terça-feira, 3 de maio de 2011

Tese sobre o livro "As Aventuras de Alice no País das Maravilhas"

Neste livro de “As Aventuras de Alice no País das Maravilhas” de Lewis Carroll tudo se passa numa dimensão entre o mundo real e o mundo da fantasia, onde os animais falam e têm atitudes humanas. Alice é uma criança do mundo real mas com pensamentos e sonhos extraordinários, que embora possam existir na realidade, fazem parte da sua fantasia.
 Este livro tem como principais perguntas, “quem sou eu?” ; “como sou eu?” e “o que sou eu?”. Ao longo do livro, Alice tenta descobrir a resposta a todas estas perguntas, sem sucesso. Quando é confrontada pela lagarta com a pergunta “Quem és tu?”, Alice não consegue responder e sente-se confundida com tantas mudanças físicas por que tem passado, como o seu aumento e a sua diminuição constante de tamanho e a única certeza que tem é a imagem que tem do mundo real, ou seja antes de ter entrado na toca do coelho.
Assim, apesar de saber que está num mundo fantástico, Alice não se afasta totalmente do mundo real, continuando com as suas atitudes de criança, o que a leva a nunca, estar satisfeita com o tamanho que tem, querendo sempre mudar, pois cada tamanho (do mundo dos sonhos) tem uma consequência que Alice inicialmente gosta e lhe convém para conseguir algo, mas quando se encontra na nova situação, deparam-se-lhe novas dificuldades para poder fazer o que se lhe é “pedido”. Podemos encarar este exemplo como uma espécie de metáfora para as decisões que tomamos no nosso dia-a-dia (real), pois embora num primeiro momento possamos ficar satisfeitos (real e fantasioso), cada uma leva sempre a uma consequência, que acabará por poder ser do nosso agrado ou não (real).
Outro tópico que é bastante importante neste livro, é a ideia de justiça, o seu significado e a forma de como esta é exercida no mundo real e no mundo de fantasia (o País das Maravilhas).
Se formos procurar ao dicionário (do mundo real) o conceito de justiça encontramos o seguinte significado: “conformidade com o direito; poder judicial; equidade”… mas no País das Maravilhas tudo é diferente, logo este significado não é o mesmo nos dois mundos. Assim neste mundo de faz de conta, a palavra justiça é apenas utilizada por ser uma palavra, que como Alice gosta de dizer, “pomposa”e muitas vezes confundida como uma forma de obter algo que se quer. Como se refere no poema do rato, no III capítulo do livro, trata-se sobretudo de uma forma de Fúria (o gato) comer o rato de cabidela ou de caldeirada, algo que no nosso mundo (pelo menos teoricamente!) não seria aceitável, pois não se pode exercer justiça quando está subjacente servir para incriminar alguém ou tirar partido dela ou de uma situação.
 Já durante o julgamento sobre quem roubou as tartes, presente nos capítulos XI e XII, a justiça é exercida apenas pelo Rei, que durante todo o julgamento acusa o Valete de ser o culpado do roubo, não querendo saber se existem ou não provas contra este. Neste caso a acusação contra o Valete resulta apenas do “porque sim”, justificação esta que no mundo real não basta e não é aceite (nem mesmo as crianças do mundo real se convencem com esta resposta!). Tanto neste julgamento feito pelo rei como na vontade de Furia em comer o rato, a aplicação da justiça baseia-se no interesse em que o acusado tenha algum tipo de pena e assim se exerce também o poder do mais forte sobre o mais fraco. Na nossa realidade, para haver acusação pressupõe-se haver provas contra determinada pessoa ou situação.
Assim, no País das Maravilhas é-nos dada a ideia de um local onde tudo é possível, extraordinário e fora do comum, o local onde podemos ser nós próprios sem sermos julgados… onde todos nós um dia gostaríamos de ir!
Em jeito de resumo desta reflexão sobre a relação de Alice consigo própria e com os outros, sobre a ideia de justiça e sobre o exercício do poder, transcrevo uma frase de Lewis Carroll que consta do livro “Alice no País das Maravilhas” que acho que serve para estes três tópicos:
“Aonde fica a saída?", Perguntou Alice ao gato que ria.
”Depende”, respondeu o gato.
”De quê?”, replicou Alice;
”Depende de para onde queres ir...”

Mafalda Vilhais
A ideia de (In)Justiça
O conceito de justiça é, na minha opinião, muito relativo.
A justiça diz respeito à igualdade de todos os cidadãos. É o principio básico de um acordo que tem como objectivo manter a ordem social através da preservação dos direitos na sua forma legal.
Na história “Alice no País das Maravilhas”, o conceito de justiça não respeita esta ordem. Nesta história justiça é utilizada como a Injustiça.

Podemos observar actos de injustiça neste conto quando o rato conta a Alice a sua razão para detestar cães e gatos. Esta história baseia-se na teoria de prepotencia. Na história, o rato é apanhado pela cadela do quintal e é julgado por ter ofendido a cadela. Esta quer levar o rato a tribunal, mas o rato recusa-se, dizendo que aquela situação não fazia sentido algum. O rato apela ainda que não existe nenhum juíz ou jurado que o pudesse julgar. Aqui é que se encontra a teoria de propotencia. A cadela acha-se suficiente para ter o papel de ofendida e ao mesmo tempo de juíza, não dando hipotese nenhuma ao rato de se desculpar ou sequer de esquecerem o assunto. Esta teoria significa que a justiça não é igual para todos e, neste caso, a cadela julga-se superior ao rato, tornando-o assim inferior a ela.
Podemos também ler nos últimos capítulos do livro o Julgamento do Valete, pelo suposto roubo das tartes. Neste Julgamento, a rainha acusa o valete sem provas nenhumas e até com provas que fazem deste inocente. Podemos então ver, que aqui, a ideia de Justiça se encontra destorcida. Em vez da justiça dizer respeito à igualdade entre cidadãos, a Justiça, na história diz apenas respeito ao bem-estar Rainha e dos restantes ‘membros da realeza’ pois é assim que estes acham que deve ser. Alice revolta-se contra esta situação, pois sendo uma criança tem uma noção básica do conceito de justiça e consegue perceber que o que está a ser feito naquele julgamento não é justo, nem por sombras.
A justiça é diferente aos olhos de todos, mas no geral todos sabemos o que é o bem e o mal; o justo e o injusto. Alice depara-se numa situação de mal e de injustiça relativamente ao Valete, que é acusado de um crime que não cometeu.
A rainha tem o poder nas suas mãos e pensa que é livre de julgar, mas esquece-se que tem de obedecer às regras da justiça. Esta julga tudo e todos, porque lhe apetece. Corta cabeças a quem a enfrentar, ou apenas a quem a perturbar minimamente.
A história de Alice, representa um pouco do mundo real, pois nem na história nem no nosso mundo assistimos frequentemente a actos justos, até pelo contrário. O conceito de justiça na história de Alice é, infelizmente, a realidade no mundo real. Mas será que o objectivo do livro não é mesmo esse?
Assim, podemos facilmente reparar que a ideia de justiça muda de cultura para cultura e que no conto ‘Alice no País das Maravilhas’ a justiça não está presente.
 E será que está presente no Mundo real?
Mariana Dinis

Dissertação sobre a Alice.

Alice no País das Maravilhas

            Um dos tópicos propostos, assim como um que suscitou problemas nas aulas, foi o da utilização de palavras não pelo seu significado, mas sim por soarem “pomposas” ou especiais a Alice ou ao interveniente que as utiliza.
            É algo de notar que não é apenas neste livro que esta situação acontece. Também no “Do Outro Lado Do Espelho” isto é referido, no seguinte trecho, por exemplo.
-“Quando uso uma palavra” disse Humpty Dumpty num tom deveras desdenhoso, “esta significa apenas o que eu quero que signifique – nada mais, nada menos.”
De alguma maneira, podemos pensar que Alice usa as palavras porque as acha pomposas, pois ainda é jovem e não sabe o que estas significam. Mas como as ouviu em algum lado e gostou da maneira como soavam, resolveu dizê-las para “ver” (ou ouvir) se estas ficavam bem na frase. Para o fim do livro, existe uma situação em que Alice usa uma palavra que normalmente consideraria pomposa, mas usa-a de modo correcto. Daqui podemos retirar uma série de conclusões, algumas precipitadas, das se relevam as teorias de que isto mostra que Alice está a crescer, e também a minha ideia pessoal que isto nos revela o fim do sonho de Alice. Em conjunto com outros factores, tais como o crescimento repentino de Alice, sem esta ter ingerido algo, podemos pensar que o sonho está a chegar ao fim, tal como partes dos sonhos que temos no dia-a-dia são coisas que nos aconteceram enquanto sonhávamos (ex: o baralho de cartas cai em cima de Alice, e quando esta acorda, a irmã está a tirar lhe as folhas secas que caíram da árvore sob a qual estavam).
            Pude ainda reparar que, após alguma pesquisa, encontrei o “capítulo perdido” do livro “Do Outro Lado Do Espelho”. Este chama-se “Uma Vespa Numa Peruca” literalmente traduzido, e aqui vi que Alice (presumivelmente mais velha, pois no princípio do livro esta encontra-se a brincar com os filhos de Dinah, a sua gata), ao falar com a Vespa, está a ler uma notícia do jornal e lê uma palavra que a Vespa diz que não existe. Perante esta reacção, Alice tem uma atitude mais “madura” pois parece saber que tal expressão existe e não é só por soar bem que esta a usa.
            Uma personagem que teve uma referência a este comportamento foi o Rei, no último capítulo de “Alice no País das Maravilhas”, no seguinte trecho:
-“Isso é muito relevante” disse o Rei, virando se para o júri. (…) quando o Coelho Branco interrompeu “irrelevante é o que vossa Majestade quer dizer, com certeza”. (…)
“Irrelevante, queria eu dizer” (…)”relevante, irrelevante, relevante, irrelevante…” como se estivesse a tentar perceber qual soava melhor.
            Isto demonstra que o Rei, tal como Alice no princípio do livro, utilizou as palavras de acordo com a que soava melhor. Tudo isto pode ser conectado, de novo, ao crescimento mental de Alice e à maneira como certas coisas ficam para trás na nossa infância, sendo o Rei uma parte de Alice, a parte que escolhia as palavras por serem pomposas e bonitas e não por terem significado.
            No princípio de “Alice no País das Maravilhas”, Alice utiliza as palavras “Longitude”, “Latitude” e “Antipatas” (em vez de antípodas) apenas porque são “pomposas”, apesar de quando utiliza a palavra “Antipatas” parece ter alguma noção do significado desta, pois esta não lhe soou tão bem quanto desejaria. Isto remete-nos, mais uma vez, para variar, para o crescimento mental de Alice. Mesmo antes de nos apercebermos que tudo o que Alice vive é um sonho, recebemos a mensagem de que aqueles acontecimentos são uma passagem da infância para uma idade mais avançada.
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Conclusão
            Com a leitura de “Alice no País das Maravilhas”, e complementando com “No Outro Lado Do Espelho” e “As Aventuras de Alice No Subsolo”, podemos verificar que existem várias situações onde as palavras não são utilizadas com os seus significados, mas sim com os significados que os intervenientes querem que estas tenham. Nas palavras de Humpty Dumpty em “ No Outro Lado Do Espelho”:
            -“Quando uso uma palavra, esta significa apenas o que eu quero que signifique – nada mais, nada menos.”
                Portanto, as palavras têm repercussões completamente diferentes do que se fossem usadas da maneira correcta, ou com o seu respectivo significado. Apesar da ideia de Alice de “Latitude” e “Longitude” ser inexistente, esta demonstra ser algo correcta, pois esta utiliza-a para questionar a sua localização na terra.
            Nestes livros os significados das palavras não têm grande importância, pois o que importa é o significado que a personagem lhe quer incutir.
            Toda esta ideia de os significados não terem importância perde se à medida que o tempo avança, pois Alice “começa a ter noção” que no resto da sua vida não pode haver essa ideia. Seria absurdo nos dias de hoje responder a um teste com algo do estilo: “a frase é subordinada e latifundiária”. Para as personagens do livro, como é óbvio, é apenas necessário dizer as palavras e esperar que estas tomem sentido no sentido das outras pessoas.
            Depois de toda esta trapalhada inconsistente que faz parte do meu cunho pessoal de trabalho, concluo dizendo que nada na “Alice” é o que parece. Tudo tem o seu segundo significado, tudo tem algo mais que se lhe diga. É uma obra que não é fisicamente extensa, mas com ela podemos dar largas à imaginação e retornar a algo que fomos quando éramos (um pouco mais do que somos agora) crianças. “Alice no País das Maravilhas” é definitivamente um título a explorar, por todas as suas facetas, se quisermos recordar-nos de algo, da nossa inocência infantil, ou de uma infância perdida algures nas brumas da memória. Recomendo também a leitura das outras obras de “Alice”, pois são ainda mais um elemento de distracção do mundo em que estamos e da vida que vivemos actualmente. 
Rui Silva

´Tese sobre "ALice no País das Maravilhas"

“Alice no País das Maravilhas” relata as aventuras  que uma menina chamada Alice vive, no seu mundo imaginário.
Mas será que tudo o que nos é apresentado na obra é tão inocente como inicialmente nos é feito parecer?

A meu ver, as peripécias criadas no subconsciente desta menina e que ela vive em sonhos, são o diagonóstico de uma cabeça em ebulição de uma criança à beira da entrada na adolesccência.
Alice procura descobrir-se a si própria pondo-se à prova em diversas ocasiões e estudando as suas próprias reacções.

Esta crise de indentidade tão marcante na personagem vai estar presente ao longo de toda a obra, apesar de não ser de todo constante. A relação de Alice consigo mesma vai-se alterando mas a criança persiste na busca do seu “eu”.

O sujeito de Alice divide-se aquilo que Alice é e aquilo que esta pensa de si própria. Permitindo-se assim que esta se possa observar como um ser exterior a si mesmo e mesmo dialogar consigo própria.
Inicialmente, Alice pensa ter sido trocada por alguém que ela conhece e começa a fazer testes de despistagem, excluindo as pessoas que não batem certo com as características que verifica em si própria. Não pode ser Ada,  porque os cabelos não se assemelham. Também não pode ser Mabel, porque Alice tem muito mais conhecimentos do que esta.
É nesta altura que Alice decide certificar-se se ainda sabe tudo o que julgava. Começa pela Matemática, passando pela Geografia e recitação de poemas. Mas, à medida que ia falhando nas provas a que se ia propondo, mais se convencia que se tornara Mabel. Mas Alice não se sente Mabel e continua sem saber quem realmente é.

À medida que a história vai avançado, é possível observar que as mudanças de tamanho de Alice consistem com as alterações no seu modo de agir.
Ao sofrer um aumento da sua massa, dá-se consequentemente um aumento da quantidade de si própria, surgindo assim uma Alice mais racional, confiante e consciente de si própria.
Noutras alturas Alice não passa de uma criançola insegura.

É nestas alturas que o seu critério de escolha de palavras utilizadas não é de todo habitual. O seu significado é subestimado, sendo simplesmente valorizada a sua sonância. No discurso de Alice as palavras não são aplicadas pelo seu conteúdo, mas sim por serem “palavras pomposas para se dizer”.
                                                                                                                            
Também na definição do conceito de justiça no mundo de alice, estão assentes influencias deste fenómeno. É possível observar como a aplicação do termo “justiça” é extremamente fútil e superficial. O significado deste conceito tão apreciado na nossa sociedade não é minimamente semelhante ao da sua utilização no poema. Na verdade, a definição e a especificidade dos termos utilizados pouco importa, sendo estes de significado muitas vezes variável ao longo de toda a obra.
Este facto é altamente contrastante com muitos dos valores da nossa sociedade, na qual aquilo que é vago, indefinido ou incoerente é tido como algo negativo. Na obra estas características vão aparecendo com naturalidade, como algo com o qual a personagem está habituada a conviver.

Se tivermos em conta esta base na qual a história vai sendo construída não estranharemos, tal como todas as personagens, que um julgamento seja motivado por uma bela manha ou por uma sensação de vagar. Muito menos será de duvidar que uma mesma figura seja juiz e jurado.

Ao longo de todo o conto as leis e os factos vão sendo criados ou manipulados de uma forma tão desprovida de racionalidade que nada e inesperado. Mas os acontecimentos são tão irregulares que seria impossível criar linhas de conduta que permitissem leis jurídicas com alguma possibilidade de aplicação.

Talvez a justiça não seja uma necessidade no mundo fantástico e imprevisível no mundo imaginário de Alice. As leis da natureza prevalecem, podendo ser observada sistematicamente a lei do mais forte.
Mas como em muitos contos infantis, em Alice, aquilo que é vil ou maldoso vem disfarçado, ou pelo menos misturado e exposto através de brincadeiras infantis. Assim sendo, nunca tomamos contacto directo com os tormentos do mundo desta criança, pois estes são-nos apresentados com metáforas ou elementos figurativos, ou mesmo através da participação de outras personagens. Sendo estas criadas pelo subconsciente da Alice enquanto esta sonhas, as figuras desta história não passam de meras reflexões de facetas da personalidade da pequena.
São estas personagens que criam os contratempos com os quais Alice se depara, representando assim os dilemas psicológicos que intrigam a criança. Por um lado, a inocência da infância começa a desvanecer-se, por outro lado, dá-se uma antevisão da sua futura vida adulta.
Todos os novos conceitos com que se debate geram uma grande confusão, baralhando a cabeça da criança, começando a surgir situações verdadeiramente caricatas.
Mas apesar das contradições e utopias deste mundo imaginário, é possível rever alguns problemas da nossa sociedade contemporânea nas peripécias de Alice. Podemos verificar as injustiças do exercício da própria justiça, a prevalecencia da lei do mais forte, o absolutismo, entre tantos outros.

Torna-se então possível verificar que mesmo numa obra infantil, nem tudo é como primeiramente nos é feito pensar.
Sofia David

A ideia de justiça nas "Aventuras de Alíce no País das Maravilhas"

Como sabemos, a obra “As Aventuras de Alice no País das Maravilhas” foi escrita por Lewis Caroll em 1976. Ao ler o livro, apercebemo-nos que a lógica das coisas é questionada. O livro transporta-nos para um lugar fantástico povoado por seres excepcionais que possuem características inimagináveis, o que nos leva a crer que o extraordinário é algo de normal neste lugar.
Na obra ouvimos muitas vezes falar em conceitos que para nós não são aquilo que consideramos a realidade. No entanto, não há nada a fazer, pois é a nossa realidade e não a das personagens que vivem neste mundo à parte. A nossa realidade, literalmente, é aquilo que existe fora da nossa mente, podendo ser perceptível ou não, acessível, …ou seja, nós não temos de compreender totalmente, tudo o que é aplicado no País das Maravilhas, apenas temos que perceber que o não ser igual ao nosso, não significa que seja inexistente. Talvez seja isso, o que faz deste assunto, um tema tão interessante e o que nos leva a entender que nem todos temos a mesma noção das coisas e que podemos defender os nossos pontos de vista e ter diferentes visões daquilo com que nos vamos deparamos ao longo da vida.
Um dos conceitos de que ouvimos mais falar nesta obra é a justiça. Não podemos dizer que a justiça nesta obra não existe, porque a verdade é que existe. O conceito de justiça natural para aquele mundo é aplicado, é algo fixo e existem leis e costumes. Todavia, são diferentes das que nós, enquanto seres humanos, consideramos correctas, o que remete para a ideia de que esse conceito neste país de fantasia é um completo absurdo. Mas na minha opinião, acho que não temos o direito de pôr em causa a forma como o termo justiça é aplicado no País das Maravilhas, porque nem todos nos regemos pelos mesmos princípios e é isso que nos faz diferentes e nos faz crescer, o facto de termos diferenças em relação aos outros e de nos interessarmos por isso.
Por vezes, existem certas flutuações, ou seja, acontece algo que nos põe numa situação menos agradável e que nos leva a repensar no nosso conceito de justiça. O que se pretende da justiça, não é acomodar a igualdade entre desiguais, não é aceitar que se nivele o excelente pelo bom ou o bom pelo medíocre, mas sim procurar aceitar a desigualdade natural das coisas e das pessoas. Aquilo que a nossa sociedade, pretende enquanto justiça, posto da maneira mais simples possível, está relacionado com a igualdade de todos os cidadãos. É algo essencial para a nossa conduta moral que exige uma certa integridade, pois se não agíssemos deste modo o mundo seria uma verdadeira Babilónia. A justiça é a base da nossa sociedade, não podemos viver e actuar sem esta, pois o nosso quotidiano gira à volta daquilo que consideramos o certo e o errado. Enquanto a nossa ética está mais relacionada com o que é bom por natureza, a do País das Maravilhas tem a ver com o que é bom por convenção. É por isso que nos apercebemos que o que as personagens do livro consideram como justiça é algo de diferente. É um conceito que tem como suporte o egoísmo, pois durante toda a obra a arbitrariedade domina. O termo de justiça é utilizado como algo extremamente fútil, superficial e vago, pois qualquer pessoa, desde que seja superior, consoante o que lhe convier, pode tomar decisões e posições totalmente imparciais. Neste caso, a forma deixa de ser importante, pois as decisões são continuamente tomadas por alguém prepotente que só se preocupa com o fim a alcançar sem consultar outras mentalidades.
Algo com que nos deparamos na obra é também o facto de a justiça ter sempre o “papel” de condenar e nunca de tentar perdoar. O conceito convencional de justiça é aquilo que as leis e os costumes de uma cidade consideram como favoráveis para o bem-estar da comunidade e neste país, o bem-estar desta é apenas para alguns. É para os mais fortes, para os que têm o poder. Ao longo de “As Aventuras de Alice no País das Maravilhas”, as leis e os acontecimentos vão sendo criados ou manipulados de uma forma tão destituída de racionalidade que o inesperado deixa de o ser.
                No livro existem duas partes relacionadas com a justiça que se destacam. Uma delas no capitulo 3 “A Corrida Presidencial e uma História Comprida”, e nos capítulos 11 “Quem roubou as tortas?” e 12 “O depoimento de Alice”.
No 3º Capitulo, onde o Rato conta a sua história a Alice, concluímos que o Gato só se interessa por condenar e castigar o Rato, de modo a poder comê-lo. O facto de não haver juízes, nem jurados não impede que não haja um julgamento, pois o Gato, por ser o mais forte em termos de hierarquia, assume-se a ele próprio como juiz e jurado (o que na vida real é inconcebível). Podemos concluir que neste capítulo que, a única coisa que realmente interessa é o castigo da pessoa a ser condenada e nada mais. Encontra-se também presente, neste capítulo, a lei do mais forte, ou seja, quando se fala em cadeia alimentar, a hierarquia do mundo, faz com que os mais fortes usem o seu poder para dominar os mais fracos.
No 11º e 12º capítulo, decorre o julgamento do Valete em que o Rei e a Rainha de Copas o acusam de ter comido as tartes da Rainha. Alice é uma das muitas “criaturas” que presta um depoimento. Enquanto está sentada, começa a crescer e a aumentar significativamente de tamanho, o que é de certa forma, uma maneira de esta se sentir mais confiante, o que lhe dá uma sensação de poder. Esta sensação faz com que Alice diga tudo aquilo que pensa sem qualquer receio, quando até então tinha permanecido calada. Este acto, apesar de justo não é o mais correcto, pois assim que Alice tem uma certa soberania utiliza-a de forma desrespeitosa para os outros e utiliza quase que uma espécie de Lei do mais forte, pois ao ser maior, é a mais “forte” e diz tudo o que quer e tenta instituir o seu ponto de vista, tentando assustar os outros. Ou seja, o grande (Alice) exerce poder sobre o pequeno (Rei).
Podemos assim concluir que, apesar de a nossa justiça não ser uma necessidade no mundo fantástico, isso não significa que esta não exista lá alguma diferente da nossa, ou seja, as leis da natureza do País das Maravilhas permanecem no seu sistema, mas não de forma inigualável. São estas leis que regem esta sociedade e que a fazem funcionar. Podem não reflectir o bem-estar de todos, mas sem estas a vida não seria o mesmo, pois tal como para nós a justiça é uma base, para esta comunidade repleta de fantasia, aquela também o é, apenas aplicada de modo diferente. Tal como se aplica na nossa sociedade, estas leis base não se podem mudar, pois vamos sempre achar que é justo para uns e injusto para outros.
À medida que se lê o livro, a palavra justiça vai ganhando diferentes significados, que têm como objectivo favorecer as personagens consoante lhes convier, mas tal como já referi, tudo isto gira à volta daquilo que é considerado como base no País das Maravilhas.
Ao longo da vida, vão sempre acontecer coisas que não nos agradam, pois tudo tem um lado injusto, mesmo que não o queiramos ver. O injusto pode nem sempre ser para nós, mas também para os outros, facto que às vezes nos esquecemos. A verdadeira justiça está relacionada com o nosso bem-estar e com o dos outros e não com o que nos faz sentir bem só a nós.
Se formos a pensar, o que é totalmente justo no mundo?

Tese do livro ‘Alice no País das Maravilhas’
                Na história presente no livro ‘Alice no país das Maravilha’ de Lewis Carrol temos um mundo diferente do nosso onde tudo é estranho, diferente e inimaginável, onde até as pessoas cabem numa toca de um coelho. Neste mundo os animais e os objectos comportam-se como os humanos e o tempo e o tamanho físico das coisas é bastante relativo. Mesmo assim, Alice vive o mundo real enquanto está sentada á beira do rio com a sua irmã. É neste local que adormece e que sonha toda a aventura no mundo visto pelas crianças.
                Durante toda a história Alice enfrenta o medo, as ameaças, as obrigações e a violência onde os mais pequenos e fracos estão mais vulneráveis aos problemas. Esta rapariga sente-se bastante revoltada com tudo e com todos pois tudo é diferente o que a impede de agir de acordo com as regras da sociedade. Alice repara nas diferenças dos dois mundos e isso não a afasta da curiosidade, até a faz ficar mais curiosa com tudo e tentar descobrir e a reflectir sobre elas e sobre o seu mundo de origem. Enquanto Alice reflecte e tenta entender o mundo em que se encontra aparecem novas personagens e ao mesmo tempo mais problemas como o facto de diminuir quando quer passar a porta, de perder o senhor coelho porque encontra Dodo, conseguir diminuir para sair de dentro de casa do senhor coelho, entre outras. Neste mundo tudo o que Alice quer ou deseja acontece, pois temos o exemplo de Alice querer passar para o outro lado e consegue, quer diminuir de tamanho para sair de casa do coelho e consegue, entre outras.
                Alice mostra ser uma criança muito inteligente, esperta e dotada pois em toda a história tenta dar concelhos a si mesmas, utiliza também palavras caras mas muitas vezes não sabe o verdadeiro significado delas mas utiliza-as porque lhe parece serem palavras importantes. Ao contrário de Alice, para as outras personagens o uso de palavras caras não é importante mas sim o seu significado. Uma das raras palavras mais caras que uma das personagens diz é ‘Justiça’. Esta palavra está presente na explicação que o rato dá aos outros animais e a Alice por não gostar de gatos e cães. Justiça é a acção ou poder de julgar alguém, punindo ou recompensando e na minha opinião, não existe justiça neste poema. A Fúria vai julgar o Rato como juiz e jurada, ou seja, o Rato vai ser julgado apenas por um animal e não terá hipóteses de não ser condenado. O julgamento irá proceder como a Fúria quiser e a pena será a que ela decidir. De acordo com a definição de justiça a Fúria não está errada, certamente que tem o poder de julgar alguém mas isso não é justo. Esta palavra volta a aparecer no julgamento final onde o objectivo é obter justiça mas, mais um vez, existem diferenças entre os dois mundos. Neste mundo irreal todos são culpados, mesmo que as provas provem o contrário, no nosso mundo as pessoas são inocentes mesmo que as provas provem o contrário. No último julgamento está presente mais uma grande diferença entre os dois mundos que é o facto de o Rei ser o juiz mas quem decide qual será a sentença é a Rainha. A Rainha não necessitava de muita imaginação para pensar qual seria a sentença para cada um pois para ela seria sempre ‘Cortem-lhe a cabeça!’, qualquer que fosse o caso a sentença era sempre a mesma e toda a corte obedecia e levava logo essa pessoa para lhe cortarem a cabeça.
                Assim, podemos ver que o autor, Lewis Carrol, não escreveu uma história sucinta pois dá ênfase a todos os pormenores existentes na história e a todos os problemas com que Alice se depara.  Esta história não tem uma ordem de peripécias, vão acontecendo de acordo com as personagens que vão aparecendo e com o meio onde Alice se encontra, mesmo que não tenham nada a ver com o objectivo da sua visita àquele mundo – inicialmente, Alice queria seguir o coelho branco que tinha um colete com um relógio e umas luvas mas com o passar do tempo o seu objectivo mudou e passou a ser encontrar o caminho de volta para casa.
                Como já disse anteriormente, Alice enfrentou medo, as ameaças, as obrigações e a violência com as experiências que passou durante todo o sonho, assim, descobriu coisas novas e novas personagens e isso vez com que descobrisse mais sobre si mesma.
                Durante toda a obra está presente uma pergunta que Alice não consegue responder – Quem és tu?. Alice não consegue responder a esta pergunta a partir do momento em que tenta passar a porta e muda de altura. Ao longo de toda a história Alice aumenta e diminui de tamanho muitas vezes o que faz com que não saiba dizer quem é, apenas sabe quem era antes de entrar na toca do coelho. Quase todas as personagens lhe perguntam ‘Quem és tu?’ e Alice nunca sabe responder e isso faz com que fique bastante chateada e irritada. O facto de Alice estar sempre a aumentar e a diminuir de tamanho contribui para encher toda esta história cheia de novas personagens e peripécias.
                Em toda esta obra existem várias coisas que não fazem sentido, como a alteração constante de tamanho – pois normalmente as pessoas não mudam de tamanho como Alice mudou -, o lanche de chá – pois existia um chapeleiro e uma lebre, onde se celebrava sempre o aniversário -, o jogo de croquete entre a rainha e Alice – pois as bolas eram ouriços e os malhos flamingos que só se esticavam quando era a vez da Rainha jogar -, a aparência e a atitude das pessoas – a mudança radical do bebé para um porco e o facto da Duquesa chamar porco ao bebé e da cozinheira atirar panelas e frigideiras para o bebé se calar -, o facto de o gato de Cheshire desaparecer e aparecer -, entre outras.
                Durante a leitura desta obra muitos colegas meus punham a questão ‘Será esta história adequada a crianças?’. Realmente, lida não é muito adequada pois é uma obra bastante interessante, tem muitos pormenores e problemas que nos fazem reflectir e que enquanto lida por uma criança não se dá tanto valor a isso, se for vista num filme já é adequada pois devido á aparência das personagens os pormenores da história ficam com menos ênfase.
                Em suma, podemos dizer que com este sonho Alice cresceu bastante mentalmente e que amadureceu desde o inicio até ao fim do livro.
Margarida Miguel Moreira Gomes

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Tese do livro Alice no país das maravilhas
A história retida nas páginas do livro da Alice no país das maravilhas, passa-se num país inimaginável, por onde se entra pelo buraco do coelho. Um mundo maluco e estranho, onde os animais se comportam como humanos e onde o tempo e o tamanho físico são relativos.
Contudo, o mundo real esta presente na historia, quando Alice se senta a beira do rio junto a irmã, que é o mesmo lugar onde adormece e sonha a sua aventura. O país das maravilhas é o mundo real mas representado simbolicamente aos olhos duma criança.
Deste modo no livro prevalece a violência, o medo, a coação, as ameaças, numa estrutura hierárquica em que os mais fracos e vulneráveis são os mais exposto, talvez Alice se sinta como”obrigada” a certos modelos da sociedade, que vê serem realizados por todas as pessoas a sua volta. Por isso Alice pensa que os tem de fazer, sentindo-se revoltada.
Toda a sua aventura é um sonho, e como em todos os sonhos, as regras da realidade são quebradas. Para Alice este mundo é desorganizado, pois nada faz sentido, mas isso não quer dizer que ela ignore as dissemelhanças, pelo contrário, ao as descobrir, Alice reflecte mais sobre ela. Estas diferenças de interpretação das palavras utilizadas, ao longo da obra, tanto pela Alice como pelas outras personagens faz com que a medida que aparecem novos problemas e novas personagens aja também conflitos. Alice é uma rapariga bastante esperta e ela bem o sabe, por isso no país das maravilhas ela se esforça em se apresentar como uma rapariga dotada, isso faz com que Alice escolha algumas palavras que apesar de não ter a certeza do seu significado sobe são palavras importantes.
No caso das outras personagens, o uso das palavras não é por serem mais “pomposas” que é motivo de Alice, mas por não terem grande consideração pelo significado das palavras. No livro a palavra justiça aparece “ no sítio certo”, ou seja com o significado adequado, mas completamente superficial, como se não servisse para nada. No julgamento final o propósito é obter a justiça, mas normalmente no nosso mundo todas as pessoas são inocentes até que as provas provem o contrário, no livro todos são culpados até que se ache que não. O dicionário fala de justiça como a conformidade com o direito, mas na história o direito é só mais uma palavra inútil. Na obra apesar do rei ser o juiz e o jurado não é ele que tem o acto de julgar, mas sim a rainha, que pretende sempre fazer uma justiça por suas mãos, ou seja, castigar sem recorrer aos poderes competentes. Esta é uma das grandes diferenças que Alice observa, pois no nosso mundo seria impossível executar esta justiça, seria mesmo punido quem o praticasse.
“Posso explicar uma porção de coisas, mas não posso explicar a mim mesma”.
(Alice respondendo a Lagarta quando esta lhe pergunta (quem és tu?)

Lewis Carroll não escreveu uma história concisa. Alice no País das Maravilhas é um emaranhado de acontecimentos aleatórios, elementos figurativos, desejos ocultos, mensagens subliminares, averiguações sobre o carácter e a moral. A história não tem uma ordem, ela vai se deparando com personagens estranhas ao longo do caminho, algumas delas, inseridas na história sem um contexto propriamente dito (como a vida)

Alice passa por varias experiências, descobre coisas que não sabia, tem que lidar com situações novas, personagens esquisitas, de carácter duvidoso, que analisam o seu próprio carácter...
Como quando a Lagarta pergunta a Alice quem é ela, e não aceita uma resposta superficial, deixando Alice irritada por não saber como responder.
A interrogação do seu eu, começa quando a menina, por causa da sua altura, não consegue entrar num jardim misterioso que se esconde atrás de um “buraco de rato”.Tomando chás e comendo cogumelos (literalmente), Alice passa a aumentar e diminuir de tamanho com certa frequência. Este tipo de problemas fazem com que a menina direccione e encha o livro com diálogos bastante profundos para consigo mesma.
A obra de Lewis Carrol retrata principalmente as mudanças, os conflitos e as aprendizagens da adolescência. Alice entra na aventura sem pensar em nada, de repente, como se entra na adolescência. A questão do tamanho lembra-me que a adolescência está presente em todos os episódios da história:
Alice está sempre crescendo e diminuindo dependendo da situação e isso certas vezes é conveniente ou não para ela. No primeiro capítulo, Alice reduz de tamanho e parece se tornar insignificante. Essa transformação faz com que ela tenha medo de encolher até desaparecer, contudo também lhe permite entrar no jardim. Em alguns episódios, Alice cresce de forma desenfreada, porém sente-se angustiada pois este não é o seu tamanho real todavia grande, sente-se mais confiante no julgamento no final do livro. (A adolescência traz consigo vários sentimentos, dependendo da situação e da disposição.)
Muitas coisas não fazem sentido, seja uma cerimónia de chá, um jogo de croquete, as atitudes daqueles que mandam, um julgamento etc. Quando a menina querendo satisfazer a sua curiosidade, faz uma pergunta sincera, recebe complexas explicações que a deixam mais perdida ainda. Neste ponto de vista, o livro é uma livro infantil, que deve influenciar muito mais as crianças que os adultos, pois já perderam a capacidade de sentir sem racionalizar. Quem senão uma criança para conseguir imaginar um País de Maravilhas com coelhos preocupados com a hora, cartas de baralho fiéis a uma rainha que só ordena execuções, um chapeleiro, um arganaz e uma lebre em uma interminável cerimonia de chá ou um gato de Cheshire que desaparece e reaparece em partes?
Quando noutra passagem Alice pergunta o caminho ao Gato e este lhe responde que se ela não sabe para onde vai, qualquer caminho serve.
Então eu pergunto: Então o nosso mundo não tem nada de maravilhoso? Quantas vezes perguntamo-nos, quem somos e para onde devemos ir? Quantas vezes encontramo-nos apressados, correndo de um lado para o outro, sempre contra o tempo? Quantas vezes ficamos aterrorizados vendo pessoas serem mortas por motivos banais? Quantas vezes somos movidos pela nossa curiosidade e saímos por ai seguindo um coelho branco, sem saber onde vamos chegar?