamos o que queremos ou que resolvemos as coisas. Temos de acreditar no possível e no impossível, porque é possível renovar a realidade das memórias.
No final, tudo acaba por se tornar numa lembrança, umas são melhores que outras, mas está nas nossas mãos alterar cada destino da nossa vida, cada desafio que se põe diante de nós, porque tudo é assim. Numa simples viagem de carro, um pneu pode ficar furado, podemos ficar sem gasolina, …mas isso não nos impede de continuar, encontramos soluções para cada problema. E a vida é mesmo assim, não é um ciclo, mas sim uma viagem contínua. As coisas mudam, é assim que a vida funciona. Mas temos de mudar com elas, não nos podemos agarrar ao passado porque viver é algo do presente, não é uma coisa do futuro e muito menos, do passado. 

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Impressões de viagens

         Uma viagem pode ser longa ou curta, divertida ou uma ‘seca’. Quando se trata de uma viagem curta não interessa muito o facto de ser divertida ou não, vamos entretidos a ouvir rádio e o tempo passa num instante. E se for uma viagem longa de autocarro?
            As viagens de autocarro podem ser super divertidas ou uma ‘seca gigante’. As viagens podem ser engraçadíssimas, divertidas se formos entretidos a ouvir música, tirar fotografias, a jogar cartas, tocar viola ou até mesmo a conversar com os amigos; ou pode ser uma ‘seca’ se não tivermos Aquele amigo que nos ouve o tempo todo, pode ser a falar sempre do mesmo mas apoia-nos e ajuda-nos a enfrentar os problemas. Esse amigo pode fazer a diferença, até o podemos ter mas ou é de outra turma ou é de outra escola. Já não vamos gostar da viagem se formos a pensar que os nossos amigos não vão, até pode ir um ou dois que gostemos muito mas não vai Aquele. Vamos desanimados e sem paciência para ouvir comentários por sermos diferentes do resto da turma. Já está a viagem toda nas nossas cabeças.
            Chegamos ao dia com estes pensamentos, já respirámos fundo e já arranjámos uns ‘phones’ para ouvir Jack Jonhson e Rui Veloso a viagem toda. ‘Vai ser uma viagem longa, espero que os bancos sejam confortáveis para poder ir bem’, pensamos nisto imensas vezes. Já que a viagem vai ser longa e gigante vamos giríssimos, é sempre bom ter a auto-estima bem alta. Os professores já fizeram a chamada, entrámos no autocarro. Acontece-nos imensas vezes ocuparem o lugar que queríamos por isso só temos uma coisa a fazer: ir para outro lugar qualquer, Sentamo-nos e as nossas pernas não cabem no espaço entre os bancos, acontece muito frequente às pessoas mais altas. Como é que a viagem pode correr bem se os espaços entre os bancos são pequenos? O que é que é preciso fazer para pensarem nas pessoas mais altas quando estão a desenhar os autocarros? Passámos a viagem toda a tentar arranjar uma posição confortável, sentámo-nos de todas as maneiras possíveis e imaginárias.
            A viagem já acabou mas continuamos a pensar porque é que os espaços entre os bancos não são maiores. As pessoas altas também têm o direito de poderem fazer viagens confortáveis onde possam esticar e dobrar as pernas tantas vezes como os outros. 

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

De que modo os conceitos de verdade, validade e corrupção e todo o discurso do Padre António Vieira encontram correspondência nos nossos dias?


            Padre António Vieira é um clássico, apesar de ter escrito ‘O Sermão aos Peixes’ num século diferente do nosso, o texto continua a ser actual. Neste texto o autor utiliza alguns conceitos como verdade, validade e corrupção em circunstâncias que nos nossos dias ainda são semelhantes. Quando Padre António Vieira escreveu ‘O Sermão aos Peixes’ corrupção era a fuga à verdade, e um facto para ser válido tinha de ser verdadeiro, ainda hoje é assim. Todo o discurso do Padre António Vieira tem correspondência com os nossos dias, os nossos antepassados têm sempre ligações connosco, continuam a ter razão. Padre António Vieira diz que o Mundo do Homens está cheio de corrupção, realmente estava no seu tempo, e agora? Continua a estar. Compramos as pessoas para fugir à verdade. Já era assim há uns séculos e sempre será.
(limite – 80 palavras. 138 palavras)

Vaidade e Corrupção

Padre António Vieira, escreveu este sermão á cerca de 4 séculos atrás. Nesta parte do sermão (parte V), são referidos conceitos como vaidade e corrupção e pergunta-se de como se relacionam os conceitos, um com o outro, e nos nossos dias.
É necessário reflectir como eles se relacionam. Numa época onde a inquisição dominava todos os cenários, económicos, políticos, sociais e cultural toda uma Europa que vivia um período de aparências.
 Numa Europa receosa de uma um ordem assassina em nome da cristandade, as massas viviam num clima festivo, as decorações dos edifícios mais frequentados, festividades excêntricas os estilos e sobretudo o clima de alegria eufórica como se não houvessem preocupações, ameaças, como se inclusive a inquisição não existisse.
Todos estes factores, interpelaram um estilo de vida fútil e perfeitamente condenável. Grandes monarcas que se preocuparam mais com a sua imagem do que com os seus deveres. Ilustres nobres que deviam ter protegido os seus compatriotas e se venderam por um punhado cheio de ouro ou de um título. Clérigos que rezavam em vão e pregavam valores que para eles era mais leve que um simples prazer carnal ou financeiro. Valores desvaneceram-se e deram lugar á ostentação.
Onde todos os valores falham. Deram o lugar à carência, à pobreza, à marginalidade e por fim à corrupção.
Se a corrupção, não tivesse surgido, a sobrevivência de um largo grupo de indivíduos não estaria garantida. Pois após milhões de anos de evolução, o Homem, não se pode afastar da regra mais fundamental de toda a vida. Sobreviver a qualquer custo.
Para sobreviver. Um propósito mais que justificado. A corrupção, começa no cruzamento de necessidade e do interesse. E não passa de uma actividade tanto de generosa como de macabra e desumana.
Nos dias que correm, dias esses, que são fúteis, inúteis e frustrantes. A corrupção ganha cada vez maior dimensão, em especial os países do sul da Europa, onde já é praticamente cultural (caso da Itália), as pessoas tendem em esquecer os valores, autoridades, deveres.
Porque nos tornámos novamente em indivíduos egocêntricos, onde o que a pessoa possui determina-a, e portanto, a necessidade de possuir o máximo e o melhor possível independente dos meios torna-se cada vez mais frequente.

Para um sermão que se debate sobre isto, no século XVII, para mim, parece que foi escrito ontem no “Público”. O facto, é que padre António Vieira, mestre da retórica, emprega conceitos, exemplos e narra com tanta astúcia e pormenor que chega a parecer, que esta atento aos casos correntes. “Apito Dourado”, “Face Oculta” etc.
O autor do sermão, foi um homem extraordinário, tentou salgar esta terra que simplesmente, não se deixa salgar. Está resolvido o mistério. “Porque após tantos séculos não mudámos?”.
Sempre mais á frente do seu tempo, padre António Vieira expõe problemas muito à frente do seu tempo e por isso ainda hoje é referido com frequência, porque ainda hoje precisamos

sábado, 5 de novembro de 2011

Capitulo IV (4º paragrafo)

Na passagem fala-se de pão e de homens, significando pão o mesmo que homens. Ao contrario dos outros comeres, como o peixe, a carne ou a fruta estes têm dias próprios para se comerem, enquanto o pão é o alimento do quotidiano, em que os homens não passam sem ele, e o comem com tudo. A passagem “ São o pão quotidiano dos grandes; e assim como o pão se come com tudo, assim com tudo e em tudo são comidos os miseráveis pequenos”, Vieira quer dizer como é natural aos homens alimentarem-se do pão todos os dias, como é natural explorar, passar por cima e aproveitar-se dos mais pequenos, ou seja, dos pobres e mais inofensivos. O padre António Vieira, faz uma pergunta aos peixes, essa interrogação, cativa os seus ouvintes e reforça a verdade que quer mostrar e é uma maneira de introduzi-la neles. Ao ouvirem o discurso do padre António Vieira, os peixes de uma maneira trivial abanam a cabeça, não se conformado com o que acabaram se ouvir. Sendo desconhecidos os modos dos homens estes ficaram bastante admirados, pois entre eles não há injustiças ou maldades, os peixes estão habituados a viverem em paz , tendo a capacidade de serem livres. Os homens estão acostumados a um ambiente de brutalidade de uns para os outros, em que nem os grandes estão a salvo, pois a sempre alguém maior que não só os engole a eles como a outros iguais. Esta característica dos homens e anormal aos peixes, sendo eles quem tem o discernimento, e cuidado que os homens por direito deviam ter, em vez disso tornam-se homens ignorantes e vaidosos. O padre António Vieira tem como objectivo de mudar os homens, ou pelo menos faze-los pensar, mesmo que não haja  uma mudança rápida.