quarta-feira, 4 de maio de 2011

«Alice no País das Maravilhas-Reflexão Pessoal»

Este livro que retrata o fantástico, foi escrito por Lewis Carrol. É a história de uma rapariga que através de um sonho vive a experiência mais emocionante da sua vida. Alice, vê-se transportada do mundo real para um mundo extraordinário, onde nada deveria fazer sentido e onde tudo deveria ser fora do comum. Após uma leitura atenta da obra pude destacar que esta retrata a evolução de Alice na procura de si própria Alice é uma pré-adolescente e, durante o processo de crescimento surgem diversas dúvidas e diversas questões para as quais nunca encontramos respostas ou soluções. Quando nos encontramos na adolescência passamos por uma crise de identidade, crise esta que dará origem àquilo em que nos tornamos. São as nossas dúvidas, as nossas questões e aquilo que cremos que fazem de nós o que somos. Alice, ao longo da obra, tenta encontrar-se, tenta definir padrões com que se possa identificar. Quando estamos prestes a ser adolescentes ou quando já o somos, surge uma tendência para querermos crescer, mas não deixar o passado para trás. Queremos permanecer numa idade intermédia que nos remeta para a idade adulta, mas nos deixe ser crianças quando assim o necessitamos. O sonho de Alice demonstra-nos o que acabei de referir. Esta não sabe quem é, mas sabe que não é outra pessoa, ou seja, ela tenta identificar-se com outras pessoas ao longo da obra, mas não consegue. Porque ela não é “elas”, mas também não é ela própria. Esta instabilidade emocional provém de um auto-conhecimento a que esta é submetida e com a qual esta tem de aprender a lidar. Entrar na adolescência é um processo complexo que envolve muito auto-contrôlo e muita confiança. É um novo mundo para descobrir, e, talvez o “país das maravilhas” seja a sua representação concreta e absoluta. Ao crescermos ganhamos responsabilidade e conhecemos o desconhecido, aquilo que para nós, que éramos inocentes crianças, parecia não existir. E, para mim, o fantástico do livro está a representar isso mesmo; aquilo que é totalmente estranho, mas com que temos de aprender a conviver e a lidar porque fará parte daquilo que somos e daquilo em que temos de acreditar. O crescimento é isso mesmo, contínuo, mas divide-se em fases. A adolescência é apenas mais uma delas. Uma fase preenchida por diversas emoções e diversos medos que assolapam o nosso ser e nos fazem descobrir quem somos, não apenas com quem nos identificamos, mas qual a nossa personalidade, aquilo pelo qual nos interessamos e as nossas atitudes perante as mais bizarras situações. A adolescência é um teste que nos prepara para ser adultos.
Ao longo do livro apercebi-me disso. Apercebi-me que as oscilações de tamanho de Alice, nos demonstram uma fase acriançada e uma fase já adulta e ela sente-se totalmente confusa por não se conseguir identificar com nenhuma destas, ou seja, por sentir que não pertence nem uma, nem a outra.
Todo este conceito de crescimento e de incerteza em relação a este mesmo está patente ao longo da obra:
“- Quem és tu? – perguntou.
Não era um princípio de conversa nada animador. Alice retorquiu, com bastante timidez:
- Eu... eu..., neste momento nem sei, minha Senhora... sei pelo menos quem eu era quando me levantei esta manhã, mas acho que devo ter sido transformada muitas vezes desde então”
Nesta conversa entre a lagarta e Alice, esta demonstra uma dificuldade em caracterizar-se e definir-se. Está a passar por uma crise de identidade, o que é bastante frequente quando se trata da adolescência e do processo de crescimento.
“- Valha-me Deus! Que esquisito que isto está hoje! E ainda ontem as coisas se passaram como de costume! Será que eu me transformei durante a noite? Deixa-me cá ver: seria eu a mesma pessoa quando me levantei esta manhã?”
É uma conversa de Alice consigo própria para conseguir encontrar o ponto da situação e conseguir aceitar todas as mudanças pelas quais estava continuamente a passar e com as quais tinha de aprender a lidar. Existem mais exemplos bem explícitos ao longo de todo o livro.
Talvez muitas outras obras, sejam como Alice, não apenas destinada às crianças e aos mais imaturos, mas àqueles que têm o poder de ver para além das palavras. Através de um segundo sentido que nem sempre os nossos olhos podem detectar. Julguei que Alice fosse apenas um conto infantil, e, nunca pensei, que pudesse tirar tanto partido de uma obra literária que supostamente é destinada aos mais pequenos. O livro “Alice no País das Maravilhas” surpreendeu-me positivamente. Não apenas pelo facto de se aplicar a todas as idades, mas pela noção que me deu sobre o crescimento e a corda bamba pela qual temos de passar para nos encontrarmos e acima de tudo, para sermos aquilo que somos sem qualquer porquê e sem qualquer justificação, apenas porque nos sentimos bem connosco próprios.

Sofia Pedro

Tese sobre o livro "Alice no País das Maravilhas"

A história da obra “Alice no País das Maravilhas”, da autoria de Lewis Carrol, é baseada num mundo irreal e imaginário, onde tudo o que é paranormal é aceite como habitual e usual, desde o facto de os animais falarem e tomarem chá, até àquele em que cartas de jogar são jardineiros; mas, na realidade, tudo não passa de um sonho de criança.
Ao longo de todo o livro, Alice debate-se com crises de identidade, visto que o seu tamanho vai sendo irregular, dificultando, assim, o processo de entendimento em relação à sua pessoa.
Quando Alice se depara com os seus diferentes tamanhos, dá-se conta que não tem a certeza de quem é, se é, ou não, a mesma que naquela manhã estava sentada ao pé de uma árvore, juntamente com a sua irmã mais velha. Para conseguir ultrapassar este dilema, tenta fazer vários testes, de modo a conseguir entender se continua igual, comparando-se com as suas amigas e com conhecidas, esperançosa de encontrar, finalmente, resposta para a pergunta “quem sou eu?”. Esta questão irá atormentá-la até ao final do livro.
Apesar de se encontrar num mundo irreal, Alice continuava a ser ela própria, tentando sempre mostrar que, apesar de “mimada”, até era uma rapariga inteligente. Esta personagem revela uma grande imaturidade, que passa por achar que aquilo que quer tem de ter e que ninguém tem o direito de a corrigir, ou de se mostrar mais importante. Por estes factores, outras personagens consideravam-na muito empertigada e “dona do seu nariz”.
Para além da relação sujeito consigo próprio e com os outros, o livro debruça-se também sobre os temas do poder e da justiça.
Os mais poderosos (os mais fortes) têm sempre poder sobre os mais inofensivos, os que não se podem defender.
Como exemplo, temos um pequeno poema, que está integrado na parte final do capítulo terceiro. Todo ele tem como tema principal o poder de julgar e de ser julgado. Neste caso, a Fúria (figura superior) afirma que o pequeno rato tem de ser julgado de imediato, naquele mesmo dia, sem deixar qualquer hipótese a uma recusa do rato. A discussão prende-se com o facto de o rato não poder ser julgado se não estiverem presentes o juiz e o jurado mas, como a Fúria tem um poder superior, por ser maior, afirma que ela própria será os dois. Afinal, o seu principal objectivo era comer o rato, de uma forma ou de outra, encontrando como argumento que ele terá de ser julgado.
No final do livro, é visível outra situação idêntica, quando o Rei acusa o Valete de ter roubado as tortas da Rainha, sem ter provas que o incriminassem, mesmo depois de todos os depoimentos e de todas as evidências indicarem a sua inocência. Como a figura superior apresentada é a do Rei, e a sua vontade será determinante, o Valete acaba por ser declarado culpado, mostrando, mais uma vez, o facto de que quem pode julgar fá-lo, independentemente das provas que existam.
Apesar de tudo não passar de um sonho de Alice, ela conseguiu crescer um pouco mentalmente, apercebendo-se de que nem tudo aquilo que, às vezes, gostaríamos de ter, ser, ou fazer é o ideal, e de que, em algumas situações, a realidade acaba por ser melhor do que certas fantasias.
Mariana Esteves

JUSTIÇA?

    No livro “Alice no pais das maravilhas” existem muitas esquisitices que aparentam ser apenas isso, mas como nem tudo o que parece é, depois da leitura e compreensão da obra podemos observar que as coisas não são tão superficiais quanto isso e que o que está num livro de literatura infantil pode não ser assim tão infantil e inocente, como tal, o tópico que eu escolhi desenvolver foi o conceito de justiça, justamente por despertar alguma curiosidade em termos de relação existente entre conceito de justiça/ exercício de poder e a mentalidade da Alice.
    No livro a ideia de justiça consiste na lei do mais forte e como exemplo disso temos a história do rato e a Fúria (cadela). A cadela acusou o rato dum “crime” que ele nem cometeu, dizendo que seria ela própria que o ia julgar e condenar. A Fúria abusava do poder do seu físico, era bem maior que o rato o que na obra que lemos lhe dava muito mais autoridade para fazer o que ela quisesse e na atitude dela também podemos ver uma certa corrupção.
    Na minha opinião existe uma relação entre o rato e a cadela e a vida da Alice, ou seja, a Alice é uma criança e quando somos pequenos estamos constantemente a ouvir que os adultos é que têm razão, ou que o irmão mais velho é que sabe, talvez tenha sido isso a levar a Alice a sonhar com essa situação do rato, pois ela entrou na pele do dele e viveu toda aquela situação como se fosse com ela.


"Alice no país das maravilhas"

O livro "Alice no pais das maravilhas" de Lewis Carroll é um livro que deixa muitas perguntas com respostas em aberto. É um livro que tem muitos tópicos que suscitam alguns, ou até muitos problemas.É enfim um mundo diferente e ousado, principalmente.

É um mundo ao contrário que vai no caminho certo.

Vou tentar apresentar neste texto uma reflexão sobre o tópico que para mim suscita mais problemas e apresenta mais dúvidas, o conceito de justiça (que acaba por não ser muito diferente do nosso).Este assunto para mim foi o que me mexeu mais com a cabeça, ou pelo menos que me fez pensar mais. Quer dizer, como é que num mundo daquele género, diferente do nosso em quase todos os aspectos tem uma noção de justiça.Quer dizer, numa dada altura do livro Alice é arrastada para um julgamento. O objectivo do mesmo era descobrir quem tinha roubado as tartes da rainha. O tribunal estava cheio, e o principal suspeito era o valete, mas até aqui tudo bem, mas a razão para o valete ser o único suspeito era, basicamente, nenhuma. A rainha decidiu que era ele o culpado, e não havia nada a fazer, o julgamento, posso dizer, era meramente para satisfazer os habitantes do País das maravilhas. Para dar uma ilusão de justiça num julgamento que era tudo menos justo. A existência de provas, é alias, um tópico desinteressante para quem quer "justiça", ou seja, a rainha. E é tão desinteressante que elas nem sequer existem mas o julgamento avança na mesma. O valete vai ser julgado mas com a sentença já escrita. E para mim é aqui que os nossos dois mundos se aproximam. No mundo real, chamemos-lhe assim, há imensos julgamentos em que o réu vai a julgamento por mera formalidade. E infelizmente isto é por muitas vezes o mais justo que se arranja. Porque quer queiramos ou não, o mundo é tudo menos justo, e quando é justo para uns, não o é para outros. E é assim que as coisas funcionam e hão-de sempre funcionar.

Daí o conceito de jusiça no livro " Alice no país das maravilhas" não ser muito diferente do nosso, sendo até mais parecido do que pensamos...

Pedro Mateus

terça-feira, 3 de maio de 2011

«Alice no País das Maravilhas-Reflexão Pessoal»

Em ''Alice no País das Maravilhas'' faz-nos entender como funciona o subconsciente de uma criança, Alice, que está a um passo de se tornar adolescente.
Todo este sonho gira em volta de situações, atitudes, emoções com que a menina se vai cruzar ao longo da sua vida, partindo do início da adolescência.
Na minha perspectiva, o sonho de Alice reflecte inconscientemente todos os seus medos, as suas inseguranças e todas as tuas formas de agir e reagir quando se tornar numa mulherzinha.
Como é normalíssimo, a adolescência é um período de grandes dúvidas tanto quanto em relação a nós próprios como também em relação ao resto do mundo, e Alice não foi excepção.
A dúvida da própria existência consumiu Alice e nem ela própria sabe lidar com isso, por isso ao longo de toda a história ela se questiona sobre quem é ela afinal, onde até chega mesmo a pensar que poderá ser uma das suas amigas.
Alice sofre várias transformações de tamanho ao longo de todo o livro e que talvez, na minha opinião, estas demonstram, uma avaliação de todos os prós e contras, sobre deixar de ser uma criança para se tornar em adolescente.
O facto de quando Alice se encontra maior em tamanho, faz com que ela se sinta mais confiante de si mesma, mais crescida, com uma superioridade nunca antes sentida, e destemida para conseguir e poder enfrentar o mundo que a espera lá fora. Mas, quando o seu tamanho diminui, Alice volta a sentir-se a criança inofensiva, inocente e impotente que ainda não deixou de ser, o que eventualmente reflicta a vontade desta menina, de crescer.
Alice, à medida que a história vai avançando, começa a descobrir o conceito de (in)justiça, quando se cruza com uma rainha de copas, que não dá o mínimo de valor à vida, e que manda decapitar imensas criaturas daquele mundo, por qualquer motivo que lhe pareça razoável.
Na minha opinião toda esta injustiça com que a criança se depara no País das Maravilhas talvez possa ser um dos contras relativamente ao seu crescimento, pode ser uma demonstração do mundo real onde ela vive, representado pelo seu subconsciente, um mundo cruel e injusto. Para mim, tudo o que acontece nesta obra, é uma espécie de preparação, para que Alice esteja prevenida para a nova fase da sua vida, e que a sua infância ficou para trás.

Quando eu era criança e me contaram pela primeira vez a história de Alice no País das Maravilhas, eu nunca a interpretei deste modo, mas de repente apercebo-me de que tudo tem uma segunda intenção, apenas é necessário não sermos inocentes o suficiente para a descobrir.

Mariana Castro

Dissertação de Português:

1.    Introdução:


 “Alice no país das Maravilhas” é título a que se pode associar perfeitamente a literatura infantil. Quem o lê inocentemente como apenas uma história de encantar, sobre um rapariga que do nada se vê envolvida num enorme enredo, onde animais falam, têm personalidades e desempenham as funções mais humanas e normais possíveis, e descobre que tudo isso foi um simples sonho.
Li uma obra que ao princípio pensava, ser simples e imatura, antecipei-me, tirei conclusões precipitadas, sobre uma obra que tal não merecia.
Ao longo da leitura, bastante guiada pelo professor, alguns aspectos chamaram-me á atenção, irei referir no próximo tópico. A análise de todos esses aspectos, foi possível, averiguar que a história não era somente uma história infantil, mas de reflexão subconsciente dessa mesma menina (Alice).
Em conclusão desta introdução, foi uma obra rica em quase todos os aspectos. Com outro olhar, foi possível, ver o que antes era praticamente ou pelo menos quase invisível, foi com a análise detalhada e competente que se descobriu um “código” por detrás de uma simples, bela e rica história.


2.    Reflexão:
O inicio da obra (nomeadamente o capitulo I e II) dão-nos a introdução de toda a obra, que deve estar sempre presente na nossa mente pois contém elementos essenciais para a compreensão de aspectos mais adiante.
Nomeadamente, a utilização das palavras. Alice desde cedo demonstra um vocabulário bastante rico, para o seu nível de idade. Mas com que objectivo, quais são as intenções que a levam a utilizar esse vocábulo? Na medida em que pretendo responder a esta questão, aponto os exemplos do capítulo I[1]. Nesses precisos momentos é quase impossível não perceber que a única e a verdadeira intenção de utilizar as palavras, não para expressar o que sente ou que quer transmitir. Mas de facto, procura causar um impacto positivo da sua imagem. Uma imagem intelectual, de cultura e de maturidade. De facto para ela o significado nada de interessa se as palavras não são para completar frases, mas para dar tal como referi, a imagem.
Se me é permitido dizer, as palavras “pomposas” são ocas. Não têm qualquer tipo de função explicativa ou ilustrativa, mas representativa.
Anteriormente referi que as palavras transmitiam a ideia de maturidade, porque de facto esta obra não se trata somente de aspectos casuais como estes, mas de todo uma introspecção subconsciente da Alice sobre si mesma, sobre as suas mudanças que está a sofrer.
Dentro dos seus próprios pensamentos conseguimos identificar a luta com que ela se depara. Um claro exemplo aparece no fim do primeiro capítulo[2]. Na medida de uma transformação da sua pessoa, personalidade e ser. Uma metamorfose completa, se assim se pode dizer. Ao longo da obra é possível ser testemunha desse crescimento, o abandono da idade da inocência (fraca noção do correcto e incorrecto), ao identificar progressos da personagem, na medida em que confrontada por uma situação semelhante a uma outra vivida. Ela reflecte e conclui mediante os resultados e consequências da experiência passada. De modo a tentar uma abordagem diferente para que não erre. Quase que se aparenta a uma situação digna de “existencialismo” (corrente filosófica).
Este conjunto de peripécias, marca a sua relação com os outros, a sua inocência, ingenuidade acaba por inúmeras vezes ofender personagens, a sua ingenuidade no entanto, consegue talvez subconscientemente defender aquilo que acreditar, e expressar-se como tal, sem temer alguma repressão ou consequência por parte do destinatário, um bom exemplo disso é no fim do segundo capitulo. Quanto Alice se dirige a um rato e fala-lhe sobre a sua gata, o rato presa do gato, não gosta do tema, contudo Alice pede-lhe desculpa mas no entanto continua a falar-lhe sobre a Dinah (gata da Alice).
Isto passa-se uma única vez, pois partir desse constrangimento do rato, desde esse momento em diante a protagonista lembra-se desta experiência, tira as suas conclusões e evita ir pela mesma solução, para procurar resultados diferentes nos outros sujeitos.
Ainda neste tema, Uma das mais famosas características da Alice, é, na minha opinião, a sua ingenuidade. A Alice é retratada como sendo uma criança bastante jovem, contudo, madura. E é esta combinação que traz a sua enorme personalidade sobressair sobre os diálogos, desde os seus pensamentos aos seus discursos, Alice torna-o ingénuo mas de uma forma estratégica e/ou intelectual. A partir dos seus reparos perspicazes, somos capazes de formar juízos complexos.
Na questão do exercício de poder, apenas podemos fazer um juízo sobre apenas duas personagens. Monarcas, essencialmente. Destes dois mesmos, podemos distinguir a rainha.



A rainha a meu ver (a partir das observações da Alice), este monarca, é uma pessoa, agridoce. Na medida que pode demonstrar a sua simpatia e virtude, de forma bruta mas ao mesmo tempo assertiva. Tanto ou mais bruta e rude, é a sua forma de exercício de poder, podia afirmar-se que é uma tirana, Querendo a execução de homens, simples que apenas cometem pequenos erros ou fazem cometem acções que simplesmente não foram autorizadas ou planeadas pela rainha, são condenados à decapitação, sem grande consideração pela vida humana.
O senso de poder da rainha, é fraco, não demonstra qualquer tipo de respeito, pelo seu cargo, dignidade e sobretudo a competência para o cumprir devidamente. Na sua consciência, as suas ordens são consideradas perfeitamente normais, quotidianas. O exercício do poder é feito com uma enorme leviandade, sem análise das consequências que os outros sofrem, a rainha administra-se em vez de administrar um reino, sendo egocêntrica e totalitária. Neste parâmetro é possível associar a administração política, uma autêntica infantilidade, podemos deduzir que a ideia da justiça sob essa administração, será uma notória paródia, sem processos competentes como a nossa realidade insiste, investigações, acusações, argumentos, alegações, contra-alegações e outros sistemas que completam o circuito judicial. Acontece que o capitulo XI, precisamente o do julgamento, pinta com todos os lápis a imagem que acabei de referir. A justiça é o organismo mais nobre da sociedade, e é um claro reflexo desta, ora se a sociedade presente no livro é administrada por uma tirana mal-humorada que sugere a decapitação como a derradeira solução para todas maleitas das pessoas e do seu reino, é evidente que a sociedade e por consequente justiça, não poderiam estar sãs, ou seja, estabelece-se um circuito de consequências. Acontecimento 1 provoca o 2, que mais tarde desencadeia 3. E acho que é isso que o autor procurou retratar, codificado é certo, mas a mensagem na minha opinião é esta.

3.    Conclusão:
Concluiu-se portanto que este livro “Alice no país das maravilhas” é, como referi na introdução uma obra, com aparência infantil. Tal como a personagem toma, por vezes, temas e apresenta conteúdos, maturos. Exemplo a metamorfose da Alice, o seu julgamento sobre o seu crescimento, enquanto pessoa e ser.
Por isso posso de facto, concluir com assertividade que esta obra é uma peça de literatura, uma vitamina, se me permitem. Uma vitamina que nos permite ser mais saudáveis enquanto leitores, evidentemente. Mas acima de tudo uma vitamina de decência e seriedade. Algo que nós não temos hoje em dia, este livro é um reforço. Para que todos os dias, sejamos capazes de pensar no antes para fazer melhor hoje e ainda melhor no amanhã.                                                                                                           



[1] Citação: “…a que Latitude ou Longitude terei chegado? – (Alice não fazia a mínima ideia do que era a Latitude, nem a Longitude, mas achava que eram palavras pomposas para se dizer) … parece-me que são os antipatas … - (sentiu-se bastante satisfeita por desta vez não haver ninguém que a ouvisse, já que aquela palavra não lhe soava nada bem) ”
[2] Citação: “… pois esta criança tão especial gostava muito de fingir que era duas pessoas…”

Tese sobre o livro "As Aventuras de Alice no País das Maravilhas"

Neste livro de “As Aventuras de Alice no País das Maravilhas” de Lewis Carroll tudo se passa numa dimensão entre o mundo real e o mundo da fantasia, onde os animais falam e têm atitudes humanas. Alice é uma criança do mundo real mas com pensamentos e sonhos extraordinários, que embora possam existir na realidade, fazem parte da sua fantasia.
 Este livro tem como principais perguntas, “quem sou eu?” ; “como sou eu?” e “o que sou eu?”. Ao longo do livro, Alice tenta descobrir a resposta a todas estas perguntas, sem sucesso. Quando é confrontada pela lagarta com a pergunta “Quem és tu?”, Alice não consegue responder e sente-se confundida com tantas mudanças físicas por que tem passado, como o seu aumento e a sua diminuição constante de tamanho e a única certeza que tem é a imagem que tem do mundo real, ou seja antes de ter entrado na toca do coelho.
Assim, apesar de saber que está num mundo fantástico, Alice não se afasta totalmente do mundo real, continuando com as suas atitudes de criança, o que a leva a nunca, estar satisfeita com o tamanho que tem, querendo sempre mudar, pois cada tamanho (do mundo dos sonhos) tem uma consequência que Alice inicialmente gosta e lhe convém para conseguir algo, mas quando se encontra na nova situação, deparam-se-lhe novas dificuldades para poder fazer o que se lhe é “pedido”. Podemos encarar este exemplo como uma espécie de metáfora para as decisões que tomamos no nosso dia-a-dia (real), pois embora num primeiro momento possamos ficar satisfeitos (real e fantasioso), cada uma leva sempre a uma consequência, que acabará por poder ser do nosso agrado ou não (real).
Outro tópico que é bastante importante neste livro, é a ideia de justiça, o seu significado e a forma de como esta é exercida no mundo real e no mundo de fantasia (o País das Maravilhas).
Se formos procurar ao dicionário (do mundo real) o conceito de justiça encontramos o seguinte significado: “conformidade com o direito; poder judicial; equidade”… mas no País das Maravilhas tudo é diferente, logo este significado não é o mesmo nos dois mundos. Assim neste mundo de faz de conta, a palavra justiça é apenas utilizada por ser uma palavra, que como Alice gosta de dizer, “pomposa”e muitas vezes confundida como uma forma de obter algo que se quer. Como se refere no poema do rato, no III capítulo do livro, trata-se sobretudo de uma forma de Fúria (o gato) comer o rato de cabidela ou de caldeirada, algo que no nosso mundo (pelo menos teoricamente!) não seria aceitável, pois não se pode exercer justiça quando está subjacente servir para incriminar alguém ou tirar partido dela ou de uma situação.
 Já durante o julgamento sobre quem roubou as tartes, presente nos capítulos XI e XII, a justiça é exercida apenas pelo Rei, que durante todo o julgamento acusa o Valete de ser o culpado do roubo, não querendo saber se existem ou não provas contra este. Neste caso a acusação contra o Valete resulta apenas do “porque sim”, justificação esta que no mundo real não basta e não é aceite (nem mesmo as crianças do mundo real se convencem com esta resposta!). Tanto neste julgamento feito pelo rei como na vontade de Furia em comer o rato, a aplicação da justiça baseia-se no interesse em que o acusado tenha algum tipo de pena e assim se exerce também o poder do mais forte sobre o mais fraco. Na nossa realidade, para haver acusação pressupõe-se haver provas contra determinada pessoa ou situação.
Assim, no País das Maravilhas é-nos dada a ideia de um local onde tudo é possível, extraordinário e fora do comum, o local onde podemos ser nós próprios sem sermos julgados… onde todos nós um dia gostaríamos de ir!
Em jeito de resumo desta reflexão sobre a relação de Alice consigo própria e com os outros, sobre a ideia de justiça e sobre o exercício do poder, transcrevo uma frase de Lewis Carroll que consta do livro “Alice no País das Maravilhas” que acho que serve para estes três tópicos:
“Aonde fica a saída?", Perguntou Alice ao gato que ria.
”Depende”, respondeu o gato.
”De quê?”, replicou Alice;
”Depende de para onde queres ir...”

Mafalda Vilhais